Entenda: O mar de lama que ameaça engolir Flávio e a fuga por procuração
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Consulte formatos e valores disponíveisJoe Raedle/Getty Images Meus dedos estão cansados de tanto ter teclado ao longo da última campanha eleitoral que o sacripanta do Flávio Bolsonaro (ou prefere chamá-lo de velhaco, patife, canalha, enganador, sem caráter?) não passava de uma cópia encardida do pai, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Não passou de farsa apresentar-se como o Bolsonaro que parte do país ansiava. Está aí para quem quiser ver: se moderado de fato fosse, reconheceria os resultados das urnas, cumprimentaria o presidente eleito e vida que segue – no caso dele, como o principal líder da oposição, detentor de quase 60 milhões de votos e provável candidato a presidente do Brasil nas eleições de 2030. Lula perdeu três batalhas cruentas antes de subir pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto. Flávio não poderia perder uma?
Mas não. Com medo de ser preso de uma hora para a outra, porque sua vida está ameaçada de ser engolida por um mar de lama, ele simplesmente correu para os braços de Donald Trump em busca de um local seguro e acolhedor. Ao desembarcar na pátria dos sonhos de toda a sua família, uma vez rasgada a fantasia de político moderado, revelou-se o que nunca deixou de ser: um golpista, como o pai.
Trump pode gostar de golpistas, até porque, sem sucesso, ele já tentou abolir a democracia no seu país. Mas detesta a proximidade com derrotados. Acreditou que Flávio, se eleito, lhe entregaria o Brasil de mão beijada – a cereja de um bolo de que ele gostaria de se fartar, a oitava maior economia do mundo, rica em terras raras e o maior parceiro comercial da China na América Latina, quintal dos Estados Unidos.
O erro fatal de Flávio foi esquecer que, no tabuleiro do pragmatismo extremista, quem perde o poder perde o valor. Trump não gerencia afetos, gerencia ativos. Ao bater às portas da Casa Branca com o peso da derrota nas costas, o herdeiro do clã brasileiro não encontrará um padrinho pronto para o resgate, mas sim um espelho de sua própria derrocada política. A tentativa de internacionalizar o choro pós-eleitoral é o sintoma definitivo de uma oposição que faliu internamente e agora implora por validação estrangeira.
Enquanto isso, o Brasil real seguirá o seu curso, indiferente ao exílio voluntário dos que preferem a Flórida ao debate público que as urnas lhes impuseram. Se a estratégia era se blindar em solo americano contra o avanço das investigações judiciais que o cercam, o tiro tende a sair pela culatra. A história mostra que líderes que governam ou se opõem por procuração, escondidos atrás de fronteiras convenientes, rapidamente se tornam notas de rodapé na memória do eleitorado.
Resta saber se os quase 60 milhões de eleitores que acreditaram no discurso de resistência patriótica de Flávio continuarão aceitando que seu principal representante prefira o conforto dos resorts americanos ao asfalto das ruas do Brasil, que sempre lhe foi estranho. O figurino de mártir perseguido perde o brilho quando o cenário de fundo é o horizonte de Miami. O mar de lama que Flávio tanto teme pode não ter vindo das urnas, mas sim da própria incapacidade de sustentar, na derrota, a altivez que ostentou na campanha.
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