Entenda: 'Terceiro turno está contratado', diz Zambeli após decisão de Zanin de prorrogar votação
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Consulte formatos e valores disponíveis'Terceiro turno está contratado', diz Zambeli após decisão de Zanin de prorrogar votação Fábio Zambeli afirma que decisão de Cristiano Zanin de estender o horário das urnas deve alimentar questionamentos sobre a condução do segundo turno Fábio Zambeli: “Tem um terceiro turno contratado, porque qualquer que seja o resultado da eleição, o outro lado vai dizer que mudaram a regra do jogo durante o jogo rolando”, afirmou (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Clara Assunção e Paloma Lazzaro Publicado em 25 de outubro de 2026 às 18h07.
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogou a votação do segundo turno das eleições de 2026 até as 19h deste domingo, 25, após relatos de dificuldades no transporte público. Para Fábio Zambeli, diretor de Public Affairs do Grupo In Press, a mudança deve provocar questionamentos sobre o processo eleitoral, independentemente do resultado.
A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender a votação do segundo turno das eleições de 2026 até as 19h deste domingo, 25, deve abrir espaço para questionamentos sobre a condução do processo eleitoral, independentemente do resultado das urnas. A avaliação é de Fábio Zambeli, analista de risco político e econômico e diretor de Public Affairs do Grupo In Press.
“Tem um terceiro turno contratado, porque qualquer que seja o resultado da eleição, o outro lado vai dizer que mudaram a regra do jogo durante o jogo rolando”, afirmou Zambeli durante transmissão ao vivo da EXAME.
A prorrogação foi determinada após relatos de dificuldades de deslocamento de eleitores em diferentes regiões do país, especialmente em São Paulo e na Bahia, devido à redução da circulação de ônibus e de outros meios de transporte público.
A medida foi anunciada depois das 17h, horário previsto para o encerramento da votação, quando a apuração já havia começado. Cerca de 0,25% dos votos tinham sido contabilizados, segundo as informações disponíveis no momento da decisão. A totalização foi pausada enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) buscava definir como cumprir a determinação.
Para Zambeli, a mudança de horário acrescenta incerteza ao desfecho do processo eleitoral. Segundo o analista, nenhuma das campanhas parecia esperar que a decisão fosse tomada, embora ambas tenham feito movimentos semelhantes em relação à prorrogação.
O analista ponderou, porém, que ainda não é possível mensurar se a redução da oferta de transporte público prejudicou o comparecimento às urnas nem se a extensão do horário terá impacto sobre o resultado. A avaliação depende de uma investigação capaz de comprovar quantos eleitores deixaram de votar por causa das dificuldades de deslocamento e quantos conseguiram comparecer após a prorrogação.
“Então vamos ficar tratando de suposições aqui. Se será que houve prejuízo, eu entendo o seguinte: o impacto também sobre o resultado vai ser algo bastante abstrato na minha avaliação, pelo menos hoje”, disse.
Como exemplo, Zambeli citou as denúncias de 2022 sobre possíveis obstáculos ao deslocamento de eleitores em rodovias da Bahia, em razão de operações da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Na época, a investigação do episódio levou meses para ser conduzida e apurada, o que, em sua avaliação, indica a dificuldade de estabelecer rapidamente os efeitos de eventuais restrições à circulação de eleitores.
O analista também afirmou que as campanhas realizaram mobilizações nos últimos dias para incentivar o comparecimento de seus apoiadores, especialmente a base social de Lula. Em sua avaliação, esse esforço pode ter contribuído para que eleitores mantivessem a intenção de votar mesmo diante das dificuldades, mas não permite concluir quantas pessoas foram efetivamente impedidas de chegar às seções eleitorais.
Na avaliação de Zambeli, outro elemento que pode alimentar a disputa política é o fato de a prorrogação ter sido determinada pelo STF, e não pelo TSE. O ministro Cristiano Zanin foi indicado por Lula ao Supremo em 2023, após atuar como advogado do petista nos processos relacionados à Operação Lava Jato.
“Dessa vez tem um agravante: o TSE nada fez. A decisão veio do Supremo Tribunal Federal, do ministro Zanin, que é o advogado do presidente Lula, foi indicado pelo presidente Lula para o Supremo. Então esse tipo de coisa, politicamente, vai gerar uma discussão”, afirmou o analista de risco político.
Zambeli comparou o episódio à discussão ocorrida em 2022, quando houve pedidos para estender a votação diante de denúncias de bloqueios nas estradas da Bahia. Na ocasião, o então presidente do TSE, Alexandre de Moraes, resistiu à possibilidade de alterar o horário de votação.
A votação foi prorrogada após relatos de dificuldades de deslocamento de eleitores, especialmente em São Paulo e na Bahia, devido à redução da circulação de ônibus e de outros meios de transporte público.
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, estendeu a votação até as 19h deste domingo, 25, em todo o território nacional. A decisão acrescentou duas horas ao horário previsto inicialmente.
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, apresentaram o pedido de prorrogação, segundo a matéria.
A totalização dos votos foi pausada enquanto o Tribunal Superior Eleitoral buscava definir como cumprir a determinação. Cerca de 0,25% dos votos tinham sido contabilizados no momento da decisão, segundo as informações disponíveis.
Ainda não é possível determinar se a prorrogação terá impacto sobre o resultado, segundo Fábio Zambeli. Para o analista, seria necessária uma investigação para saber quantos eleitores não conseguiram votar por dificuldades de transporte e quantos chegaram às seções após a extensão.
Segundo Fábio Zambeli, a alteração do horário após o início da apuração pode levar o lado derrotado a questionar a condução do processo eleitoral. O analista também aponta como motivo de controvérsia o fato de a medida ter partido do STF, por decisão de Cristiano Zanin, e não do TSE.
O ministro do Cristiano Zanin, do STF, atendeu a um pedido das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
A manifestação do Ministério Público foi apresentada após o presidente do TSE solicitar uma posição oficial do órgão sobre pedidos de ampliação do horário de votação
Decisão foi tomada após pedidos das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, que relataram dificuldades de acesso às seções eleitorais por problemas no transporte público, chuvas e alagamentos
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