Fique por dentro: JSL vale menos que dois anos de caixa após eleição; 'negócio tem robustez', diz CFO
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Consulte formatos e valores disponíveisJSL vale menos que dois anos de caixa após eleição; 'negócio tem robustez', diz CFO Empresa quer estar pronta para se valorizar quando “outras variáveis se alinharem”, diz executivo Eduardo Cordeiro Nauck, CFO da JSL, diz que a meta de receita para 2030 não depende do cenário político
Priorizar nos meus resultados Google Ação da JSL perdeu 50,32% no primeiro pregão após o segundo turno CFO diz que a meta de R$ 21,4 bilhões de receita em 2030 não depende do cenário político Cada ponto percentual a menos nos juros vale cerca de R$ 40 milhões no lucro Recompra está aberta, mas é pouco usada para não reduzir a liquidez do papel A JSL (JSLG3) perdeu metade do valor de mercado em um único pregão. Na segunda-feira, 26, primeiro dia de negócios após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a ação recuou 50,32%, para R$ 6,16, entre as maiores quedas da B3 no dia. A bolsa acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe os negócios quando o Ibovespa cai 10%, pela primeira vez desde março de 2020.
O movimento devolveu o rali das semanas anteriores. Depois do primeiro turno, a ação saiu de R$ 8,39, no fechamento de 2 de outubro, para R$ 12,84 em 9 de outubro, alta de 53% em uma semana. Nesta quinta-feira, 29, o papel fechou em R$ 5,26, queda de 9,62% no dia, e a empresa passou a valer cerca de R$ 1,5 bilhão na bolsa.
Para o CFO, Eduardo Cordeiro Nauck, o resultado da eleição não altera a estratégia. "Do ponto de vista do que a gente tem de planejamento para a frente, não muda nada", disse em entrevista à EXAME. "A companhia tem 70 anos e já passou por todo tipo de ciclo político, econômico."
Segundo ele, a projeção de R$ 21,4 bilhões de receita bruta em 2030, divulgada em julho, "não estava condicionada a cenário político, e ela segue valendo". Nauck afirma que os clientes não estão adiando decisões. "O que a gente observou foi, pelo contrário, uma demanda bastante aquecida nos diversos setores." No terceiro trimestre, a JSL assinou R$ 2,8 bilhões em novos contratos, o maior volume de sua história em um único trimestre.
Para uma empresa que terminou junho com R$ 5,4 bilhões de dívida líquida, o principal canal entre a política e o balanço é a taxa de juros. O CFO fez a conta. "Para cada ponto percentual de queda na taxa de juros da economia, a gente tem aproximadamente R$ 60 milhões a menos de juros a pagar ", disse. Segundo ele, o efeito é de cerca de R$ 40 milhões a mais no lucro.
O número ajuda a dimensionar a sensibilidade da JSL. Nos nove primeiros meses de 2026, o lucro líquido ajustado da empresa somou R$ 77 milhões. Pela mesma conta, juros mais altos por mais tempo têm efeito na direção oposta.
A empresa vem reduzindo essa exposição. A relação entre dívida líquida e Ebitda caiu para 2,6 vezes no terceiro trimestre, ante 3,0 vezes um ano antes, e Nauck destaca que a desalavancagem é contínua há seis trimestres. A estratégia de alugar caminhões e equipamentos em vez de comprá-los diminui a necessidade de investimento e, segundo o CFO, reduz a exposição aos juros.
O outro custo sensível a mudanças de política econômica é o combustível. Nauck afirma que os contratos ligados ao diesel, tanto os de frota própria quanto os de caminhoneiros terceirizados, têm cláusulas de reajuste automático. "Toda vez que o diesel acumula uma determinada alta, a gente automaticamente, por gatilho, faz o repasse ao cliente", disse.
Segundo ele, o repasse dá trabalho comercial, mas tem sido feito no prazo desde 2020, inclusive na alta de preços de março deste ano. "A gente confia que assim será pela frente, independente de como se comportar o preço do combustível."
A queda da ação ampliou a distância entre o valor de mercado da JSL e sua geração de caixa. Nos últimos 12 meses, a companhia gerou R$ 915 milhões, já descontados investimentos, juros, aluguéis e aquisições. Com a empresa avaliada em cerca de R$ 1,5 bilhão, a bolsa paga menos do que dois anos dessa geração. O valor, porém, ainda não desconta a amortização da dívida, que é a prioridade da companhia.
"O preço da ação, o comportamento do mercado, é impactado por diversos fatores, nem todos eles sob nosso controle", disse Nauck. Segundo ele, o papel da empresa é explicar a capacidade de geração de caixa, de crescimento e de rentabilidade, para que, "no momento em que as outras variáveis se alinharem positivamente, o mercado esteja pronto e conhecendo bem a empresa para valorizar o nosso negócio".
A JSL tem um programa de recompra de ações aberto, mas o usa pouco. "A gente executa muito pouco hoje dessa recompra, para evitar impactar a liquidez do papel na bolsa", afirmou o CFO. A Simpar, controladora, tem exposição econômica a cerca de 67% do capital da JSL, e uma recompra maior reduziria ainda mais a parcela de ações em circulação.
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