Entenda: Novo acordo de combustíveis entre Trump e Putin pode prejudicar a Ucrânia
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Consulte formatos e valores disponíveisNovo acordo de combustíveis entre Trump e Putin pode prejudicar a Ucrânia Flexibilização temporária de sanções para ampliar as vendas de combustíveis russos, principalmente o diesel, aprofunda o desgaste entre Washington e Kiev, enquanto Moscou intensifica ataques à infraestrutura ucraniana Putin e Trump: presidentes fecham acordo controverso sobre combustíveis que pode mudar o andamento da guerra na Ucrânia (ANDREW CABALLERO-REYNOLDS )
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 06h01 .
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 9 de outubro um acordo com Vladimir Putin para flexibilizar sanções e ampliar vendas de diesel russo aos Estados Unidos e outros mercados. O acordo pode elevar receitas de Moscou e ameaçar a Ucrânia, segundo o centro americano Council on Foreign Relations; a publicação The Economist prevê efeito limitado nos combustíveis.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, em 9 de outubro, um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para flexibilizar temporariamente as sanções e permitir que a Rússia amplie as vendas de diesel aos Estados Unidos e a outros mercados.
A iniciativa, apresentada como uma medida para reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições legislativas americanas de novembro, pode liberar milhões de barris de diesel russo para o mercado internacional e gerar receitas adicionais para Moscou, em um momento de crise energética global e de intensificação dos ataques à Ucrânia.
Em 16 de outubro, Trump suspendeu, ainda, novas sanções aprovadas pelo Congresso contra países que compram petróleo e gás da Rússia, alegando interesses nacionais. A decisão contraria a estratégia ocidental de limitar os recursos financeiros disponíveis para sustentar a guerra iniciada por Moscou em fevereiro de 2022 e foi criticada por parlamentares democratas e republicanos.
Embora Trump defenda que a iniciativa ajudará a reduzir os custos de energia para os americanos, economistas ouvidos pela The Economist avaliam que o impacto nos preços dos combustíveis tende a ser limitado.
Já para o Council on Foreign Relations (CFR), centro de estudos internacionais americano, o acordo representa um risco que vai além de seus possíveis efeitos econômicos: uma mudança na condução da diplomacia de Trump que pode comprometer a posição da Ucrânia no conflito.
Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enfrenta momentos incertos na condução da guerra de seu país e no apoio internacional (Ozan Kose/AFP)
O acordo energético coincidiu com a escalada das tensões entre Washington e Kiev. Nos dias seguintes ao anúncio, Trump passou a responsabilizar publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pelos obstáculos às negociações de paz e chegou a defender inclusive a sua saída do cargo. Putin, por sua vez, foi apresentado pelo americano como o líder mais disposto a encerrar a guerra.
Trump também afirmou que a Rússia e a Ucrânia haviam concordado em suspender os ataques às respetivas infraestruturas energéticas. A trégua, porém, não se consolidou; segundo o CFR, as conversas entre negociadores americanos e representantes ucranianos indicaram que Washington pressionava Kiev a interromper unilateralmente os ataques às refinarias russas, sem garantias de que Moscou faria o mesmo.
Zelensky chegou a aceitar a exigência por alguns dias, mas voltou atrás diante da continuidade dos bombardeios russos. Em 18 de outubro, a Ucrânia lançou uma ofensiva com drones contra São Petersburgo, atingindo instalações petrolíferas e outros alvos. O chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu a legitimidade dos ataques de longo alcance, argumentando que eles demonstram a disposição da Ucrânia de se defender.
A pressão americana também gerou preocupação quanto ao acesso da Ucrânia a recursos militares e tecnológicos dos Estados Unidos. Autoridades ucranianas e europeias relataram ameaças de Washington de interromper o compartilhamento de informações de inteligência e as vendas de armamentos financiadas por governos europeus.
