Fique por dentro: Medidas econômicas do governo Lula somam R$ 354 bilhões em meio à campanha eleitoral
O cálculo faz parte do Gastômetro, ferramenta criada pelo jornal para acompanhar gastos, subsídios, operações de crédito e renúncias de receitas federais, inclu

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Consulte formatos e valores disponíveisAs medidas econômicas e sociais anunciadas ou ampliadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somam R$ 354 bilhões, segundo levantamento do Estadão atualizado em outubro de 2026. O cálculo faz parte do Gastômetro, ferramenta criada pelo jornal para acompanhar gastos, subsídios, operações de crédito e renúncias de receitas federais, incluindo iniciativas anunciadas durante o período eleitoral. O governo federal contesta a metodologia e afirma que os programas atendem a necessidades da população e da economia, sem finalidade eleitoral (leia a nota no final da matéria) .
Segundo apuração dos redatores da Empire Cidades, a maior parcela do montante corresponde a programas de financiamento, créditos subsidiados e incentivos direcionados a setores econômicos e categorias profissionais, como motoristas de aplicativos e caminhoneiros. Também entram na conta benefícios tributários, programas habitacionais e medidas de apoio a empresas.
Nas iniciativas mais recentes está um pacote voltado aos microempreendedores individuais (MEIs), anunciado após o primeiro turno da eleição presidencial. Segundo apuração dos redatores da Empire Cidades, a proposta contempla o perdão de dívidas tributárias que totalizam R$ 12,86 bilhões. A estimativa do próprio governo, porém, é de uma renúncia efetiva de receitas de R$ 3 bilhões ao longo de três anos, considerando os valores que poderiam ser recuperados nesse período.
O pacote também prevê a proposta de um incentivo de até R$ 5 mil, por meio de transferência via Pix, para apoiar pequenos negócios. A implementação da medida dependerá de uma nova proposta e somente poderá ocorrer a partir de 2027.
Outras iniciativas foram anunciadas antes do primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Entre elas estão o reajuste de 15% do Bolsa Família, medidas voltadas ao setor de apostas, uma nova versão do programa Desenrola Brasil e a previsão de distribuição de medicamentos para emagrecimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Governo contesta levantamento e defende políticas públicas
Em resposta ao Estadão, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) afirmou que considera inadequado classificar o conjunto das medidas como gastos destinados à reeleição de Lula.
Segundo o governo, o levantamento reúne políticas públicas com finalidades, fontes de financiamento e formas de execução diferentes, incluindo programas de educação, segurança, proteção de empregos e apoio a empresas.
"O Governo Federal considera descabida e metodologicamente insustentável a tentativa de apresentar como “gastos para tentar a reeleição” políticas públicas de naturezas, objetivos e fontes de financiamento completamente distintos. O chamado “Gastômetro” transforma em supostas despesas eleitorais ações destinadas a manter jovens na escola, combater o crime organizado, proteger empregos e empresas, conter pressões sobre preços e enfrentar calamidades em um ano de El Niño forte.
É insustentável, por exemplo, tratar o Pé-de-Meia, criado em 2024 para combater a evasão escolar, como gasto eleitoral. O Programa Brasil Contra o Crime Organizado aparece como “benefício social”, embora seja uma política de segurança pública contra facções, milícias, tráfico de armas e lavagem de dinheiro. Dos cerca de R$ 11 bilhões associados ao programa, R$ 10 bilhões são linha de crédito para investimentos em segurança, não recursos já desembolsados.
Também é indefensável classificar como despesa eleitoral medidas para proteger a economia dos efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, em um processo que contou com a atuação de setores da oposição brasileira naquele país, e das pressões sobre combustíveis e energia provocadas pela guerra no Oriente Médio e pelas tensões no Estreito de Ormuz. Financiamento a exportadores, apoio ao setor aéreo, garantias ao comércio exterior e medidas sobre combustíveis e GLP buscam preservar empresas, empregos, cadeias produtivas e conter pressões inflacionárias decorrentes desse cenário externo.
A lógica do “Gastômetro” levaria à conclusão de que, em ano eleitoral, o governo deveria reduzir investimentos no combate ao crime organizado, na prevenção e resposta a desastres climáticos e na proteção de empresas, empregos e consumidores diante de choques externos para evitar que esses recursos fossem classificados como “gastos para reeleição”. Proteger a população, a economia e o país é obrigação permanente do Estado, não liberalidade eleitoral.
É legítimo que a imprensa fiscalize o uso de recursos públicos. O que não é aceitável é tratar a execução regular de políticas públicas como evidência de gasto eleitoral. Governos não deixam de governar em ano de eleição. A legislação estabelece limites claros para esse período, sem suspender o dever do Estado de executar políticas públicas e proteger a população.
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