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Entenda: "Cancelamentos" duram menos e deixaram de ser sentença, dizem especialistas

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 05:00
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Entenda: "Cancelamentos" duram menos e deixaram de ser sentença, dizem especialistas
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Os dois casos de cancelamento ocorreram com cinco anos de diferença, período em que as redes sociais passaram por grandes transformações. Se, por um lado, as mobilizações coletivas contra influenciadores e artistas se tornaram mais comuns, por outro, esses episódios tendem a ser cada vez mais passageiros e causar menos danos, como apontam especialistas.

“Isso não significa que o cancelamento perdeu força, mas que ele passou a operar de maneira mais fragmentada, acelerada e diretamente articulada a perfis de fofoca, influenciadores, fandoms [fã-clubes] e outros agentes que transformam controvérsia em engajamento”, explica Carol Govari, doutora em comunicação que se debruçou na pesquisa sobre o tema.

Apesar das críticas e do acordo firmado com o MPT para tirar do ar o reality show As Patroas, no qual empregados domésticos competiam por dinheiro e folgas, Viih Tube e Eliezer não sofreram perdas mais expressivas. O cenário contrasta com o de alguns anos atrás, quando o cancelamento era quase uma sentença de perda de contratos, emprego, credibilidade, seguidores e, consequentemente, dinheiro.

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“Talvez esteja enfraquecida a ideia de cancelamento como uma sentença definitiva, capaz de apagar uma pessoa da vida pública, mas continuam muito presentes as disputas de reputação, os julgamentos coletivos, a intimidação e a pressão pública”, menciona Govari.

Em 2019, o termo “cultura cancelamento” foi eleito expressão do ano pelo dicionário australiano Macquarie. Já em 2020, uma pesquisa da YouGov nos Estados Unidos mostrou que 50% dos entrevistados disseram já ter “cancelado” alguém.

Maiara Orlandini, doutora em comunicação que estuda o fenômeno, reconhece que a prática se tornou mais comum, acompanhando as mudanças na relação da sociedade com a internet e o crescimento do número de influenciadores. Desde 2022, por exemplo, é possível obter uma conta verificada no X mediante pagamento. No ano seguinte, o Instagram adotou o mesmo modelo. Antes, a certificação era reservada a figuras públicas.

“No começo dos anos 2000 a gente não tinha tanto esse fenômeno, não eram muitas pessoas que tinham uma influência digital”, menciona Orlandini. “Antes, a gente tinha que fazer uma separação entre mobilizações políticas digitais e mobilizações políticas offline, como se fossem dois mundos separados, porque a sociedade ela não era tão conectada.”

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Em 2025, 90,5% dos brasileiros com 10 anos ou mais usaram a internet, o equivalente a 168,7 milhões de pessoas, segundo o IBGE. O percentual representa um recorde na série histórica. Apesar de o país estar mais conectado do que nunca, a percepção de que os linchamentos virtuais perderam intensidade pode estar relacionada a outros fatores.

Um deles é a mudança na relação dos internautas com os dispositivos digitais. Durante a pandemia de Covid-19, o tempo diário de exposição dos brasileiros às telas passou de 6,5 para 10,5 horas, segundo pesquisa de 2020 da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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