Entenda: Verdera quer dobrar de tamanho até 2030 e aposta na economia circular para crescer
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Consulte formatos e valores disponíveisVerdera quer dobrar de tamanho até 2030 e aposta na economia circular para crescer Braço da Votorantim Cimentos prevê ampliar o coprocessamento para mais de 2 milhões de toneladas e diversificar serviços em meio à pressão por eficiência e custos elevados Eduardo Porciuncula, gerente geral da Verdera: com metas de descarbonização e novos investimentos previstos, empresa busca aproveitar oportunidades na indústria e no agronegócio, apesar da desaceleração econômica (Verdera/Divulgação)
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 16h39 .
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + A Verdera, empresa de economia circular da fabricante de cimento Votorantim Cimentos, pretende dobrar de tamanho até 2030 e ampliar sua atuação na gestão de resíduos para além da indústria cimenteira. A estratégia prevê superar 2 milhões de toneladas de resíduos coprocessados, apesar da desaceleração econômica prevista para 2027 e do crédito mais caro.
A perspectiva de desaceleração da economia brasileira em 2027, combinada ao crédito mais caro e à pressão sobre os custos das empresas, coloca novos desafios para o setor de gestão de resíduos. Mas, para a Verdera, empresa de economia circular da Votorantim Cimentos , o cenário não alterou os planos de expansão: a companhia pretende dobrar de tamanho até 2030 e ampliar sua atuação para além da indústria do cimento.
A estratégia inclui novos investimentos, expansão dos serviços e aumento do volume de resíduos destinados ao coprocessamento, tecnologia que permite utilizar materiais descartados como substitutos de combustíveis convencionais nos fornos de produção de cimento.
A companhia pretende ultrapassar a marca de 2 milhões de toneladas de resíduos coprocessados e alcançar 7 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono (CO₂) evitadas. Os números foram apresentados como objetivos de expansão, sem detalhamento do período de contabilização das emissões.
"Esse plano vai demandar um crescimento, praticamente, de a Verdera duplicar de tamanho. Então, nos próximos três, quatro anos, a gente tem esse plano de crescer o dobro do que já executa hoje", afirma Eduardo Porciuncula, gerente-geral da Verdera.
O crescimento está diretamente ligado à estratégia de descarbonização da Votorantim Cimentos , mas também reflete uma mudança na atuação da Verdera, que busca ampliar sua participação no mercado de gestão de resíduos e desenvolver serviços para clientes de diferentes setores.
Segundo Flavia Cavalcante, gerente de Novos Negócios da Verdera, o respaldo do grupo permite manter os investimentos mesmo diante das incertezas econômicas.
"A gente tem investimentos previstos para o ano que vem, projeções de aumentar o escopo de serviços e o volume de resíduos coprocessados", afirma.
Para a executiva, a continuidade dos investimentos não está relacionada apenas aos compromissos ambientais da companhia, mas também ao potencial de competitividade associado à gestão dos resíduos.
Os planos de crescimento da Verdera ocorrem em um momento de ajuste nas perspectivas para a economia brasileira.
Para Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, o país apresenta maior capacidade de resistir a choques econômicos do que em ciclos anteriores, sustentado por fatores como exportações e condições de renda. Isso, porém, não elimina os efeitos dos juros elevados sobre o consumo, o investimento e o endividamento das famílias.
O economista avalia que a economia deve perder ritmo em 2027, em um contexto de restrições financeiras e custos de capital mais altos. O cenário também tende a ampliar a pressão das empresas por produtividade e eficiência operacional.
"O custo de capital subiu em todo o planeta. Custo de capital alto significa que você precisa ter mais retorno. Para ter mais retorno, você precisa ter mais eficiência", afirma Padovani.
No setor de resíduos, essa desaceleração pode ter consequências que vão além do volume de materiais descartados.
Segundo o economista, a perda de dinamismo econômico tende a atingir de maneira desigual as diferentes faixas de renda . Famílias de maior poder aquisitivo apresentam maior capacidade de preservar o consumo em períodos de atividade mais fraca, enquanto as de menor renda ficam mais expostas às restrições de crédito e ao comprometimento do orçamento.
Na avaliação de Padovani, mudanças nos padrões de consumo podem modificar a participação relativa de resíduos associados à alimentação e de materiais vinculados ao consumo de outros bens, com efeitos para as empresas responsáveis pela coleta, pelo tratamento e pela destinação.