Também houve relatos de restrições ao sistema de comunicação por satélite Starlink, utilizado pelas forças ucranianas, embora os detalhes sobre a extensão dessas limitações permaneçam pouco claros. Zelensky afirmou posteriormente que o acesso ao serviço estava sendo restabelecido.
A assistência americana é difícil de substituir. Segundo os especialistas, a Ucrânia ainda depende dos Estados Unidos para capacidades como o alerta antecipado de lançamentos de mísseis balísticos, os interceptadores Patriot e a rede de satélites Starlink. Mesmo com o desenvolvimento de uma indústria de defesa nacional e o apoio europeu, Kiev não dispõe de alternativas equivalentes para todos esses recursos.
Nessa nota, o CFR avalia que a mudança de postura de Trump desorientou o governo ucraniano, que até então procurava preservar a relação com a Casa Branca por meio de demonstrações públicas de gratidão e de negociações reservadas.
Agora, Zelensky passou a criticar abertamente as decisões americanas, afirmando que Washington está perdendo um parceiro importante e que não está do lado certo da história. O confronto público, porém, aumenta o risco de um afastamento duradouro entre os dois países.
Enquanto as negociações políticas se deterioram, a Rússia intensifica os ataques contra a infraestrutura ucraniana. De acordo com uma análise do centro britânico Chatham House, Moscou tem concentrado esforços em bombardear portos, depósitos de grãos, ferrovias, pontes, instalações industriais e a rede elétrica, com o objetivo principal de comprometer a capacidade econômica do país.
Os ataques à infraestrutura energética prosseguem apesar das declarações de Trump sobre uma possível trégua. As ofensivas também atingiram siderúrgicas ucranianas , deixando cinco altos-fornos permanentemente fora de operação, além de centros comerciais, armazéns e instalações logísticas.
Para o Chatham House, a estratégia russa busca provocar uma recessão, reduzir as receitas públicas, agravar as dificuldades cotidianas da população e enfraquecer o apoio à continuidade da resistência. A deterioração econômica, por si só, também pode estimular uma nova onda migratória e aumentar os custos da guerra para os aliados europeus de Kiev, diz a análise.
A flexibilização das sanções energéticas ameaça agravar esse quadro ao abrir espaço para receitas adicionais à Rússia. Mesmo que o impacto imediato sobre os preços globais seja pequeno, a possibilidade de ampliar as exportações fortalece a capacidade de Moscou de financiar o esforço militar. O benefício político também é relevante: o Kremlin pode interpretar a disposição americana de aliviar restrições como um sinal de que a pressão ocidental está diminuindo.
A iniciativa ainda enfraquece a tentativa de manter uma frente internacional coordenada contra a Rússia. Em publicações nas redes sociais, Kirill Dmitriev, principal negociador russo nas conversas com Washington, celebrou a aproximação como um momento histórico e sugeriu que ela abre caminho para novos acordos econômicos entre os dois países. A The Economist observa que Moscou procura explorar o desgaste nas relações transatlânticas para apresentar a política de apoio à Ucrânia como cada vez menos popular e sustentável na Europa.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, em Bruxelas em 17 de outubro de 2024 (AFP/AFP)
A mudança americana aumenta a pressão sobre os países europeus, que continuam a apoiar Kiev , mas enfrentam dificuldades em compensar uma eventual redução da assistência militar e de inteligência por parte dos Estados Unidos. As restrições orçamentárias, o endividamento elevado, os juros e os custos de energia limitam a margem de manobra dos governos, enquanto partidos de direita contrários ao financiamento da guerra ganham espaço em alguns países.
Em 16 de outubro, durante uma reunião de líderes europeus em Bruxelas, Zelensky pediu mais 70 bilhões de euros para cobrir as necessidades ucranianas em 2027, incluindo a expansão da produção nacional de armas. O pedido foi recebido com simpatia, mas não resultou em novos compromissos. A União Europeia já havia aprovado um empréstimo de 90 bilhões de euros para cobrir as necessidades do país neste e no próximo ano.
