Fique por dentro: ChatGPT ou pressão do PL? O que levou Flávio Bolsonaro a retirar “presidente eleito” de carta com teor golpista
Na primeira versão, o senador se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da vitória de Lula (PT), reconhecida pela Justiça Eleitoral

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Consulte formatos e valores disponíveisFlávio Bolsonaro (PL) ainda não apresentou explicações sobre o motivo de ter mudado o texto da carta com teor golpista divulgada na quarta-feira (28), após ele fugir para os Estados Unidos
Nesta quinta-feira (28), o influenciador Paulo Figueiredo, que acompanha Flávio nos EUA, culpou o ChatGPT pela autoproclamação de Flávio.
“Ao gerar o documento, a IA acabou incluindo uma versão anterior do texto, em que o Flávio se apresentava como o verdadeiro ‘presidente eleito’. Como vocês devem imaginar, uma carta que expressa uma realidade tão complexa passa por várias versões, com a contribuição intelectual de mais de uma pessoa”, alegou, em postagem no X.
Figueiredo diz que a versão que teve como consenso da equipe de Flávio o trazia como “líder” pois descreve a situação jurídica e simboliza uma liderança de valor “moral”, o que o senador deseja.
No entanto, uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, com base em relatos de aliados, nesta quinta-feira, afirma que Flávio recuou da autoproclamação como presidente eleito do Brasil após receber alertas jurídicos sobre o risco de ser processado e ser aconselhado por integrantes da cúpula do PL a retirar a expressão da carta.
Conforme o jornal, entre os interlocutores, a avaliação era de que a autoproclamação poderia agravar a situação do senador, que deixou o Brasil após ter seus passaportes cancelados. A orientação foi para que Flávio corrigisse o documento e evitasse novas declarações que pudessem ampliar os questionamentos à legitimidade do resultado das urnas.
Além disso, integrantes do PL temiam que a declaração dificultasse a reorganização da oposição e isolasse o senador dentro do partido. Dirigentes também avaliavam que deputados e senadores não acompanhariam o questionamento à legitimidade da eleição, o que poderia ampliar o distanciamento entre Flávio e a bancada.
O descontentamento se tornou público na quarta-feira, quando o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, atribuiu a expressão “presidente eleito” a um “erro de confecção” e afirmou que não havia provas de fraude eleitoral que sustentassem a contestação do resultado das urnas.
“O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há prova nesse sentido”, disse Marinho, em entrevista no Senado.
Nesta quinta-feira, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também criticou a carta. Antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, o dirigente afirmou que não havia gostado do documento. Na saída do encontro, reforçou a reprovação.
“Queremos tocar o país e o partido para frente. Ninguém aprova isso. Ninguém quer ter problema. Flávio passou por uma situação difícil. Nós compreendemos, mas não aprovamos”, declarou.
As alegações de Flávio Bolsonaro de que houve uma fraude eleitoral na vitória de Lula são falsas. O Tribunal Superior Eleitoral já homologou o resultado das eleições. O ministro Kassio Nunes, que é aliado de Jair Bolsonaro (PL), também afirmou que as eleições “transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais “.
A prorrogação no tempo de votação, solicitada tanto pela campanha de Lula quanto pela campanha de Flávio, resultou em apenas 34 mil votos a mais após as 17h, segundo o próprio TSE. O PL, partido de Flávio, não contesta o resultado, alegando que não há como dizer que houve fraudes nas eleições, já que não há provas.
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