Entenda: Gás caro dificulta agregação de valor ao minério no Brasil, diz Cedro
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Consulte formatos e valores disponíveisO alto custo do gás natural no Brasil é um dos principais obstáculos para o país avançar na industrialização do minério de ferro e ampliar a produção de materiais de maior valor agregado.
A avaliação é de José Carlos Martins, presidente do conselho de administração da Cedro Participações e ex-diretor da Vale.
Em entrevista ao Mapa da Mina, programa de mineração da CNN, o executivo afirmou que os preços da energia no mercado brasileiro dificultam investimentos em processos industriais como a pelotização e, principalmente, a redução direta do minério de ferro, tecnologia utilizada na produção de ferro metálico destinado à fabricação de aço.
Governo marca 1ª reunião do conselho de minerais críticos para quinta (5) Australiana negocia compra de projetos de terras raras e urânio no Brasil Repasse de receitas no leilão de baterias afasta transmissoras, diz Isa Martins relembrou que, durante sua passagem pela Vale, a companhia optou por construir uma unidade de pelotização em Omã, no Oriente Médio, em vez de instalar a estrutura no Brasil, em razão da diferença no custo do gás natural.
Segundo o executivo, na época da decisão, o combustível custava cerca de US$ 1,50 por milhão de BTUs no país árabe, enquanto no Brasil o preço chegava a US$ 12 pela mesma quantidade de energia.
"Em uma atividade que é intensa em energia, você precisa ter os insumos a um preço competitivo em termos internacionais", afirmou.
A Vale iniciou a produção de pelotas em Omã em 2011. O complexo industrial, localizado na cidade de Sohar, possui capacidade instalada de 9 milhões de toneladas anuais de pelotas de minério de ferro. Além das condições energéticas, a localização estratégica do país e sua infraestrutura logística também foram fatores considerados pela mineradora para realizar o investimento.
Martins destacou que a diferença de preços se torna ainda mais relevante na redução direta, processo que utiliza gás natural ou outros agentes redutores para transformar o minério de ferro em ferro metálico, sem a necessidade de recorrer ao modelo tradicional de altos-fornos abastecidos com coque.
Segundo ele, a produção de uma tonelada de ferro por redução direta demanda aproximadamente 10 milhões de BTUs de gás natural.
O executivo estima que o combustível custe atualmente entre US$ 4 e US$ 5 por milhão de BTUs em mercados internacionais, contra cerca de US$ 12 no Brasil.
Para o presidente do conselho da Cedro, essa diferença compromete a viabilidade econômica de instalações industriais no país e ajuda a explicar a dificuldade brasileira em desenvolver a tecnologia.
"Talvez, se o Brasil não tem condição de ter um gás, e provavelmente não tem, numa condição competitiva, você não vai ter redução direta aqui, como não teve", disse.
O executivo lembrou que o Brasil já contou com duas unidades de redução direta, localizadas na Bahia e no Rio Grande do Sul, mas que ambas tiveram suas operações paralisadas.
Apesar das dificuldades, Martins defendeu que o país busque ampliar a agregação de valor ao minério de ferro, por meio de processos como pelotização, briquetagem e redução direta. Ele ponderou, no entanto, que a expansão dessas atividades depende de condições econômicas e industriais competitivas.
"Eu acredito que você agregar valor no minério, tipo pelotizadora, briquetagem, mesmo redução direta, é uma estratégia muito positiva, mas precisa ter as condições necessárias", afirmou.
Outro desafio apontado pelo executivo é a necessidade de ampliar o consumo interno de aço, de forma a sustentar o desenvolvimento da cadeia siderúrgica nacional.
Para Martins, a industrialização do minério de ferro não pode depender apenas da construção de novas unidades de processamento, mas também de um ambiente capaz de garantir competitividade aos produtos brasileiros e demanda para a produção nacional.
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