A leitura coloca uma questão adicional para o mercado: a gestão de resíduos precisa se adaptar não apenas ao crescimento ou à desaceleração da atividade econômica, mas também às mudanças nos tipos de materiais descartados.
Para a Verdera, essa transformação ocorre enquanto a companhia tenta ampliar sua presença em diferentes cadeias produtivas.
A Verdera nasceu para atender a uma necessidade da Votorantim Cimentos: reduzir as emissões associadas à fabricação de cimento por meio do aproveitamento de resíduos como fonte de energia.
O coprocessamento permanece como o principal negócio da companhia. A tecnologia permite aproveitar o potencial energético de determinados resíduos durante a produção de cimento, reduzindo a necessidade de combustíveis convencionais no processo industrial.
O próximo movimento, no entanto, é ampliar a atuação da empresa para outras etapas da cadeia de resíduos .
"A Verdera nasce de uma necessidade de uma estratégia de descarbonização da Votorantim Cimentos. Hoje, nosso foco é destinar e gerir resíduos para a Votorantim Cimentos. E o nosso próximo passo é fazer uma gestão da cadeia de resíduos de forma mais complexa, trazendo novos serviços", afirma Porciuncula.
Na prática, a companhia pretende desenvolver soluções que atendam a demandas de empresas geradoras de resíduos , inclusive quando essas necessidades ultrapassam a destinação energética para os fornos de cimento.
O movimento amplia as possibilidades de negócios, mas também exige novas capacidades operacionais .
Para Porciuncula, a demanda dos clientes não se limita ao coprocessamento. Ao atuar diretamente com empresas que precisam dar destino aos materiais descartados, a Verdera identifica oportunidades para oferecer outros serviços de gestão e tratamento.
Embora continue vinculada à estratégia industrial da Votorantim Cimentos , a empresa pretende consolidar uma atuação própria dentro do mercado de resíduos.
"Hoje a gente enxerga que é um negócio independente. Conseguimos avançar na agenda do mercado de resíduos para além do cimento", afirma o executivo.
A expansão também deve considerar as diferenças regionais do Brasil. Enquanto regiões mais industrializadas apresentam demandas associadas aos resíduos da atividade fabril, áreas com maior presença do agronegócio oferecem outras possibilidades de atuação.
"O Brasil é gigantesco, então você tem diferentes caminhos em cada região. Tem regiões onde o agro é mais forte, que também é um setor que está crescendo muito e vai demandar necessidades de destinação de resíduos", diz Porciuncula.
A diversificação torna a estratégia menos restrita ao fornecimento de resíduos para a indústria cimenteira, embora o coprocessamento continue sendo a principal tecnologia e atividade da Verdera.
A ampliação do mercado de economia circular também depende da capacidade de integrar diferentes tecnologias de tratamento de resíduos.
No Brasil, parte do debate sobre destinação ainda ocorre como uma disputa entre reciclagem, aterros sanitários e aproveitamento energético. Para a Verdera, essa divisão dificulta uma abordagem mais ampla para os materiais descartados.
"A gente tem que sair dessa agenda de um ou outro e ir para uma agenda mais complementar. No final, é a somatória de todas as tecnologias e de todas as ações", afirma Porciuncula.
O executivo defende que reciclagem, coprocessamento e outras alternativas, como a produção de biometano a partir de resíduos, sejam consideradas de maneira complementar, respeitando as possibilidades de aproveitamento de cada material.
O desafio envolve também a estrutura disponível para o tratamento e a destinação no país.
Segundo Porciuncula, o Brasil ainda atravessa um processo de amadurecimento tecnológico e operacional, que inclui a transição de lixões para instalações de destinação mais estruturadas e o desenvolvimento de projetos que integrem diferentes soluções.
Nesse contexto, a reciclagem e a inclusão de catadores representam partes importantes da cadeia, mas não eliminam a necessidade de alternativas para resíduos que não conseguem retornar ao ciclo produtivo por essa via.
"Não tem uma bala de prata. Vão ser tecnologias complementares", afirma.
A discussão também envolve os modelos de negócio necessários para viabilizar novos empreendimentos. A combinação entre diferentes formas de tratamento pode permitir que empresas aproveitem os materiais de acordo com suas características, em vez de depender de uma única solução de destinação.
