Fique por dentro: Democratas conquistam Câmara e Senado nos EUA, impõem derrota histórica a Trump
Trump afirma que aceitará a derrota, mas sinaliza que poderá recorrer ao poder de veto para enfrentar a nova maioria democrata Disputa pela Câmara dos EUA — Fot
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Consulte formatos e valores disponíveisO Partido Democrata conquistou o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos nas eleições legislativas realizadas nesta terça-feira (3). A vitória, confirmada durante a madrugada desta quarta-feira (4), representa um duro revés político para o presidente Donald Trump, que perde a maioria parlamentar de seu partido justamente na metade de seu segundo mandato na Casa Branca.
A mudança no equilíbrio de forças em Washington coloca os democratas em uma posição privilegiada para influenciar os rumos da política americana nos próximos dois anos. Com maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, a oposição poderá dificultar a aprovação de propostas do governo, ampliar a fiscalização sobre a administração republicana e impor novos limites à atuação do presidente.
O resultado das chamadas midterms, eleições de meio de mandato, também evidencia o desgaste político dos republicanos, que sofreram derrotas em estados tradicionalmente conservadores e perderam cadeiras consideradas estratégicas para a manutenção de seu domínio no Congresso.
No Senado, a vitória democrata foi impulsionada pela manutenção de cadeiras importantes e pela conquista de vagas anteriormente ocupadas por republicanos. O partido conseguiu reverter o resultado de sete disputas, ampliando significativamente sua representação.
Segundo o levantamento parcial apresentado na madrugada desta quarta-feira, os democratas e independentes alinhados à legenda haviam alcançado 54 das 100 cadeiras do Senado, ultrapassando as 51 necessárias para garantir a maioria absoluta.
A conquista da maioria ocorreu em um cenário considerado especialmente desafiador para a oposição, já que os republicanos chegaram às eleições com vantagem na composição da Casa.
Entre os resultados mais expressivos estão as vitórias democratas no Texas, Kansas, Iowa, Ohio, Carolina do Norte, Carolina do Sul e Maine. Algumas dessas unidades federativas possuem um longo histórico de preferência pelo Partido Republicano.
Na Câmara dos Representantes, a chamada onda azul, expressão utilizada para descrever o avanço eleitoral democrata, também provocou uma mudança significativa na distribuição de forças políticas.
Os democratas conquistaram pelo menos 25 distritos anteriormente controlados pelos republicanos, distribuídos por mais de dez estados. O desempenho foi suficiente para ultrapassar a marca de 218 deputados, número necessário para assegurar a maioria absoluta entre as 435 cadeiras.
Os resultados ainda estavam sujeitos a atualizações, mas a vitória democrata pelo controle da Câmara já havia sido projetada.
Com isso, o Partido Republicano perde o domínio simultâneo das duas casas legislativas, situação que havia facilitado a aprovação de medidas defendidas por Trump durante a primeira metade de seu segundo mandato.
Um dos aspectos mais marcantes das eleições foi a capacidade dos democratas de conquistar cadeiras em estados onde os republicanos costumam apresentar ampla vantagem eleitoral.
No Texas, o democrata James Talarico derrotou Ken Paxton, procurador-geral do estado e candidato apoiado por Donald Trump. O resultado representou uma vitória histórica para os democratas em um dos principais redutos conservadores dos Estados Unidos.
Paxton havia recebido o apoio presidencial durante a disputa interna republicana contra o senador John Cornyn. A escolha provocou divergências dentro do próprio partido, diante de avaliações de que o candidato poderia enfrentar dificuldades na eleição geral.
Em Ohio, o democrata Sherrod Brown derrotou o senador republicano Jon Husted, apesar da participação direta de Trump na campanha. O presidente visitou o estado diversas vezes para tentar fortalecer a candidatura de Husted, mas não conseguiu evitar a derrota de seu aliado.
Outra surpresa ocorreu na Carolina do Sul, onde Annie Andrews venceu a republicana Darline Graham, irmã do falecido senador Lindsey Graham. A candidata republicana contava com o apoio de Trump, mas enfrentava questionamentos sobre sua experiência política.
Na Carolina do Norte, o ex-governador democrata Roy Cooper conquistou uma cadeira anteriormente ocupada pelos republicanos, derrotando Michael Whatley, também apoiado pelo presidente.
As vitórias no Kansas, em Iowa e no Maine ampliaram ainda mais os ganhos democratas, confirmando uma mudança eleitoral que atingiu tanto estados competitivos quanto regiões historicamente favoráveis aos republicanos.
Além de conquistar vagas da oposição, o Partido Democrata conseguiu impedir avanços republicanos em estados considerados decisivos para a disputa pelo controle do Senado.
