Entenda: Com inadimplência em alta, governo aposta no ajuste fiscal para baratear o crédito rural
A estratégia foi defendida pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, que relacionou a disciplina fiscal à possibilid

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Consulte formatos e valores disponíveisO governo federal pretende usar a reorganização das contas públicas como caminho para reduzir os juros e ampliar o alcance do crédito rural a partir de 2027. A estratégia foi defendida pela ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, que relacionou a disciplina fiscal à possibilidade de diminuir o custo dos financiamentos destinados ao campo. A proposta interessa diretamente aos produtores em um momento de endividamento elevado e dificuldades para financiar novas safras, mas ainda depende de resultados econômicos e de decisões do Banco Central.
Na safra 2026/27, o governo disponibiliza R$ 141,9 bilhões em linhas de financiamento com juros equalizados para pequenos, médios e grandes produtores. Para oferecer essas condições, o Tesouro Nacional deverá gastar R$ 18,2 bilhões ao longo de vários anos, cobrindo parte da diferença entre o custo dos recursos captados pelos bancos e as taxas cobradas dos agricultores.
A conta ajuda a explicar por que o governo considera a redução dos juros uma prioridade. Quando o custo de captação dos bancos diminui, o Tesouro tende a precisar de menos recursos para subsidiar operações com taxas inferiores às praticadas no mercado. Em determinadas condições, essa economia permitiria ampliar o volume de financiamentos atendidos sem aumentar proporcionalmente as despesas públicas.
“Temos que dar essa segurança para poder fazer a redução das taxas de juros, porque nos afeta diretamente, na agricultura familiar, no agro, o quanto que temos que colocar em equalização”, afirmou Machiaveli, em entrevista divulgada neste fim de semana.
O objetivo, segundo a ministra, é estabelecer uma trajetória de queda da taxa básica de juros, a Selic, que permita oferecer condições melhores especialmente à agricultura familiar e aos médios produtores. A redução, entretanto, não depende exclusivamente da vontade do governo. A Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, considerando principalmente as perspectivas de inflação e as condições da economia.
Atualmente, a taxa básica está em 13,75% ao ano. Esse patamar influencia o custo do dinheiro para bancos, empresas e produtores rurais, embora as taxas efetivamente cobradas nos financiamentos agrícolas dependam das regras de cada programa, da origem dos recursos e das condições de contratação.
A dificuldade é que o setor já enfrenta uma situação financeira delicada. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência superior a 90 dias nas operações de crédito rural contratadas por pessoas físicas alcançou 9,69% em agosto, ante 5,23% no mesmo mês de 2025. O crescimento indica que uma parcela cada vez maior dos agricultores enfrenta dificuldades para pagar compromissos assumidos em safras anteriores.
Nesse cenário, juros menores poderiam aliviar o custo de novos financiamentos e melhorar as condições de renegociação de dívidas, conforme as regras aplicáveis. A redução da Selic, contudo, não altera automaticamente as taxas de contratos já firmados, especialmente aqueles com juros prefixados.
O desafio também envolve a execução do Plano Safra. Embora os recursos anunciados sejam elevados, produtores e cooperativas dependem da efetiva liberação dos financiamentos pelos bancos, dos limites disponíveis e das condições de acesso. O custo do crédito tem peso decisivo na escolha de tecnologias, na aquisição de insumos e na capacidade de investir em máquinas, irrigação e armazenagem.
A proposta de disciplina fiscal ganha relevância porque o governo prepara medidas para conter o crescimento das despesas e melhorar a trajetória da dívida pública. A equipe econômica estuda mudanças nas regras de controle orçamentário, mas ainda não apresentou um pacote definitivo. Parte das iniciativas poderá depender de aprovação do Congresso Nacional.
A relação entre ajuste fiscal e crédito rural, porém, exige equilíbrio. A melhora das contas públicas pode contribuir para reduzir pressões sobre os juros, mas cortes em programas de seguro rural, pesquisa, infraestrutura e apoio à comercialização também poderiam prejudicar a atividade produtiva. O resultado dependerá de quais despesas serão revistas e da capacidade de preservar instrumentos essenciais à agricultura.
Na entrevista, Machiaveli também defendeu a retomada do diálogo entre o governo e as entidades representativas do agronegócio. Segundo ela, o vice-presidente Geraldo Alckmin participa desse esforço de aproximação, que deverá envolver negociações com o Congresso e organizações do setor.
A ministra reconheceu que a relação política permanece marcada por divergências, mas argumentou que as decisões econômicas precisam considerar a importância do agronegócio para a produção, o abastecimento e as exportações brasileiras. Ela citou medidas de garantia de preços mínimos e apoio à comercialização de produtos como laranja, leite, pêssego e borracha natural.
Na opinião de Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), há coerência na fala da ministra, mas é preciso ir do discurso à prática. “A ministra está correta ao relacionar o equilíbrio das contas públicas à possibilidade de reduzir os juros. O problema é que o produtor rural precisa de resultados, não apenas de uma perspectiva de melhora. Estamos falando de uma atividade que exige investimentos elevados antes de gerar receita e que já enfrenta dificuldades para pagar financiamentos anteriores. A disciplina fiscal é necessária, mas precisa se traduzir em crédito mais barato, maior previsibilidade e condições reais para que o agricultor continue produzindo.”
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“Também considero importante a disposição do governo de restabelecer o diálogo com o agronegócio. O setor não pode ficar condicionado a disputas políticas, porque sua atividade envolve produção de alimentos, empregos, exportações e desenvolvimento econômico. Esse diálogo, entretanto, precisa resultar em compromissos concretos com o crédito rural, o seguro agrícola, a infraestrutura e a segurança jurídica. O produtor precisa saber que terá condições de financiar a próxima safra, enfrentar os riscos climáticos e comercializar sua produção com rentabilidade. É isso que deve orientar a relação entre o governo e o campo.”
