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Em destaque: Vitrine de Flávio na segurança é baseada no Smart Sampa, que tem brechas

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 14:12
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Em destaque: Vitrine de Flávio na segurança é baseada no Smart Sampa, que tem brechas
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o senador Flávio Bolsonaro Imagem: Gildson de Souza/Prefeitura de SP O principal programa de segurança proposto pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) é uma versão nacional do Smart Sampa, o sistema de vigilância da cidade de São Paulo que, conforme o UOL mostrou, possui uma falha que permite acesso de pessoas não autorizadas.

O candidato defendeu a criação do Smart Brasil no debate da Band deste domingo, quando prometeu integrar câmeras e bancos de dados no país para localizar suspeitos. O programa de vigilância também apareceu em peças do horário eleitoral gratuito.

A reportagem do UOL identificou informações expostas na internet que permitiam acessar imagens de câmeras, inclusive em creches e unidades de saúde, além de dados de mais de 6 mil agentes de segurança. Em contas verificadas, a matrícula do agente também funcionava como senha, sem exigência de autenticação em duas etapas no acesso realizado.

A tecnologia utilizada no Smart Sampa permite integrar equipamentos públicos e privados, comparar rostos com imagens de de procurados e desaparecidos e identificar veículos por suas placas.

"Eu vou usar tecnologia, eu vou usar inteligência artificial, eu vou criar o Smart Brasil", afirmou Flávio no debate. Na sequência, citou o Smart Sampa como referência.

O candidato propôs instalar mais de 1 milhão de câmeras em parceria com estados e municípios. Como exemplo, descreveu a possibilidade de rastrear em Brasília um agressor de mulheres que tenha cometido um crime no Rio de Janeiro.

Em setembro, Flávio e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) gravaram um vídeo sobre o Smart Brasil. Antes, o projeto era nomeado Muralha Brasileira, fazendo referência ao Muralha Paulista, programa do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O modelo escolhido como vitrine apresenta fragilidades nos controles de acesso. O UOL encontrou um repositório público com informações da plataforma, credenciais de usuários e dados de agentes de segurança. Com as informações, foi possível montar uma interface para consultar imagens e registros do programa.

Em um teste presencial realizado em 7 de outubro, a reportagem acompanhou e gravou a própria imagem em oito câmeras de totens privados conveniados ao Smart Sampa, na alameda Barão de Limeira, nos Campos Elíseos, centro de São Paulo.

Também foi possível visualizar câmeras em creches, unidades de saúde e locais de atendimento a dependentes químicos. Na plataforma da Sentinelx, fornecedora da tecnologia, havia a possibilidade de pesquisar nomes, CPFs e placas de veículos.

Para Rafael Alcadipani, professor da FGV e especialista em segurança pública, a exposição cria o risco de inverter a finalidade da ferramenta. "Você pega uma estrutura, que é uma estrutura que o Estado tem para enfrentar o crime, e que possivelmente pode ser utilizada no crime para enfrentar o Estado", afirma.

As fragilidades de acesso se somam a limitações na fiscalização do reconhecimento facial. Em resposta a um pedido do UOL pela Lei de Acesso à Informação, a Prefeitura de São Paulo informou não ter acesso ao código-fonte, aos modelos de inteligência artificial nem às bases utilizadas pela contratada para treinar os algoritmos. Também declarou não haver auditorias independentes dos modelos.

Relatórios municipais registram alertas equivocados ou baseados em informações desatualizadas. Entre 21 de novembro de 2024 e 23 de maio de 2026, houve 268 conduções a delegacias seguidas de liberação: 181 por mandados sem baixa no cadastro, 75 por inconsistências no reconhecimento facial e 12 por problemas cadastrais.

Um dos episódios ocorreu com um entregador que acompanhava a companheira grávida numa consulta de pré-natal na UBS Gleba do Pêssego, em janeiro de 2026. O sistema apontou 97% de similaridade entre seu rosto e o de um homem condenado por tráfico de drogas em Campinas.

Guardas-civis conferiram seus documentos e o liberaram. Poucos minutos depois, policiais militares fizeram uma segunda abordagem pelo mesmo alerta. Henrique não foi levado à delegacia, mas relatou humilhação pública. A Justiça reconheceu a falha e condenou a Prefeitura e o Estado a pagar, conjuntamente, R$ 10 mil por danos morais.

Pedro Saliba, pesquisador do Data Privacy, questiona a necessidade de conectar ambientes como escolas, creches e serviços de saúde mental a uma rede dessa dimensão. "É um risco adequado você expor crianças e adolescentes a esse tipo de situação?", pergunta. Segundo ele, a integração crescente de câmeras amplia os riscos e exige controles de proteção.

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.

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