Fique por dentro: Brasil lidera preocupação com mudanças climáticas, aponta pesquisa mundial
O levantamento aponta que 72% dos adultos brasileiros pertencem ao grupo classificado como alarmado com a crise climática, enquanto 90% defendem a adoção de med

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Consulte formatos e valores disponíveisLogo compartilhamento facebook Logo compartilhamento linkedin Logo compartilhamento whatsapp Logo compartilhamento telegram Logo Compartilhar E-mail O Brasil apresenta um dos maiores níveis de preocupação com as mudanças climáticas entre os países analisados em uma pesquisa internacional divulgada neste domingo (1º).
O levantamento aponta que 72% dos adultos brasileiros pertencem ao grupo classificado como alarmado com a crise climática, enquanto 90% defendem a adoção de medidas para reduzir a poluição provocada pelo metano.
Os resultados indicam que a preocupação ambiental está relacionada não apenas à preservação da natureza, mas também à saúde pública, à segurança econômica e aos impactos de eventos extremos.
O estudo foi conduzido pelo Programa de Comunicação sobre Mudanças Climáticas da Universidade Yale e pelo Global Methane Hub.
No Brasil, a iniciativa contou com a colaboração da organização Uma Gota no Oceano.
Ao todo, foram entrevistados 12.189 adultos em 18 países, distribuídos por quatro continentes.
A amostra brasileira reuniu 700 participantes.
O levantamento buscou compreender como as populações percebem as mudanças climáticas e quais medidas consideram necessárias para enfrentar o problema.
Os resultados também permitem avaliar o conhecimento dos entrevistados sobre o metano, um dos gases responsáveis pelo aquecimento global.
Entre os participantes brasileiros, 90% manifestaram apoio a ações destinadas a reduzir a poluição por metano.
O estudo também identificou que 75% relacionam a diminuição das emissões desse gás ao combate ao aquecimento global.
Outro resultado relevante envolve a avaliação de governantes.
Segundo a pesquisa, 72% dos entrevistados aprovam lideranças políticas que adotam medidas para reduzir as emissões de metano.
Os dados sugerem que propostas ambientais podem encontrar apoio entre diferentes grupos da população.
Entretanto, os pesquisadores identificaram diferenças entre a preocupação com o clima e o conhecimento sobre as ações necessárias para reduzir os impactos ambientais.
O metano é um gás de efeito estufa liberado por diferentes atividades humanas.
Entre suas principais fontes estão a pecuária, a decomposição de resíduos orgânicos e operações relacionadas à produção e ao transporte de combustíveis fósseis.
Embora permaneça menos tempo na atmosfera do que o dióxido de carbono, o metano possui elevado potencial de aquecimento.
Por isso, sua redução é considerada uma das estratégias capazes de desacelerar o aumento da temperatura global no curto prazo.
O combate às emissões também pode trazer benefícios relacionados à qualidade do ar e à saúde.
A pesquisa investigou como os brasileiros avaliam a responsabilidade de diferentes atividades econômicas no enfrentamento da crise climática.
Na agropecuária, 96% dos entrevistados reconheceram a importância do setor para o país.
Ao mesmo tempo, metade dos participantes defendeu medidas para reduzir as emissões de metano na pecuária acompanhadas de apoio financeiro aos produtores.
O resultado mostra que parte da população considera possível combinar proteção ambiental e fortalecimento da atividade econômica.
Grandes produtores rurais também foram apontados como agentes capazes de liderar mudanças relevantes.
O desafio envolve a adoção de tecnologias, práticas produtivas e políticas de incentivo que permitam reduzir emissões sem comprometer a produção de alimentos.
Nas cidades, a gestão dos resíduos aparece como uma das principais oportunidades de redução do metano.
O gás pode ser liberado durante a decomposição de matéria orgânica em aterros e locais de descarte inadequado.
Segundo o levantamento, 88% dos brasileiros apoiam medidas para diminuir as emissões no setor de resíduos.
Além disso, 90% são favoráveis à separação obrigatória do lixo doméstico em três categorias: orgânico, reciclável e não reciclável.
O resultado demonstra apoio a mudanças na rotina de descarte de resíduos.
A implementação dessas medidas, porém, depende de infraestrutura adequada, coleta regular e destinação correta dos materiais.
A pesquisa aponta que 91% dos brasileiros apoiam ações para reduzir as emissões de metano no setor energético.
Entre os entrevistados, 59% defendem a atuação direta do governo na definição de limites de emissão.
O setor de petróleo e gás pode liberar metano durante processos de extração, processamento e transporte.
A identificação e a correção de vazamentos estão entre as medidas utilizadas para reduzir essas emissões.
O desenvolvimento de tecnologias de monitoramento também pode contribuir para tornar as operações mais eficientes.
O país aderiu, em 2021, ao Compromisso Global do Metano, iniciativa internacional voltada à redução das emissões do gás.
A meta coletiva prevê uma diminuição de 30% das emissões globais de metano até 2030, em comparação com os níveis de 2020.
A participação brasileira é relevante devido ao peso da agropecuária e de outras atividades emissoras na economia nacional.
O tema também ganhou destaque durante a presidência brasileira da COP30, realizada em 2025.
A discussão sobre metano integra um esforço mais amplo para reduzir o aquecimento global e limitar os impactos das mudanças climáticas.
Apesar do elevado apoio às medidas ambientais, os pesquisadores identificaram desafios relacionados à compreensão das causas e das soluções para a crise climática.
Maria Paula Fernandes, diretora-geral da Uma Gota no Oceano, avalia que a comunicação científica é importante para aproximar o conhecimento técnico das experiências cotidianas da população.
A proposta é transformar a preocupação com o clima em participação efetiva nas decisões e mudanças de comportamento.
Para Anthony Leiserowitz, diretor do programa de comunicação climática de Yale, compreender a percepção pública ajuda a desenvolver políticas e estratégias de comunicação mais eficazes.
Os resultados mostram que o apoio da população pode favorecer medidas de redução das emissões, mas a implementação dependerá de decisões governamentais, investimentos e participação dos setores econômicos.
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