Para o produtor, entretanto, a principal expectativa está nos resultados práticos da política econômica. A redução dos juros poderá melhorar o acesso ao financiamento e diminuir o custo das próximas safras, mas não resolverá isoladamente os problemas de endividamento, preços agrícolas e riscos climáticos.
O teste da estratégia anunciada será verificar se o governo conseguirá combinar maior controle das contas públicas com condições de financiamento efetivamente melhores para o campo. Até agora, não houve anúncio de novas taxas para o crédito rural nem definição de quando uma eventual redução da Selic chegará aos financiamentos agrícolas.
Salvador, capital da Bahia, recebe de quinta-feira (12.11) a sábado (14) a oitava edição da e-Agro, feira voltada à inovação, tecnologia e geração de negócios para o agronegócio. Realizado no Centro de Convenções da capital baiana, o evento reunirá produtores rurais, empresas, instituições e compradores internacionais, com destaque para oportunidades de comercialização de frutas frescas e derivados. A entrada será gratuita.
Com o tema “Agro, orgulho da Bahia”, a feira busca aproximar o campo da cidade e apresentar a diversidade da produção agropecuária do Estado. A programação inclui palestras, capacitações técnicas, exposição de tecnologias, encontros empresariais e atividades voltadas à valorização dos produtos regionais. Segundo a organização, todos os espaços destinados aos expositores já foram comercializados.
Um dos principais destaques será o Projeto Comprador, iniciativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que promoverá rodadas internacionais de negócios voltadas ao setor de frutas frescas e derivados. A proposta é aproximar produtores e empresas brasileiras de potenciais importadores, criando oportunidades para ampliar as exportações e diversificar os mercados atendidos pelo agronegócio baiano.
A iniciativa ganha importância em um Estado que reúne diferentes polos de produção agrícola. No Vale do São Francisco, a fruticultura irrigada tem forte presença nos mercados externos, especialmente com manga e uva. Já em outras regiões, a produção de cacau, café, grãos, fibras e produtos da pecuária contribui para a diversificação da economia rural.
Para os produtores, a aproximação com compradores internacionais representa uma oportunidade de conhecer exigências comerciais, padrões de qualidade, condições de fornecimento e demandas de novos mercados. O acesso a esses canais, entretanto, depende de fatores como regularidade da produção, rastreabilidade, certificações e estrutura logística.
A tecnologia também terá espaço na programação. Empresas e instituições apresentarão soluções voltadas à modernização das propriedades, ao uso mais eficiente dos recursos e à melhoria da gestão rural. As atividades de capacitação buscarão aproximar os participantes de ferramentas que possam contribuir para reduzir custos e elevar a produtividade.
Na pecuária, a Vila da Pecuária será um dos espaços destinados à apresentação de atividades e oportunidades ligadas à cadeia produtiva. O setor enfrenta desafios relacionados à alimentação animal, sanidade, melhoramento genético e eficiência dos sistemas de produção, temas que ampliam a importância do acesso à informação técnica e às novas tecnologias.
U92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e,.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.postImageUrl,.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.centered-text-area { min-height: 80px; position: relative; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e,.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e:hover,.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e:visited,.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e:active { border:0!important; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.clearfix:after { content: ""; display: table; clear: both; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e { display: block; transition: background-color 250ms; webkit-transition: background-color 250ms; width: 100%; opacity: 1; transition: opacity 250ms; webkit-transition: opacity 250ms; background-color: #7F8C8D; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e:active,.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e:hover { opacity: 1; transition: opacity 250ms; webkit-transition: opacity 250ms; background-color: #000000; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.centered-text-area { width: 100%; position: relative; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.ctaText { border-bottom: 0 solid #fff; color: #FFFFFF; font-size: 16px; font-weight: bold; margin: 0; padding: 0; text-decoration: underline; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.postTitle { color: #FFFFFF; font-size: 16px; font-weight: 600; margin: 0; padding: 0; width: 100%; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.ctaButton { background-color: #95A5A6!important; color: #FFFFFF; border: none; border-radius: 3px; box-shadow: none; font-size: 14px; font-weight: bold; line-height: 26px; moz-border-radius: 3px; text-align: center; text-decoration: none; text-shadow: none; width: 80px; min-height: 80px; background: url(https://portalmatogrosso.com.br/wp-content/plugins/intelly-related-posts/assets/images/simple-arrow.png)no-repeat; position: absolute; right: 0; top: 0; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e:hover.ctaButton { background-color: #141414!important; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.centered-text { display: table; height: 80px; padding-left: 18px; top: 0; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e-content { display: table-cell; margin: 0; padding: 0; padding-right: 108px; position: relative; vertical-align: middle; width: 100%; }.u92d60a304756af2d0d32623b6ce2096e:after { content: ""; display: block; clear: both; } Leia mais: Produção de banana movimenta R$ 16,4 bilhões e está sob ameaça A realização da e-Agro em Salvador também tem como objetivo aproximar os consumidores urbanos da realidade do campo. Além da exposição de produtos e serviços, a feira contará com gastronomia regional, apresentações musicais e atividades culturais, permitindo ao público conhecer parte da produção agropecuária baiana e sua participação na economia estadual.
A programação será aberta ao público na quinta-feira, às 13h, enquanto a cerimônia oficial de abertura está prevista para as 18h, na plenária principal. Na quinta e na sexta-feira, o evento funcionará das 13h às 22h. No sábado, as atividades ocorrerão das 11h às 20h.
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