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Entenda: Tencent lança Buddy One, aposta chinesa contra OpenAI e Anthropic em agentes

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 20:00
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Entenda: Tencent lança Buddy One, aposta chinesa contra OpenAI e Anthropic em agentes
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Tencent lança Buddy One, aposta chinesa contra OpenAI e Anthropic em agentes Pacote reúne ferramentas de trabalho no agente WorkBuddy e conecta a IA aos sistemas das empresas, sem migrar dados No portfólio da Tencent: Buddy One reúne ferramentas da empresa e usa o agente WorkBuddy como central para tarefas de escritório (Kim Kyung-Hoon/Reuters)

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + A Tencent lançou nesta quarta-feira, 28, em Shenzhen, o Buddy One, pacote de escritório que usa o agente de IA WorkBuddy como central de trabalho, e o Tencent Drive, armazenamento em nuvem feito para guardar o que os agentes produzem. A aposta é ligar os agentes aos sistemas que as empresas já usam, como ERP e CRM, sem migrar dados. Segundo a empresa, o WorkBuddy, lançado em março, já está em metade das 500 maiores companhias chinesas. A Tencent também prometeu para breve a versão final do modelo Hy4 e uma versão mais barata, o Hy4 Flash. Não há data para os novos produtos chegarem fora da China; no Brasil, a Tencent Cloud opera um data center em São Paulo desde 2021.

*SHENZEN - A Tencent, dona do WeChat, aplicativo de mensagens usado por mais de 1 bilhão de pessoas na China, lançou nesta sexta-feira, 30, o Buddy One, um pacote de escritório em que agentes de inteligência artificial reúnem dados, escrevem relatórios e montam apresentações no lugar do funcionário. O anúncio foi feito por Dowson Tong, vice-presidente executivo sênior da Tencent e presidente da divisão de nuvem e indústrias da empresa, na abertura da Tencent Global Digital Ecosystem Summit, conferência anual da companhia na cidade de Shenzhen.

O centro do pacote é o WorkBuddy, agente de IA lançado em março, que executa tarefas no computador, como pesquisar, cruzar planilhas e gerar relatórios. Em vez de abrir um aplicativo para cada tipo de arquivo, o usuário pede o resultado ao agente, que aciona o editor de textos Tencent Docs, a base de conhecimento ima, a videoconferência Tencent Meeting e a busca do Yuanbao, o chatbot da Tencent. Tudo com uma conta, um banco de dados e um saldo de créditos únicos.

A empresa também lançou o Tencent Drive, serviço de armazenamento em nuvem que Tong descreveu como um "espaço de memória" para a era dos agentes. Ele guarda o contexto que a IA acumula durante o trabalho e o que ela produz, para que esse material vire patrimônio da empresa em vez de se perder quando a tarefa acaba.

A Tencent quer que o WorkBuddy converse diretamente com os sistemas de gestão que as empresas já usam, como ERP e CRM, os programas de controle financeiro e de relacionamento com clientes vendidos por fornecedores como SAP, Salesforce e TOTVS. A empresa não precisa trocar de sistema nem migrar dados: o agente vai até onde a informação já está.

É a mesma corrida que mobiliza o Vale do Silício neste ano. Em fevereiro, a OpenAI, dona do ChatGPT, lançou o Frontier, plataforma para empresas criarem agentes que operam sistemas como Salesforce e Workday, e passou a se apresentar como candidata a "sistema operacional da empresa".

Um mês antes, a Anthropic havia passado a permitir que o Claude executasse tarefas por conta própria em programas de trabalho. A diferença está no ponto de partida. As americanas vendem modelos de IA e tentam chegar ao escritório.

A Tencent já está no escritório chinês com o WeCom, o Tencent Docs e o Tencent Meeting, e usa o agente para amarrar tudo isso. O tabuleiro também é outro. Nem o ChatGPT nem o Claude estão disponíveis oficialmente na China, o que deixa o mercado corporativo do país para as empresas locais. É a partir dessa base que a Tencent tenta levar o pacote a outros países.

A ponte é o MCP, padrão aberto criado pela Anthropic, dona do Claude, para conectar modelos de IA a programas e bancos de dados. Segundo Tong, basta que o ERP ou o CRM ofereça uma conexão desse tipo e que a empresa descreva, em "habilidades" (skills), como os dados estão organizados. A partir daí, o agente divide uma análise em etapas, busca as informações em vários sistemas ao mesmo tempo e entrega o relatório pronto.

