Em destaque: Protestos contra custo de vida chegam a seis países na Europa e têm centenas de presos
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Consulte formatos e valores disponíveisProtestos contra custo de vida chegam a seis países na Europa e têm centenas de presos Países como França, Itália, Bélgica, Albânia e Portugal registraram manifestações nos últimos dias; movimentos uniram estudantes, sindicatos e aposentados nas ruas Policiais tentam conter manifestantes durante protesto em Tirana, capital da Albânia. (Armend Nimani/AFP)
Publicado em 19 de outubro de 2026 às 14h26 .
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + França, Itália, Bélgica, Portugal, Espanha e Albânia registraram nos últimos dias uma onda de protestos na Europa contra o custo de vida, a inflação e cortes ou falhas nos serviços públicos. Na França, os confrontos deixaram cerca de 2.400 presos e mil agentes de segurança feridos, enquanto governos do continente ampliam os gastos com defesa.
A Europa vive uma onda de manifestações contra a alta dos custos de vida e contra a baixa qualidade dos serviços públicos no continente, em meio à disparada da inflação. Países como França, Itália, Albânia, Bélgica, Portugal e Espanha tiveram registros de protestos, nos últimos dias, especialmente durante o fim de semana.
Os atos populares tiveram estopins diferentes em cada país, mas conseguiram unir nas ruas estudantes, representantes de sindicatos e pensionistas.
À EXAME, o professor de Relações Internacionais da USP e especialista em União Europeia, Kai Enno Lehmann, afirma que há uma 'insatisfação enorme em grandes partes da Europa, especificamente sobre a percepção de que a vida está piorando não só a classe trabalhadora, mas para a classe média'.
As manifestações em Paris se intensificaram no sábado e no domingo, com registros de violência, depredação e confrontos em cidades como Paris, Marselha, Lyon e Nantes.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, anunciou nesta segunda-feira, 19, um toque de recolher em vários pontos do país, em meio à pressão cada vez maior contra o governo, que tenta combater a confusão e os saques em lojas. A bolsa de Paris abriu em baixa neste início de semana após dois dias marcados por violência e incerteza nas ruas.
Os protestos terminaram com cerca de 2.400 pessoas presas e mais ou menos mil policiais e agentes de segurança feridos. Mais de dois mil comércios registraram algum tipo de dano.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, admitiu que forças de segurança perderam o controle em algumas cidades e que o contingente policial foi insuficiente diante da violência, segundo a agência EFE.
O presidente Emmanuel Macron reconheceu "falhas" na gestão policial dos distúrbios e pediu "novos modos operacionais" para "acabar com os fenômenos de barricadas e saques". Mesmo assim, no domingo, ele rejeitou a renúncia do ministro do Interior.
A agitação social acontece a seis meses das eleições na França, na qual Macron não poderá ser candidato. O governo, agora, é criticado por não ter antecipado o risco de confrontos nas ruas e de não responder às reivindicações dos grupos.
A insatisfação favorece a extrema-direita nas urnas do ano que vem, particularmente Marine Le Pen, diz Kai Enno Lehmann. 'Por mais que essa violência tenha sido resultado de uma minoria das manifestantes, isso ajuda ela em termos da sua mensagem econômica, em termos da sua mensagem política: 'nós temos que acabar com esse sistema, nós temos que tirar o sistema antigo'.
Os protestos na França começaram com estudantes se posicionando contra cortes no sistema de educação, em meio a uma baixa na qualidade do ensino e infraestrutura precária nas escolas. O movimento se expandiu e passou a englobar a insatisfação contra a alta nos custos de vida e mais cortes em serviços públicos.
Protestos contra alta no custo de vida da França terminaram com depredação e incêndios, nas ruas de Paris | Matthieu Rondel - AFP
A onda que começou na França chegou a outros países da Europa. Na Itália, a primeira-ministra, Giorgia Meloni, se reuniu nesta segunda-feira, 19, com ministros para analisar a situação depois de manifestações em Milão, a capital econômica, no fim de semana. Há registros também em Turim e Bolonha.
Os italianos também protestam contra o aumento de custos como aluguel, alimentos e energia. Em Milão, 160 pessoas foram presas, segundo a imprensa local. Muitos são menores de idade.
A insatisfação popular também chegou ao sul do país, onde representantes do setor de transporte protestaram contra o aumento no preço dos combustíveis. Caminhoneiros bloquearam rodovias importantes, como a que liga Milão a Nápoles, causando quilômetros de congestionamento
O preço médio do combustível nas estradas italianas foi de 2,297 euros por litro de diesel e 2, 048 euros por litro de gasolina nesta segunda-feira, 13, segundo dados do Ministério das Empresas, apesar das tentativas do governo conter o aumento.
