Entenda: VAMOS DE VINHO
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Consulte formatos e valores disponíveisPedro Ribeiro, enólogo responsável pelos vinhos da Herdade do Rocim Imagem: Divulgação Esta é a newsletter Vamos de Vinho. Inscreva-se gratuitamente para receber dicas e informações sobre o mundo do vinho no seu email. Toda sexta
Portugal não é o mundo e você não precisa de 80 dias para dar a volta por suas principais regiões vinícolas. Para abreviar seu tempo, uma opção é circular entre os vinhos da Herdade do Rocim, produtora que reage mais rápido que o seu pensamento. Antes que você faça a pergunta, saiba que a resposta será "sim". Eles estão no Alentejo? Sim. Estão no Douro? Sim. Estão no Dão? Sim. Esta lista parece não terminar...
Mas termina. A Herdade do Rocim produz vinhos nessas três regiões e ainda na Bairrada, no Algarve, na região de Vinho Verde e em Lisboa, para não falar dos Açores e da Madeira. E tudo começou no apocalíptico ano 2000, em uma propriedade entre Vidigueira e Cuba, no Baixo Alentejo, com aproximadamente 120 hectares. E é exatamente no Alentejo que está a maior tropa da Rocim, com 35 rótulos.
Em visita a São Paulo, Pedro Ribeiro, enólogo da produtora portuguesa, apresentou oito vinhos disponíveis ao consumidor nas lojas da World Wine. Três brancos e cinco tintos — ou, se você preferir, quatro tintos e um clarete.
E é este abusado clarete, chamado Dr. Bruno, que chamou a atenção pelo seu curioso rótulo. A imagem de um cachorro Yorkshire com toques de urso de pelúcia, trajando terno e gravata, surpreendeu aqueles que não o conheciam. Dr. Bruno é um personagem cômico português dos novos tempos, um protagonista das redes sociais, criado pelos humoristas João Moreira e Pedro Santo e pelo artista visual João Pombeiro. O nome completo dele é Bruno Aleixo, uma criatura sarcástica e sagaz, que divide opiniões absurdas com seus colegas representados por um busto falante ou por uma criatura marítima de filmes de terror.
"Bruno Aleixo tem um humor mórbido. 50% das pessoas adoram e 50% das pessoas odeiam", disse Pedro Ribeiro. "Fiquei fã dele e fiquei amigo dos criadores. Fizemos um vinho em conjunto. Um clarete alegre. É um vinho descontraído, mas com precisão e frescor."
O vinho é um produto realmente feliz, produzido na Bairrada, com 100% Baga, pronto para beber em dias descontraídos e para harmonizar com carnes brancas assadas, massas com molhos vermelhos, queijos e o que mais vier à sua cabeça. Dono de taninos suaves e de ótima acidez, pode ser bebido sem acompanhamento algum. A nota de prova do site oficial segue o ritmo humorado e diz: "É super bom - e toda gente a quem dei a provar também achou super bom."
O preço, porém, não é tão "super bom": R$ 339,00.
"Como vocês sabem, Alicante Bouschet é das poucas variedades do mundo com cor na película e cor na polpa, por isso produz este vinho com grande concentração, grande estrutura e, sobretudo, com grande capacidade de envelhecimento. Hoje em dia, eu diria que... 80 a 90% dos topos de gama do Alentejo ou são monovarietais de Alicante ou têm Alicante na sua composição", disse Pedro Ribeiro.
"É um vinho que, apesar de ter sido pisado a pé, teve uma pisa feita com muita parcimônia. A ideia é ter uma boa extração, mas não uma extração excessiva, porque a própria uva já nos dá toda esta riqueza, toda esta generosidade. [...] O pé humano faz uma extração muito eficiente, mas ao mesmo tempo suave."
