Em destaque: Israel tem comparecimento recorde em eleição que coloca Netanyahu à prova
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Consulte formatos e valores disponíveisOs israelenses compareceram às urnas nesta terça-feira em número recorde para julgar, em tempo de guerra, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no que alguns descreveram como a eleição mais importante da história do país.
Longas filas se formaram do lado de fora dos locais de votação na primeira eleição desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, enquanto os eleitores lidavam com o trauma do dia mais sangrento da história recente de Israel e das guerras que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã.
A Comissão Eleitoral Central informou que a participação eleitoral chegou a 74,3%, a taxa mais alta para esta fase da votação desde 1988. As urnas fechariam às 22h em Israel (17h no horário de Brasília).
As políticas da coalizão de direita de Netanyahu têm gerado divisões no país e ampliado o isolamento internacional de Israel. Mas ele se apresenta como o único líder com coragem para enfrentar os inimigos do país.
O mandatário dos EUA vem associando a reeleição do premiê israelense à retomada da guerra contra o Irã, que os dois países deflagraram em fevereiro
Nesta primeira eleição desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, os eleitores estão profundamente envolvidos com o trauma do dia mais sangrento do país e com as guerras que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã
Netanyahu, o primeiro-ministro mais longevo da história de Israel, com 19 anos no cargo, é um sobrevivente político sem igual, e sua política nacionalista está cada vez mais arraigada. O sistema fragmentado do país dificulta que um grupo de opositores consiga derrubar sua coalizão de partidos de direita, extrema direita e ultraortodoxos.
Seu principal rival, Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e defensor de uma linha dura em questões de segurança, pretende tirá-lo do poder com o apoio de partidos de direita e de centro, além do que resta de uma esquerda cada vez mais marginalizada. As pesquisas mostram uma disputa acirrada, sem garantir a nenhum dos dois um caminho fácil para formar governo.
Os analistas hesitam em prever qual impacto a alta participação eleitoral poderá ter sobre o resultado. Um aumento dos votos de israelenses de origem palestina poderia limitar os ganhos da coalizão de direita de Netanyahu e tornar mais provável que qualquer governo formado para afastá-lo do poder precisasse do apoio de partidos árabes, perspectiva vista como controversa por lideranças dos partidos judeus.
Netanyahu exortou seus apoiadores a comparecerem às urnas para contrabalançar a alta participação entre seus oponentes de esquerda e entre os árabes israelenses.
“Todos vocês precisam ir em massa às urnas”, disse ele. “Este é um momento decisivo.”
Osama Saadi, político palestino e líder da Lista Conjunta, coalizão que reúne vários partidos de maioria árabe, afirmou que houve uma participação “histórica” dos eleitores palestinos com cidadania israelense.
Segundo Saadi, os cidadãos palestinos de Israel registraram comparecimento de cerca de 69%, enquanto a participação árabe total na eleição anterior foi de aproximadamente 56%.
“Acho que estas são as eleições mais importantes de todas as que já presenciei”, afirmou Ruth Epstein, eleitora de 81 anos e histórica apoiadora da esquerda em Ramat Gan, perto de Tel Aviv, que votou no partido Democratas, da oposição.
Netanyahu fez campanha com o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seu aliado na guerra contra o Irã, que afirmou que eles deveriam “concluir o trabalho”.
Se nem Netanyahu nem Eisenkot conseguirem formar uma coalizão de governo no Parlamento de 120 cadeiras, Netanyahu poderá permanecer interinamente no cargo até que uma nova eleição seja realizada.
Seus adversários conseguiram retirá-lo do cargo de primeiro-ministro apenas uma vez desde 2009, e isso exigiu quatro eleições inconclusivas em dois anos. Dezoito meses depois, ele estava de volta ao poder.
Para muitos dos opositores de Netanyahu, a eleição gira em torno da responsabilização pelas falhas de segurança de 7 de outubro, o dia mais sangrento da história recente de Israel. Grupos de oposição prometeram realizar uma investigação nacional, à qual o governo Netanyahu tem se oposto.
“Estou convencido de que, até o final do dia de hoje, veremos uma mudança, um novo espírito para o Estado de Israel, que servirá como correção para os últimos três anos e para aquele dia terrível”, disse Eisenkot durante visita ao kibutz Nir Oz, no sul de Israel, um dos alvos dos ataques de 7 de outubro.
Ele foi às urnas ao lado de Gadi Mozes, uma das 251 pessoas sequestradas pelo Hamas e levadas para Gaza durante o ataque que matou cerca de 1.200 pessoas.
Eisenkot afirma que a resposta de Israel, uma guerra que, segundo autoridades de saúde de Gaza, matou mais de 74 mil palestinos, foi um fracasso porque o Hamas continua no poder. O candidato reiterou seu compromisso de desmantelar a capacidade militar e governamental do grupo em Gaza no prazo de 18 meses após assumir o governo.
Itamar Ben-Gvir, líder de um partido de extrema direita integrante da coalizão de Netanyahu, votou no assentamento de Kiryat Arba, na Cisjordânia ocupada, na manhã desta terça-feira. Ele previu que Netanyahu retornará ao cargo de primeiro-ministro e que seu partido servirá como âncora de direita do futuro governo.
Ahmed Tibi, candidato de um partido árabe, afirmou que uma participação recorde da minoria árabe de Israel “abriria caminho para um governo alternativo e mudaria a grave realidade”.
Eisenkot descartou uma aliança formal com partidos árabes, embora, em alguns cenários, pudesse contar com eles para sustentar um governo minoritário e manter Netanyahu fora do poder.
Netanyahu tem descrito repetidamente os árabes israelenses, que representam cerca de um quinto da população do país, como uma ameaça, em um discurso que seus adversários classificam como próximo do racismo. Nesta terça-feira, ele publicou no X uma imagem mostrando uma fila de mulheres árabes, usando niqab ou com expressões de raiva, supostamente em uma seção eleitoral. Segundo verificadores independentes, a imagem teria sido criada por inteligência artificial.
Carros com bandeiras do Likud, partido de Netanyahu, percorreram as ruas de Jerusalém com alto-falantes reproduzindo o chamado islâmico para a oração e conclamando os eleitores: “Saiam de suas casas agora! Os árabes estão votando!”
Como a maioria dos líderes dos partidos judeus em Israel, Eisenkot se opõe à solução de dois Estados, que durante décadas serviu de base para as negociações de paz com os palestinos.
Por outro lado, ele tem criticado a violência de colonos judeus contra palestinos na Cisjordânia ocupada, que aumentou desde 2023 e prejudicou as relações de Israel com países ocidentais. Também se opõe aos parceiros de coalizão de extrema direita de Netanyahu.
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