O executivo citou exemplos do dia a dia. Um agente pode organizar um lote de notas fiscais e enviar todos os pedidos de reembolso de uma vez, sem que alguém precise subir arquivo por arquivo na tela do sistema. Na própria Tencent Cloud, um agente interno chamado Xiaoou consulta, a pedido do funcionário, metas de vendas, situação de clientes e andamento de pagamentos, informações que antes exigiam pedido de acesso e garimpo em planilhas.

Tong disse que um relatório gerencial costumava levar de duas a três semanas para ser montado por engenheiros de dados, e cada pergunta adicional significava esperar outra rodada. "Na era da IA, a velocidade em si é competitividade", afirmou.

A integração passa também pelo WeCom, a versão corporativa do WeChat, que funciona como um Slack ou Teams chinês. Neste mês, as duas ferramentas passaram a funcionar juntas: o funcionário entra no WorkBuddy com a conta do WeCom, o agente trabalha 24 horas por dia e devolve o resultado no aplicativo de mensagens. Pelo celular, ele lê mensagens e e-mails autorizados, resume pendências e sugere respostas, que só são enviadas depois da confirmação do usuário.

Para o departamento de TI, o controle fica centralizado. O administrador distribui licenças, cotas de uso e permissões de acesso, e recolhe tudo quando o funcionário deixa a empresa.

O WorkBuddy foi lançado em março, na esteira da febre do OpenClaw, agente de IA de código aberto que viralizou na China no início do ano e que a Tencent passou a facilitar para usuários de computador. Em junho, ganhou uma versão empresarial.

Segundo Tong, essa versão já é usada em mais de 50 setores e chega a 50% das 500 maiores empresas chinesas e a 60% das 100 maiores. A plataforma aberta do agente soma mais de 50 mil parceiros e desenvolvedores e mais de 200 mil habilidades disponíveis. Os números são da própria Tencent e não foram verificados de forma independente.

O executivo apresentou um caso da Yili, maior fabricante de laticínios da China. A empresa usa o WorkBuddy para transformar dados de vendas em estratégias que são distribuídas a mais de mil promotores de venda, com ganho de eficiência de mais de 50%, segundo a Tencent. Um teste A/B com um agente que sugere produtos e argumentos de venda em tempo real registrou alta de 26% nos pedidos.

O pano de fundo é a explosão do uso de IA no país. Tong afirmou que o consumo diário de tokens, as unidades de texto que os modelos processam, saltou de 100 bilhões no início de 2024 para mais de 500 trilhões em julho deste ano, alta de mais de 5.000 vezes. Em outubro, o CAICT, instituto de pesquisa ligado ao Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, já havia estimado o volume em cerca de 500 trilhões por dia em junho.

Na China, o WorkBuddy disputa espaço com o DingTalk, do Alibaba, e o Feishu, da ByteDance, dona do TikTok, que também embutiram agentes em suas ferramentas de trabalho. No Ocidente, a briga equivalente é entre o Copilot, da Microsoft, e o Gemini no Google Workspace.

Do lado dos modelos, Tong disse que a versão final do Hy4, nova geração da família de modelos que a Tencent chama de Hunyuan na China, será lançada "muito em breve". A versão de testes, com 770 bilhões de parâmetros, foi aberta ao público em agosto e custa US$ 0,834 por milhão de tokens de entrada na API.

Segundo o executivo, o Hy4 final melhora em tarefas longas, gasta menos tokens para raciocinar e passa a entender imagens. Depois dele virá o Hy4 Flash, versão mais barata. A empresa não divulgou datas nem preços.

Tong afirmou que a versão de testes está entre as mais usadas do OpenRouter, plataforma americana que reúne centenas de modelos de IA e funciona como termômetro de adoção. Para dar conta da demanda, a Tencent diz ter multiplicado por cinco a capacidade de processamento de um chip chinês duas semanas antes do lançamento, num momento de escassez global de poder computacional que levou a empresa a alugar chips da Oracle fora da China.