Vamos dar um pulo no Algarve para falarmos do Rocim Quinta da Pedragosa Tinto 2023, feito com as castas Aragonez e a curiosa Negra Mole. Aqui encontramos um personagem bem oposto ao Alicante Bouschet apresentado acima. Seria um épico encontro entre o intransigente Inspetor Javert e o falível e redentor Jean Valjean, ambos do clássico Os Miseráveis. Se a força do Alicante Bouschet está no corpo e nos taninos, o poder do Pedragosa está no frescor de sua acidez.
"A Negra Mole é uma uva bem característica do Algarve. Este vinho, com 60% de Negra Mole, foi vinificado num depósito de cimento e teve um estágio de três meses no mesmo depósito de cimento e depois mais um ano em barrica. É um vinho que nos transporta exatamente para a região de Lagos, uma região mais fria. E nós conseguimos perceber que este é um vinho que está preparado para vencer. É um vinho um pouco mais seco, bem acentuado, mais vertical, mas não tão comercial", disse Pedro Ribeiro.
Vinhas da Herdade do Rocim, no Alentejo Imagem: Divulgação Não perca a conta. Falei que oito vinhos nos foram apresentados. Além dos três comentados, conhecemos:
Quinta de Pedragosa Branco 2024, feito com um blend de Arinto e Malvasia, também produzido em Lagos, no Algarve, como seu irmão tinto. Generoso nos aromas de frutas cítricas e tropicais e mais untuoso do que imaginava. Muito bom. Também está em R$ 269,00.
Rocim Verdelho 2025, produzido na Vidigueira, no Alentejo, com 100% de Verdelho e sem passagem por carvalho. Contrasta com o Pedragosa acima pela boa dose de frescor e leveza. Vale R$ 269,00.
Rocim Touriga, mais um produzido na Vidigueira, 100% Touriga Nacional e amadurecido por oito meses em barricas de carvalho francês. A queridinha do Douro deu ao vinho do Alentejo aromas de morangos e cerejas acompanhados por notas de pedra úmida. Custa R$ 269,00.
E voltamos ao Douro para finalizar com dois exemplares do Bela Luz 2024, um tinto e um branco, ambos pelo valor de R$ 498,00 cada. Projeto da Rocim elaborado com uvas de vinhas velhas centenárias. Nem mesmo Pedro Ribeiro consegue enumerar quantas castas estão presentes em cada vinho. Os dois se aproximam da perfeição. Experimente correndo.
A sommelière argentina Paz Levinson Imagem: Divulgação Mudando radicalmente de assunto, quem quiser conhecer um pouco mais da diversidade dos vinhos argentinos terá duas boas oportunidades na próxima semana, em São Paulo. Nos dias 27 e 28 de outubro, o Argentina Reloaded, projeto criado pela premiada sommelière argentina Paz Levinson, reúne produtores e mais de 40 rótulos de diferentes regiões do país, incluindo os vinhos de altitude da pouco conhecida Quebrada de Humahuaca, em Jujuy, no extremo norte da Argentina.
"Será uma oportunidade pouco habitual de conhecer o potencial da região como um todo, e não por meio de uma seleção isolada de vinhos", disse Paz Levinson.
Na terça-feira (27), o restaurante Cora, na Vila Buarque, recebe os produtores para uma noite dedicada aos vinhos argentinos. Paz Levinson preparou uma seleção de rótulos para acompanhar os pratos à la carte da casa. O encontro acontece das 20h às 23h, na rua Amaral Gurgel, 344, 6º andar.
Na quarta-feira (28), a programação aberta ao público continua no "Tão Longe, Tão Perto", com a sommelière Gabriela Monteleone, na Barra Funda. Das 19h às 22h, os visitantes poderão conhecer e degustar os vinhos dos produtores participantes por R$ 50 por pessoa. Quem quiser prolongar a experiência poderá comprar taças individuais por R$ 15 cada.
O "Tão Longe, Tão Perto" fica na rua Dr. Sérgio Meira, 7. Mais informações sobre a programação estão disponíveis no site Argentina Reloaded.
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