Na Geórgia, o senador Jon Ossoff garantiu a reeleição ao derrotar o deputado republicano Mike Collins. O estado era apontado como uma das principais oportunidades para os republicanos ampliarem sua representação parlamentar.
Em New Hampshire, o deputado Chris Pappas venceu o ex-senador republicano John Sununu e conquistou a vaga deixada pela democrata Jeanne Shaheen, que decidiu não disputar outro mandato.
Outros nomes importantes do Partido Democrata também garantiram a continuidade de suas trajetórias no Senado, como Cory Booker, em Nova Jersey; Ed Markey, em Massachusetts; e John Hickenlooper, no Colorado.
Em Illinois, Juliana Stratton foi eleita para ocupar a cadeira do senador democrata Dick Durbin, enquanto Peggy Flanagan venceu em Minnesota.
O conjunto desses resultados foi fundamental para consolidar a maioria democrata e reduzir as possibilidades de recuperação republicana durante a apuração.
Diante do resultado desfavorável, Donald Trump afirmou que aceitará a decisão dos eleitores americanos e admitiu a possibilidade de trabalhar com os democratas no Congresso.
Em entrevista ao jornal The New York Times, o presidente declarou estar disposto a reconhecer os resultados e buscar entendimentos com a nova maioria parlamentar.
Entretanto, sua postura nas redes sociais indicou que a relação entre a Casa Branca e o Congresso poderá ser marcada por confrontos.
Trump publicou uma imagem de um boné vermelho com a palavra "VETO", em referência à prerrogativa constitucional que permite ao presidente rejeitar projetos de lei aprovados pelo Legislativo.
A manifestação foi interpretada como um sinal de que o republicano poderá utilizar esse instrumento para bloquear iniciativas democratas contrárias às prioridades de seu governo.
O presidente também procurou minimizar o significado político da derrota, afirmando que não considera os resultados uma rejeição pessoal à sua administração.
Apesar disso, diversos candidatos que receberam seu apoio direto foram derrotados, inclusive em estados onde Trump havia conseguido vitórias expressivas nas eleições presidenciais de 2024.
A mudança no comando do Congresso representa um desafio significativo para Donald Trump durante os dois anos restantes de seu mandato presidencial.
Com o controle da Câmara e do Senado, os democratas poderão definir prioridades legislativas, promover audiências, convocar autoridades e intensificar investigações parlamentares sobre decisões e políticas adotadas pela Casa Branca.
No Senado, a nova maioria também terá influência decisiva sobre a análise de indicações presidenciais para cargos que dependem de confirmação parlamentar.
A oposição poderá, ainda, dificultar a aprovação de medidas relacionadas à economia, à política migratória, às relações internacionais e a outras áreas centrais da agenda republicana.
Por outro lado, Trump continuará exercendo o poder Executivo e poderá recorrer ao veto presidencial para impedir a entrada em vigor de propostas aprovadas pelo Congresso. A Constituição americana permite que um veto seja derrubado, mas exige o apoio de dois terços dos parlamentares em cada uma das casas legislativas.
Dessa maneira, a nova composição tende a exigir negociações mais complexas entre democratas e republicanos, aumentando a possibilidade de impasses políticos em Washington.
Diferentemente do sistema brasileiro, no qual deputados federais e senadores são eleitos para mandatos de quatro e oito anos, respectivamente, o Congresso americano possui um calendário eleitoral próprio, com renovação parlamentar a cada dois anos.
A Câmara dos Representantes é formada por 435 deputados, todos eleitos para mandatos de dois anos. Isso significa que a totalidade das cadeiras é colocada em disputa tanto nas eleições presidenciais quanto nas eleições intermediárias.
No Senado, a composição é de 100 parlamentares, sendo dois representantes de cada um dos 50 estados americanos. O mandato dos senadores é de seis anos, com renovação de aproximadamente um terço da Casa a cada dois anos.
Em 2026, além das 435 cadeiras da Câmara, foram disputadas 35 vagas no Senado, incluindo eleições regulares e especiais.
As eleições realizadas na metade do mandato presidencial recebem o nome de midterms e tradicionalmente funcionam como um importante teste de popularidade para o governo em exercício.
Embora não determinem diretamente a permanência do presidente na Casa Branca, seus resultados podem modificar profundamente a capacidade de articulação política da administração federal.
Com a vitória democrata nas duas casas, os Estados Unidos ingressam em uma nova fase de divisão do poder em Washington. A partir da instalação do novo Congresso, em janeiro de 2027, Donald Trump terá de governar diante de uma oposição fortalecida, com instrumentos institucionais para fiscalizar sua administração e limitar suas iniciativas legislativas.
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