Pela plataforma TokenHub, clientes da nuvem acessam com uma única chave o Hy4 e modelos de outras empresas chinesas, como DeepSeek, MiniMax e Kimi. A Tencent também anunciou uma nova versão do Agent Runtime, o ambiente que executa os agentes, com melhorias em segurança, monitoramento e gestão de contexto.

Tong reconheceu que a mesma tecnologia que acelera o trabalho ajuda quem quer atacar empresas. Segundo ele, os agentes "reduziram muito a barreira" para ações maliciosas, e a Tencent tem visto uma explosão de roubos de credenciais e chaves de acesso corporativas.

A resposta da empresa tem três frentes. No WorkBuddy, instruções maliciosas escondidas em arquivos são identificadas e removidas, operações de alto risco, como apagar dados ou acessar áreas sem permissão, são bloqueadas, e ações duvidosas dependem de confirmação do usuário. Cada agente tem identidade própria, e tudo o que ele consulta e executa fica registrado. Os dados são criptografados de ponta a ponta, com recuperação de arquivos apagados por engano.

Segundo a Tencent, o WorkBuddy foi um dos primeiros produtos chineses aprovados na avaliação de IA confiável do CAICT.

A Tencent quer levar esse pacote para fora da China. Tong afirmou que o número de clientes ativos da Tencent Cloud no exterior dobrou em um ano, em mais de 150 países, e que a demanda internacional por IA cresceu três dígitos no período. A empresa diz ter mais de 2 milhões de servidores no mundo e abriu ou ampliou data centers em Frankfurt, Malásia, México, Osaka, Riad e Tailândia. No próximo ano, promete ampliar a presença na Ásia, no Oriente Médio, na Europa e nas Américas.

Entre os clientes internacionais citados estão a Telkomsel, maior operadora de celular da Indonésia, e a eMAG, espécie de Mercado Livre do Leste Europeu, que migrou para a nuvem da Tencent. O WorkBuddy tem versão internacional desde maio, e a empresa diz estar levando ao exterior toda a linha de agentes, incluindo o assistente de programação CodeBuddy.

No Brasil, a Tencent Cloud opera um data center em São Paulo desde novembro de 2021, o primeiro da empresa na América Latina. A Tencent não informou quando o Buddy One e o Tencent Drive chegam fora da China, nem quanto vão custar.

É um pacote de escritório lançado em 29 de outubro de 2026 que usa o agente de IA WorkBuddy como central de trabalho. Ele integra o editor Tencent Docs, a base de conhecimento ima, a videoconferência Tencent Meeting e a busca do chatbot Yuanbao, com conta, dados e créditos unificados.

É um agente de inteligência artificial da Tencent, lançado em março de 2026, que executa tarefas de escritório no computador, como pesquisar, analisar planilhas e gerar relatórios. Em junho, ganhou uma versão empresarial que se conecta a sistemas internos das companhias.

É um serviço de armazenamento em nuvem lançado junto com o Buddy One. A Tencent o descreve como um "espaço de memória" para agentes, que guarda o contexto acumulado e os arquivos produzidos pela IA para que a empresa possa reutilizá-los.

Sim, segundo a Tencent. Quando o sistema oferece uma conexão pelo MCP, padrão aberto para ligar modelos de IA a programas, o agente consegue buscar dados em vários sistemas ao mesmo tempo e gerar relatórios, sem que a empresa precise migrar informações.

A versão de testes foi aberta em agosto de 2026, e a Tencent disse em 29 de outubro que a versão final sai "muito em breve", com melhorias em tarefas longas e entendimento de imagens. Depois virá o Hy4 Flash, mais barato. Não há datas oficiais.

A Tencent diz que bloqueia operações de alto risco, como apagar dados, registra tudo o que cada agente faz e criptografa os dados de ponta a ponta. A própria empresa admite, porém, que os agentes facilitaram ataques e que o roubo de credenciais corporativas disparou.

A Tencent não informou quando o Buddy One e o Tencent Drive chegam fora da China. O WorkBuddy tem versão internacional desde maio de 2026, e a Tencent Cloud opera um data center em São Paulo desde 2021.

Na China, o DingTalk, do Alibaba, e o Feishu, da ByteDance. No Ocidente, as ferramentas equivalentes são o Copilot, da Microsoft, e o Gemini no Google Workspace.

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