Para a Verdera, essa integração está associada à possibilidade de ampliar serviços e acessar novos mercados.
Apesar das perspectivas de expansão, o desenvolvimento do setor ocorre em um ambiente de maior pressão sobre investimentos .
Na análise de Padovani, o custo de capital elevado tende a levar as empresas a rever projetos e buscar operações mais eficientes.
Esse contexto ajuda a explicar por que a economia circular também passou a ser tratada pelas empresas como uma questão de competitividade, além do cumprimento de compromissos ambientais.
No caso da Verdera, Flavia Cavalcante afirma que a capacidade de manter investimentos está relacionada ao vínculo com uma empresa consolidada e à importância da descarbonização para a estratégia do grupo.
A companhia trabalha com um planejamento até 2030, que prevê crescimento dos volumes processados e aumento da oferta de serviços. Os executivos, porém, não detalharam o montante de investimentos necessário para sustentar a expansão.
Outra questão é a capacidade do país de transformar as diretrizes de gestão de resíduos em projetos economicamente viáveis.
Para Fernanda Marangoni, especialista em Políticas Públicas e Relações Governamentais, a evolução do setor depende tanto de instrumentos regulatórios quanto de condições que permitam ampliar os investimentos privados.
Entre os mecanismos discutidos estão a Lei de Incentivo à Reciclagem , que permite a destinação de parte do Imposto de Renda devido a projetos aprovados, e propostas de incentivos econômicos para atividades relacionadas à circularidade.
Segundo a especialista, os instrumentos de financiamento podem apoiar iniciativas de modernização da infraestrutura, aquisição de equipamentos e capacitação de trabalhadores.
A necessidade de articulação entre diferentes níveis de governo também permanece como um desafio, especialmente porque estados e municípios têm influência direta sobre a operação dos sistemas de resíduos.
Para Porciuncula, a legislação brasileira já contempla aspectos relevantes da gestão de resíduos, incluindo destinação adequada , hierarquia de tratamento e questões sociais. O problema está na transformação dessas diretrizes em soluções efetivas.
"É como eu faço isso acontecer. Esse que é o grande desafio", afirma.
A empresa também acompanha discussões regulatórias que podem facilitar a expansão do aproveitamento energético de resíduos , ainda sem apresentar uma estimativa de quanto essas mudanças poderiam contribuir para suas metas.
Com a previsão de dobrar de tamanho nos próximos anos, a Verdera terá de ampliar os volumes destinados ao coprocessamento ao mesmo tempo em que desenvolve serviços para outros segmentos.
A meta de ultrapassar 2 milhões de toneladas coprocessadas representa, segundo a própria companhia, um desafio que não depende apenas de seus investimentos, mas também da participação de outros agentes da cadeia de resíduos.
"Quando a gente fala de 2 milhões de toneladas, é um desafio grande. Não dá para fazer sozinho", afirma Porciuncula.
A Verdera pretende dobrar de tamanho até 2030, ampliar seus serviços e atuar em outras etapas da cadeia de gestão de resíduos. A empresa também planeja atender clientes de setores que vão além da indústria do cimento.
A Verdera pretende superar 2 milhões de toneladas de resíduos coprocessados e alcançar 7 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono evitadas. A empresa não detalhou o período usado para contabilizar as emissões.
O coprocessamento é uma tecnologia que utiliza determinados resíduos como substitutos de combustíveis convencionais nos fornos de produção de cimento. O processo aproveita o potencial energético dos materiais e reduz a necessidade de combustíveis tradicionais.
A Verdera identificou demanda de clientes por serviços que ultrapassam a destinação energética de resíduos para fornos de cimento. Segundo Eduardo Porciuncula, gerente-geral da empresa, o próximo passo é oferecer uma gestão mais ampla da cadeia de resíduos.
Segundo Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, a perda de ritmo da economia em 2027 pode alterar os padrões de consumo e a composição dos resíduos gerados no Brasil. Famílias de menor renda tendem a sofrer mais com as restrições de crédito e o comprometimento do orçamento.
Eduardo Porciuncula defende o uso complementar de reciclagem, coprocessamento, produção de biometano e outras formas de tratamento. Segundo o gerente-geral da Verdera, nenhuma tecnologia isolada atende a todas as necessidades de destinação de resíduos.
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