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Entenda: Flávio gasta 6 vezes o valor de Lula em anúncios na última semana de campanha

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 17:56
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Entenda: Flávio gasta 6 vezes o valor de Lula em anúncios na última semana de campanha
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Flávio Bolsonaro (PL) acelerou os gastos com anúncios nas plataformas da Meta na reta final do segundo turno.

Entre 15 e 21 de outubro, os anúncios vinculados à sua página oficial e identificados como pagos pela campanha consumiram R$ 6,79 milhões, contra R$ 1,09 milhão de Lula (PT).

O investimento do candidato do PL foi 6,2 vezes o registrado para o petista — aproximadamente 522% maior no período analisado.

Os sete dias concentraram quase metade, 49,3%, dos R$ 13,79 milhões acumulados sob a identificação da campanha de Flávio naquela página.

Para Lula, a mesma semana representou 9,4% dos R$ 11,64 milhões acumulados.

A BBC News Brasil coletou os números em 24 de outubro na Biblioteca de Anúncios da Meta, empresa responsável pelo Facebook e pelo Instagram. Os números consideram os gastos até o dia 21.

A consulta utilizou os quadros de gastos das páginas oficiais dos candidatos.

Esses números diferem dos divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que reúne as despesas declaradas pelas campanhas com a empresa e depende das informações enviadas por candidatos e partidos (o que pode ainda não incorporar gastos recentes).

Em uma das mensagens de segurança, Flávio defende pena mínima de oito anos de prisão para quem roubar celular.

O texto que acompanha o vídeo fala em tolerância zero e em devolver a paz ao trabalhador.

A Biblioteca da Meta agrupa 22 versões dessa mesma mensagem, com gasto conjunto estimado entre R$ 800 mil e R$ 900 mil.

São Paulo concentrou 32% da distribuição das 22 versões, seguido por Minas Gerais, com 15%, e Rio de Janeiro, com 13%.

Outra mensagem de Flávio pede punição a agressores e estupradores e associa o voto no candidato à segurança nas ruas. O vídeo sugere castração química como punição.

As diferentes versões do anúncio somaram gasto estimado entre R$ 150 mil e R$ 175 mil.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também aparece nos anúncios, defendendo que uma vitória de Flávio facilitaria suas ações no Estado.

Tarcísio foi eleito governador de São Paulo ainda em primeiro turno — algo que não acontecia desde a vitória de Geraldo Alckmin, então no PSDB, em 2014, por pouco mais de 57% dos votos.

Um vídeo de 32 segundos com o aliado recebeu entre R$ 800 mil e R$ 900 mil.

Nesse caso, trata-se de um único anúncio, com veiculação registrada de 22 a 24 de outubro. A distribuição foi quase inteiramente paulista: 99% ocorreu em São Paulo.

Na área da saúde, outro anúncio de Flávio promete zerar a fila do hospital público e acabar com a espera por médicos e exames.

A peça recebeu entre R$ 125 mil e R$ 150 mil. Sua distribuição foi mais dispersa: São Paulo teve 8%; Pernambuco, Minas Gerais e Santa Catarina, 7% cada.

Um anúncio da campanha de Lula acusa adversários de terem cortado recursos do Farmácia Popular e da merenda escolar quando governaram e de pretenderem reduzir novamente o orçamento.

"Ninguém corta o remédio da mãe ou a merenda do filho. Foi isso que eles fizeram", diz Lula no vídeo, em referência ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A peça registrou gasto estimado entre R$ 150 mil e R$ 175 mil, com 14% da distribuição em São Paulo e 9% na Bahia.

Em outro conjunto, comemora o fim da escala 6×1 — jornada de seis dias de trabalho para um de descanso — e o apresenta como uma conquista que dará aos trabalhadores mais tempo para a família, para descansar e cuidar de si.

Mais de 600 versões dessa mensagem foram publicadas.

Os vídeos também incluem uma mensagem sobre Ana Clara, menina de cinco anos morta em 2021 por um tiro de fuzil disparado por um policial militar em Niterói (RJ).

A campanha de Lula critica Flávio por ter defendido o acusado e questiona sua capacidade de proteger as famílias.