Segundo dados do Chatham House, think tank britânico, a Ucrânia já projetava um déficit de 27 bilhões de dólares no financiamento de sua defesa em 2026 e uma lacuna de 32 bilhões de dólares no orçamento de 2027. O agravamento dos danos à infraestrutura e a prolongação da guerra podem elevar essas necessidades e dificultar novos desembolsos do Fundo Monetário Internacional.
Uma das alternativas em discussão é utilizar os mais de 200 bilhões de euros em ativos do Banco Central russo congelados na Europa, sobretudo na Bélgica, além de outros 25 bilhões de euros no Reino Unido. A proposta enfrenta resistência do governo belga, preocupado com os riscos jurídicos e com as consequências para a segurança dos direitos de propriedade. Para o Chatham House, os países europeus deveriam criar mecanismos comuns para administrar os ativos e dividir eventuais responsabilidades legais, permitindo que os recursos ajudem a financiar a defesa da Ucrânia.
Outra prioridade é proteger a economia do país contra os bombardeios. O centro britânico defende ampliar as garantias públicas e internacionais para seguros de fábricas, instalações energéticas, fazendas e infraestrutura de transporte, a fim de acelerar a reconstrução dos ativos atingidos. Também recomenda estender a cobertura dos seguros ligados às exportações agrícolas, incluindo o armazenamento de grãos nos portos, que tem se tornado alvo frequente dos ataques russos. As exportações de grãos rendem entre 10 bilhões e 11 bilhões de dólares por ano à Ucrânia.
O fortalecimento das defesas aéreas permanece essencial, mas a disponibilidade desses sistemas foi pressionada pela guerra de Trump contra o Irã, segundo o Chatham House. Sem proteção suficiente, a Ucrânia corre o risco de perder mais capacidade produtiva justamente quando precisa ampliar a arrecadação para financiar a guerra.
Para o Chatham House, a prioridade europeia deve ser garantir que a economia ucraniana atravesse o inverno e continue funcionando. Já o CFR alerta que, se a nova postura de Trump persistir, o conflito poderá entrar em uma fase ainda mais perigosa, marcada pelo sofrimento prolongado da população ucraniana e pelo enfraquecimento das alianças ocidentais.
O acordo anunciado por Donald Trump prevê a flexibilização temporária das sanções para que a Rússia amplie as vendas de diesel aos Estados Unidos e a outros mercados. A medida pode liberar milhões de barris de diesel russo no mercado internacional e gerar receitas adicionais para Moscou.
Donald Trump apresentou a flexibilização como uma medida para reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições legislativas americanas de novembro. Em 16 de outubro, o presidente também suspendeu novas sanções contra países compradores de petróleo e gás russos, sob a alegação de interesses nacionais.
O impacto nos preços dos combustíveis tende a ser limitado, segundo economistas ouvidos pela The Economist. Trump, porém, defende que a ampliação da oferta de diesel russo ajudará a reduzir os custos de energia para os americanos.
Segundo o Council on Foreign Relations, a mudança diplomática de Trump pode comprometer a posição da Ucrânia e enfraquecer as alianças ocidentais. O centro afirma que Washington pressionou Kiev a suspender ataques contra refinarias russas sem garantias de que Moscou interromperia suas ofensivas.
Segundo especialistas citados na matéria, a Ucrânia ainda depende dos Estados Unidos para o alerta antecipado de lançamentos de mísseis balísticos, os interceptadores Patriot e a rede de satélites Starlink. Autoridades ucranianas e europeias relataram ameaças de Washington de restringir inteligência e vendas de armamentos financiadas por governos europeus.
Segundo o Chatham House, a Ucrânia projetava um déficit de US$ 27 bilhões no financiamento da defesa em 2026 e uma lacuna de US$ 32 bilhões no orçamento de 2027. Volodymyr Zelensky pediu mais 70 bilhões de euros aos líderes europeus, enquanto o uso de mais de 200 bilhões de euros em ativos russos congelados permanece em discussão.
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