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Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 16:20
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Walker Scobell é o astro de Percy Jackson; Disney colocou série na Netflix para aumentar visibilidade

Na segunda-feira (19), a Globo anunciou um acordo de licenciamento de seu conteúdo para a Netflix, que passará a disponibilizar o filme Ainda Estou Aqui (2024), a comédia Vai que Cola e a novela Caminho das Índias (2009) para diferentes mercados. A negociação vem à tona duas semanas depois de a Disney colocar as duas primeiras temporadas da série Percy Jackson e os Olimpianos no catálogo da rival. Atores de produções feitas para streamings menores também torcem para que elas cheguem à Netflix. Mas por que estar na plataforma é tão interessante?

Os motivos variam caso a caso --para a Globo, por exemplo, vender suas obras é uma maneira "fácil" de faturar com direitos de exibição num momento em que os custos de produção audiovisual estão cada vez mais altos.

Vender a saga de Maya (Juliana Paes) para que o streaming a disponibilize no mercado internacional não passa de uma versão atualizada da época em que a emissora negociava suas novelas para TVs de todo o planeta --segundo dados da Globo, Avenida Brasil (2012) foi comercializada para 148 países, e a própria Caminho das Índias já chegou a 117 territórios diferentes.

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Para a Disney, a estratégia é clara: Percy Jackson ganha na Netflix uma vitrine extra para atrair mais espectadores para a terceira temporada, que estreia em 20 de novembro --não é à toa que a série ficará disponível durante apenas três meses no catálogo da rival.

A ideia é que os clientes da líder do mercado vejam os episódios iniciais da adaptação e se interessem pelo conteúdo a ponto de querer assinar o Disney+ para conferir a nova leva, exclusiva da plataforma do Mickey.

E o holofote proporcionado pela Netflix é inegável: a série canadense Schitt's Creek (2015-2020), exibida nos Estados Unidos pelo canal nanico Pop, só foi descoberta pelos votantes do Emmy em sua quarta temporada --justamente quando foi adicionada ao streaming. No ano seguinte, se tornou a primeira comédia a vencer as sete categorias principais da premiação (série, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro e direção).

Jordi Webber em Spartacus; ator vê chance de renovação na Netflix

Para os atores, a situação é curiosa. A abundância de plataformas que existem atualmente abriu muitas portas para projetos que não teriam chance antes do streaming --mas também diminuiu a relevância de cada série, já que é humanamente impossível assistir a todos os lançamentos.

A atriz Elizabeth McGovern, indicada ao Emmy e ao Globo de Ouro por seu trabalho em Downton Abbey (2010-2015), viveu os dois momentos bem de perto. O premiado drama histórico estreou antes do boom das plataformas e ganhou o público mundial --mesmo sendo exibido nos EUA pela rede pública PBS, uma espécie de TV Cultura dos Estados Unidos.

Já Talamasca: A Ordem Secreta, inspirada na obra da autora Anne Rice (1941-2021) e situada no mesmo universo de Entrevista com o Vampiro, foi lançada pelo AMC+, streaming pouco expressivo. Em entrevista ao Notícias da TV , ela admitiu que passou a ser mais abordada pelo público só depois de a série entrar na Netflix em um acordo de licenciamento. "Nunca tinha vivido uma situação tão curiosa", confessou a artista.

Para Jordi Webber, astro de Spartacus: House of Ashur (2025), a Netflix seria muito mais do que um holofote; virou esperança. A série, produzida pelo canal Starz, foi cancelada depois de uma temporada por baixa audiência. "Surgiram rumores de que ela poderia ser licenciada para a Netflix e, se tivesse um bom público lá, encomendariam novos episódios. Estamos na expectativa", falou ele com exclusividade à reportagem durante a convenção Power Morphicon.

Webber questionou onde a produção era exibida no Brasil e, ao escutar que ela era uma atração do streaming MGM+, foi sincero (até demais). "Acho que as pessoas nunca nem ouviram falar disso, como é que vão assistir? Você precisa estar na Netflix para ser visto", disse ele, que chegou a protagonizar a comédia romântica As Escolhas do Amor (2023) na plataforma do Tudum.

O ator deixou claro que seu interesse para ter Spartacus na Netflix era exclusivamente para que a série alcançasse um público maior e, assim, talvez ganhasse novas temporadas. Financeiramente, a venda da atração para a plataforma não mudaria nada em sua vida. "Como sou neozelandês e trabalhei fora do SAG-AFTRA [o sindicato norte-americano dos atores], não ganho nem um centavo a mais com pagamentos residuais ou direitos de imagem."

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LUCIANO GUARALDO é apaixonado por televisão desde criança. Roteirista frustrado, foi repórter na Rede Bom Dia entre 2008 e 2011 e editor no Diário de São Paulo de 2011 a 2017. É editor-chefe do Notícias da TV. Clique e leia todos os textos do Luciano

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