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a Assembleia Legislativa — Sergio Moro terá um vizinho incômodo

Só abrir a janela: Assembleia Legislativa O governador eleito, Sergio Moro, ensaia uma guerra contra o passado, mas poderá descobrir que governar o Paraná exige

Por Redatores da Empire Cidades 8 de novembro de 2026 às 15:30
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a Assembleia Legislativa — Sergio Moro terá um vizinho incômodo
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O governador eleito, Sergio Moro, ensaia uma guerra contra o passado, mas poderá descobrir que governar o Paraná exige muito mais do que retaliações

A eleição de Sergio Moro ao Governo do Paraná só não ganhou contornos de espetáculo pirotécnico porque Luiz Inácio Lula da Silva, com quatro décadas de protagonismo na política brasileira e reconhecimento internacional, roubou a cena ao conquistar novamente a Presidência da República. O brilho da vitória de Moro acabou ofuscado por um personagem que ele transformou, ao longo dos últimos anos, em seu principal adversário político.

Os primeiros sinais já apareceram com a digital de Moro, após primeira reunião das equipes de transição dos dois lados. As que entram e as que saem. A equipe do governador eleito ensaia um discurso de austeridade, responsabilidade fiscal e revisão das promessas deixadas pelo governo Ratinho Junior.

É uma acusação politicamente pesada, que exige provas. E todo gestor público, com experiência ou não, deve saber que entre uma obra prometida e uma obra impossível existe uma distância que não se mede com discursos, mas com contratos, projetos, recursos e responsabilidade pública.

Em recados sutis nas redes sociais, Moro parece disposto a colocar a boca no trombone. Quer, sempre, protagonismo, com ou sem razões.

Mas, Ratinho Junior, depois de oito anos no comando do Estado, poderá retornar às suas atividades empresariais. Darci Piana também tem um universo próprio fora do Palácio Iguaçu. E boa parte do secretariado que acompanhou o atual governador não depende da política para sobreviver.

Em outras palavras, o eventual bombardeio contra a administração que se despede poderá produzir muito barulho e poucos estragos políticos. Os antigos ocupantes do poder seguirão suas vidas, enquanto Moro terá de administrar as consequências de cada palavra pronunciada.

E há um detalhe que talvez esteja escapando aos estrategistas do governador eleito: depois da posse, a população não estará mais interessada em saber quem prometeu uma ponte que não foi construída. Vai querer saber quando a ponte será entregue.

No universo empresarial, as dificuldades também começam a aparecer. Edson Vasconcelos poderá exercer influência a partir da Federação das Indústrias do Paraná, mas isso não significa possuir o comando do G7, grupo que reúne importantes entidades representativas do setor produtivo e onde existem interesses, divergências e resistências.

Uma alternativa de aproximação poderá surgir pelo agronegócio, especialmente se prosperarem as conversas com Pedro Lupion e Ágide Meneguette. Mas o campo tem seus próprios interesses, suas lideranças e uma musculatura econômica que não depende de bênçãos palacianas.

Se Moro imagina que os maiores obstáculos estarão nos gabinetes que deixará para trás, talvez devesse olhar pela janela do Palácio Iguaçu. O verdadeiro teste de resistência estará no prédio ao lado, na Assembleia Legislativa.

Ali, o governador eleito poderá até construir uma base numericamente expressiva. Mas quantidade de deputados não significa, necessariamente, fidelidade política. O PSD continuará com seus interesses, outras legendas preservarão suas agendas e a oposição terá motivos de sobra para fiscalizar cada movimento do novo governo. Lembramos que Moro tem um inimigo declarado: o PT.

Na Assembleia, Moro encontrará uma realidade bastante diferente daquela que conheceu nos tribunais. Não bastará levantar a voz, apontar responsabilidades ou invocar a autoridade conquistada nas urnas. Será necessário conversar, ceder, negociar e, sobretudo, compreender que o Legislativo não é uma extensão do gabinete do governador. E Moro parece não ter este perfil.

A decisão de importar dois nomes para o secretariado, um do Rio Grande do Sul e outro de Goiás (embora esta seja paranaense), já provoca questionamentos nos meios políticos e técnicos, especialmente nas áreas da educação e da economia.

Não se trata de defender uma reserva de mercado para paranaenses. Competência não tem certidão de nascimento. Mas governar um Estado com a complexidade econômica, social e regional do Paraná exige conhecimento de suas particularidades e capacidade de construir pontes com quem vive essa realidade.

E são justamente essas pontes que começam a preocupar.

Nos bastidores, interlocutores políticos identificam sinais de futuros confrontos. Há interesses contrariados, lideranças desconfiadas e grupos que não pretendem entregar ao novo governador um cheque em branco apenas porque ele saiu vitorioso das urnas.

Moro terá legitimidade eleitoral para governar. Mas precisará conquistar, todos os dias, a legitimidade política necessária para fazer o governo funcionar.

O Paraná não precisa de uma guerra permanente entre o governo que sai e o governo que chega. Precisa de continuidade naquilo que funciona, correção daquilo que está errado e coragem para enfrentar problemas que não desaparecem com entrevistas ou declarações de efeito.

Se existem obras fictícias, promessas inexequíveis ou compromissos sem cobertura financeira, que sejam apresentados os documentos. A transparência será bem-vinda. O espetáculo, dispensável.

Sergio Moro está prestes a descobrir que a cadeira de governador é muito diferente da cadeira de juiz. Nela, não basta identificar culpados, construir acusações ou conquistar manchetes. É preciso entregar resultados.

O maior adversário de Moro talvez não seja Lula, Ratinho Junior, o PSD ou a oposição na Assembleia Legislativa. Poderá ser a própria expectativa que criou em torno de si.

Porque o eleitor pode até aplaudir o político que toca o trombone contra os adversários. Mas, quando a música termina, quer escola funcionando, hospital atendendo, estrada conservada e dinheiro público bem administrado.

E, no Palácio Iguaçu, diferentemente de um palanque eleitoral, não existe aplauso capaz de substituir uma obra entregue.

#Política#Governo
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