O impulsionamento do vídeo sobre o caso foi suspenso pelo ministro André Mendonça, do TSE, a pedido de Flávio. A decisão considerou que a peça se destinava essencialmente a desqualificar o adversário, em vez de promover a candidatura de Lula.

No debate da Band, Flávio afirmou que o exercício da advocacia não pode ser criminalizado nem o acusado condenado antes do julgamento.

A Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, tornou-se alvo de acusações de favorecimento a Flávio Bolsonaro durante a campanha.

Um dos episódios envolveu a inteligência artificial da empresa. Em testes publicados em 14 de outubro, a BBC News Brasil conseguiu gerar imagens com o nome "Flávio" e o número 22, enquanto pedidos equivalentes com "Lula" e 13 foram recusados.

Os resultados, contudo, variaram entre contas e plataformas: em outra conta no WhatsApp, a ferramenta produziu imagens para ambos.

A Meta anunciou que ampliaria as restrições para impedir também a geração de imagens com os primeiros nomes dos candidatos acompanhados dos números eleitorais.

A equipe de Lula afirmou que restrições a anúncios, falhas nas métricas e diferenças nas recomendações prejudicaram o petista. Advogados do presidente disseram que as redes da empresa estariam falhando "de forma reiterada e sistemática" em publicações do petista.

Em 16 de outubro, o TSE confirmou uma decisão que exigia tratamento igualitário às duas candidaturas. A determinação, porém, não estabeleceu que a empresa havia manipulado deliberadamente a distribuição de conteúdo.

A controvérsia também alcançou os mecanismos de recomendação, segundo o jornal Folha de São Paulo.

Mensagens internas obtidas pelo jornal mostraram funcionários discutindo restrições ao impulsionamento de publicações de Lula e recomendações do perfil de Flávio.

Segundo a reportagem, buscas pelo "Exército do Lula" no WhatsApp chegaram a apresentar o canal "Tropa do Flávio" entre os resultados.

A Meta negou favorecer Flávio Bolsonaro e afirmou que seus sistemas não distribuem conteúdo com base em ideologia política.

Em nota, reconheceu que a conta de anúncios de Lula foi desativada por engano por pouco mais de uma hora, em 23 de setembro, durante uma análise antifraude.

Atribuiu os problemas na contagem de visualizações, em 7 de outubro, e na criação de anúncios a partir de publicações do Instagram, no dia 9, a falhas globais.

Segundo a empresa, anúncios já em circulação não foram interrompidos, e a criação de novas peças por envio direto ao Gerenciador de Anúncios continuou disponível.

Sobre a inteligência artificial, a Meta afirmou que uma lacuna permitia gerar imagens com primeiros nomes comuns, como "Flávio" ou "Luiz", acompanhados dos números eleitorais, embora os nomes completos dos candidatos estivessem bloqueados. Disse ter corrigido o problema em 14 de outubro.

A empresa também declarou que cerca de 70% das medidas envolvendo as contas de Lula registradas na Justiça Eleitoral decorreram do cumprimento de ordens judiciais e sustentou que os episódios não demonstram direcionamento político nem tentativa de influenciar a eleição.

O "Exército do Lula", administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), chegou a 10 milhões de seguidores em 23 de outubro; a "Tropa do Flávio" reunia pouco mais de 2 milhões.

O canal de Janones tornou-se alvo de pedidos da campanha de Flávio ao TSE para investigar possível atuação coordenada irregular.

Em 23 de outubro, a Meta informou ao tribunal não ter identificado violações às suas políticas nas análises apresentadas.

Na mesma data, o ministro Floriano de Azevedo Marques impediu que a Presidência do TSE usasse sua competência administrativa para suspender ou restringir o canal, preservando a apuração pelos procedimentos judiciais próprios.

A "Tropa do Flávio" também foi alvo de decisão judicial.

Em 23 de outubro, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, determinou a retirada de um áudio que acusava mesários de registrar votos em nome de eleitores ausentes para favorecer Lula.

Segundo a decisão, a mensagem reproduzia uma informação falsa já desmentida pela Justiça Eleitoral. O ministro negou o pedido de suspensão integral do canal, por considerar que a medida poderia restringir conteúdos legítimos de propaganda e debate político.

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