Na Bélgica, 200 pessoas acabaram presas em manifestações no sábado, 17. O movimento é contra cortes no governo na educação e na segurança. Houve confronto entre manifestantes e policiais, segundo autoridades locais.
Portugal foi palco de acampamentos de jovens que protestam contra o custo de vida, especialmente moradia. Os jovens lideraram o ato e acusam o governo conservador de Luís Montenegro de favorecer os interesses de empresários do ramo imobiliário, ao invés das necessidades da população.
Os manifestantes montaram tendas na Praça do Rossio, em Lisboa, uma das mais importantes da capital portuguesa. O movimento em Portugal espelha o que aconteceu na Espanha, onde a população foi às ruas protestar contra o aumento no preço dos aluguéis.
Manifestantes acampam em Lisboa para protestar contra a alta do custo de vida, em Portugal (Patrícia de Melo Moreira/AFP)
As manifestações tiveram o estopim no despejo de uma idosa de 87 anos, que não conseguia mais arcar com os custos de moradia. Maricarmen Abascal morreu no início deste mês após se tornar uma das grandes vozes do movimento.
A onda de protestos saiu da Europa ocidental e chegou aos Bálcãs. A Albânia registrou confrontos entre policiais e manifestantes, além de incêndios, após centenas de pessoas irem às ruas reivindicar custos de vida mais baixos. A Comissão Europeia condenou o uso da violência e disse que a liberdade de expressão deve ser exercida de forma pacífica.
A Albânia, que não faz parte da UE, é um dos países mais pobres da região.
Ao mesmo tempo em que há um desgaste do modelo europeu do bem-estar social, há um aumento nos gastos com defesa por parte das lideranças do continente, que ao leste vive uma guerra Rússia e Ucrânia.
Projeções da União Europeia apontam que os gastos nessa área alcançarão € 454 bilhões em 2026, o que equivalerá a 2,4% do PIB do bloco. O novo Plano de Investimento em Defesa, acordado em Haia, compromete os países aliados a investir 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em defesa e segurança até o ano de 2035.
O professor de Relações Internacionais da USP e especialista em União Europeia, Kai Enno Lehmann, afirma que a tendência é de aumento das despesas militares. 'Os gastos de defesa vão ter que aumentar, independentemente de Donald Trump, independentemente de qualquer governo que seja, porque os perigos estão aumentando', diz ele.
'Uma alternativa seria mudar o sistema de impostos para taxar mais de empresas e das pessoas mais ricas, milionários, bilionários, etc., e isso não está acontecendo', afirma Lehmann.
Os manifestantes protestam contra a alta dos custos de vida e a baixa qualidade dos serviços públicos, embora os estopins variem entre os países. Segundo Kai Enno Lehmann, professor de Relações Internacionais da USP, existe uma percepção de piora das condições de vida entre a classe trabalhadora e a classe média.
Os protestos na França tiveram confrontos, saques e depredações em cidades como Paris, Marselha, Lyon e Nantes. Cerca de 2.400 pessoas foram presas, aproximadamente mil policiais e agentes de segurança ficaram feridos e mais de dois mil comércios sofreram danos.
O primeiro-ministro Sébastien Lecornu anunciou nesta segunda-feira, 19, um toque de recolher em vários pontos da França. O presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas na gestão policial e pediu novos modos operacionais contra barricadas e saques, mas rejeitou a renúncia do ministro do Interior, Laurent Nuñez.
França, Itália, Bélgica, Portugal, Espanha e Albânia registraram protestos nos últimos dias. As reivindicações incluem redução dos custos de moradia, alimentos, energia e combustíveis, além da oposição a cortes em educação e segurança.
Em Portugal, jovens acamparam na Praça do Rossio, em Lisboa, contra o custo da moradia e acusaram o governo de Luís Montenegro de favorecer empresários do setor imobiliário. Na Espanha, o movimento contra os aluguéis ganhou força após o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, que não conseguia mais pagar os custos da moradia.
Projeções da União Europeia, bloco político e econômico europeu, apontam que os gastos com defesa alcançarão € 454 bilhões em 2026, equivalentes a 2,4% do PIB do bloco. Segundo Kai Enno Lehmann, a tendência é de aumento das despesas militares diante do avanço dos riscos de segurança.
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