Voltar para a página inicial

Em destaque: Empréstimo para pagar empréstimo? O hábito de 81% dos inadimplentes no Brasil

Para um em cada quatro entrevistados, a prática é mensal

Por Exame 19 de outubro de 2026 às 13:30
Via Exame
Compartilhar:WhatsAppX / TwitterFacebook
Espaço Publicitário · topo

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Empréstimo para pagar empréstimo? O hábito de 81% dos inadimplentes no Brasil Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que consumidores recorrem a empréstimos, cartão de crédito e cheque especial para quitar contas anteriores. Para um em cada quatro entrevistados, a prática é mensal . ( krisanapong detraphiphat/Getty Images)

Guilherme Santiago Repórter de Projetos Especiais

Publicado em 19 de outubro de 2026 às 10h19 .

Priorizar nos meus resultados Google Para pagar uma dívida, o brasileiro faz outra. Usa o limite do cartão de crédito para cobrir uma despesa, recorre ao cheque especial para quitar uma conta ou contrata um empréstimo para pagar o anterior.

Essa prática, conhecida como "pedalar dívidas" , foi adotada por 81% dos consumidores inadimplentes entrevistados em uma pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.

O levantamento ouviu 609 pessoas com contas atrasadas há mais de três meses, em todas as capitais brasileiras, entre 6 e 17 de março de 2026. Os resultados se referem a esse grupo, e não à população brasileira como um todo.

Entre os entrevistados, 25% afirmaram recorrer a um crédito para pagar outro mensalmente. Outros 37% disseram adotar a prática ocasionalmente, em momentos de aperto, e 19% apenas em situações de emergência.

O problema é que a troca de uma dívida por outra nem sempre reduz o valor devido. Quando o novo crédito tem juros elevados, o consumidor pode até ganhar prazo, mas aumenta o custo total do que precisa pagar.

A pesquisa encontrou uma diferença entre o que os consumidores sabem sobre finanças e o que conseguem colocar em prática.

Embora 78% avaliem seus conhecimentos financeiros entre regulares e ótimos, 48% não fazem um controle efetivo do orçamento. Parte acompanha apenas o extrato bancário ou tenta lembrar de cabeça quanto gastou.

Entre as dificuldades para organizar as contas, 20% mencionaram falta de disciplina para registrar despesas. Outros 15% disseram perder a motivação por não perceber resultados rápidos.

Para José César da Costa, presidente da CNDL, a contratação de crédito para pagar dívidas anteriores pode transformar uma dificuldade passageira em um problema permanente.

"O consumidor, muitas vezes sufocado pela falta de liquidez imediata, busca paliativos que oferecem um alívio momentâneo, mas que, no fundo, apenas ampliam o tamanho do problema no longo prazo", afirma.

A situação também tem uma dimensão emocional . Metade dos entrevistados relatou comportamentos que podem dificultar a recuperação financeira. Entre eles, 18% disseram perder a motivação para economizar por acreditar que pequenos cortes não fariam diferença diante do tamanho da dívida. Outros 17% relataram compras por impulso após períodos de privação.

O endividamento também afeta as relações pessoais. Segundo o estudo, 54% dos inadimplentes já esconderam uma compra ou o valor de uma dívida de familiares ou pessoas próximas por vergonha.

Apesar das dificuldades, 92% dos entrevistados afirmaram ter mudado a maneira de administrar o dinheiro depois de ficar inadimplentes.

As mudanças mais citadas foram controlar melhor as despesas domésticas (32%), pensar antes de comprar (30%), pesquisar preços (29%) e limitar o uso do cartão de crédito (25%).

O estudo não permite concluir se essas mudanças foram suficientes para reduzir as dívidas. Mostra, porém, que reconhecer o problema não significa necessariamente conseguir resolvê-lo.

A diferença é importante. Para quem já comprometeu a renda com parcelas e juros, organizar os gastos pode ajudar, mas não elimina automaticamente os compromissos acumulados.

A pesquisa revela, assim, um círculo difícil de interromper: o consumidor contrata crédito para ganhar tempo, continua endividado e pode precisar de um novo empréstimo quando chega a próxima cobrança. A dívida antiga é paga, mas o problema permanece.

Manifestações escalam e ampliam receios sobre dívida e contas públicas na 2ª maior economia da Zona do Euro

Doação chegaria a um total de US$ 10,5 bilhões; valor é cerca de 1,2% da fortuna de Elon Musk

Impacto financeiro pode ser ainda maior quando o consumidor acumula outras assinaturas

Estão previstas sondagens de AtlasIntel, PoderData, Futura, Nexus/BTG Pactual e Datatrends nesta segunda, 19

#Brasil
Espaço Publicitário · meio texto

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Matérias Relacionadas