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Em destaque: Ele criou um império bilionário com academias. Aos 70 anos, continua aprendendo durante os treinos

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 8 de novembro de 2026 às 08:50
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Em destaque: Ele criou um império bilionário com academias. Aos 70 anos, continua aprendendo durante os treinos
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Ele criou um império bilionário com academias. Aos 70 anos, continua aprendendo durante os treinos Após passar o comando da Smart Fit ao filho, Edgard Corona mantém o expediente no escritório e busca novas ideias para um grupo presente em 17 países Edgard Corona: aos 70 anos, treina diariamente e transforma a experiência como aluno em ideias para o negócio (Leandro Fonseca/Exame)

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Edgard Corona, fundador da rede de academias Smart Fit, passou o cargo de CEO ao filho Diogo em março de 2026 e assumiu a presidência executiva do conselho. Ao fim de setembro, o grupo somava 2.259 unidades em 17 países; no terceiro trimestre, a receita líquida cresceu 29%, para R$ 2,35 bilhões.

Às 5h30 da manhã, o fundador da maior rede de academias da América Latina está do outro lado do negócio: fazendo o treino. Aos 70 anos, Edgard Corona passa uma hora e meia em uma unidade da Nation CT, a poucos quarteirões de onde mora, antes de seguir para o escritório da Smart Fit, na Avenida Paulista. A sequência se repete de segunda a domingo. E, mesmo depois de três décadas no setor, ainda há funcionários que lhe ensinam a usar melhor as máquinas.

Foi em uma dessas aulas que Corona apresentou uma restrição: não queria treinar o ombro porque sentia dor. O instrutor questionou sua maneira de treinar e chamou a atenção para o trabalho das costas. O empresário decidiu experimentar outros exercícios, conhecer os equipamentos e entender uma academia cuja proposta, inicialmente voltada ao público da musculação intensa, era diferente daquela que estava acostumado a operar.

Da experiência como aluno saiu uma tarefa para o empresário: rever a variedade de equipamentos das unidades Bio Ritmo. Ao perceber como as alternativas tornavam seus próprios treinos mais interessantes, começou a discutir mudanças na oferta da rede.

“Você nunca pode se apaixonar demais pela obra. Você fica cego ”, diz.

A disposição para mexer no que construiu ajuda a explicar sua agenda atual. Neste ano, Corona passou o cargo de CEO ao filho Diogo e assumiu a presidência executiva do conselho de administração. Continua indo diariamente ao escritório, visitando academias, discutindo produtos e procurando novidades no exterior.

O negócio que acompanha é líder na América Latina em número de academias e clientes. O Grupo Smart Fit reune 2.259 unidades em 17 países. Além da marca que o tornou conhecido, abriga Bio Ritmo, Nation CT, a divisão BeOn Studios, o agregador de academias TotalPass e a plataforma de exercícios Queima Diária.

A trajetória também ocupa espaço na conversa. Durante uma hora de entrevista por videochamada, o fundador da Smart Fit falou da confecção de roupas na juventude à expansão internacional da rede de academias, mas o tempo reservado na agenda mostrou-se insuficiente para contar a história toda. Foi preciso marcar outro encontro, desta vez em seu escritório na Avenida Paulista, em São Paulo.

“Já estás com metade da missa”, brincou Corona com a reportagem da EXAME após encerrar o primeiro bate-papo.

No segundo encontro, o empresário foi questionado sobre a possibilidade de desacelerar depois da mudança de cargo. Nesta hora, apontou para o relógio. Era final de tarde em uma sexta-feira, e ele seguia no escritório, depois de discutir equipamentos e o desenho de novas unidades.

Também preparava uma viagem de oito dias, com passagens por Dubai, Nova York e Dallas. O roteiro incluía visitas a academias, observação de novos serviços e participação em um congresso. Conhecer operações de outros empresários é um hábito antigo: foi assim que encontrou parte das ideias que ajudaram a transformar seu negócio.

A diferença está no tempo disponível para olhar cada assunto. Como CEO, precisava acompanhar as áreas financeira e operacional, receber os executivos e responder pelas demandas diárias de uma companhia espalhada por vários países. Agora, concentra mais atenção no que o cliente encontra ao entrar numa academia.

“Hoje me sobra tempo para fazer uma coisa que eu não fazia antes, que era ficar no chão de fábrica ”, afirma.

Isso significa observar a disposição das máquinas, discutir formatos de unidade e avaliar serviços que possam ser incorporados ao grupo. Mantém reuniões de estratégia com Diogo e usa a experiência acumulada para questionar escolhas de produto.

A Nation CT virou um laboratório pessoal. Corona conta que procurou diferentes professores para aprender a treinar naquele ambiente. A variedade de aparelhos o levou a pensar também em um problema comercial: como evitar que o aluno se canse da rotina e abandone a academia.

“Você tem desafios e estímulos diferentes, pegadas diferentes”, diz.

A observação influenciou tanto a revisão dos equipamentos da Bio Ritmo quanto a comunicação da Nation. Na avaliação do fundador, mostrar apenas fisiculturistas poderia afastar pessoas que se beneficiariam da estrutura, mas não se reconheciam naquele público.

Antes de vender planos de academia, Corona vendeu roupas, açúcar e café. Paulistano, cursou engenharia química na FAAP e começou a empreender ainda na faculdade, numa confecção com dois amigos.

O grupo tentou fabricar camisetas com criação própria, mas dependia de estilistas e tinha dificuldade para encontrar seu espaço. A saída foi mudar o modelo: abrir lojas, observar o que vendia e combinar peças de fabricação mais barata com jeans de marcas conhecidas.

Depois, aproximou-se da atividade da família, que tinha participação em uma usina de açúcar. Passou pela Copersucar e pela venda de açúcar e café a bares antes de seguir para a operação industrial e agrícola.

Na usina, aprendeu a procurar eficiência nos detalhes. Uma das primeiras iniciativas foi organizar o controle dos pneus de caminhões e tratores. Marcação, acompanhamento do desgaste e verificação da calibragem ajudavam a identificar perdas e prolongar a vida útil. Segundo ele, o trabalho reduziu pela metade esse custo.

A lógica se estendeu aos lubrificantes, à manutenção e à contratação de profissionais. Corona passou 14 anos no negócio, até que mudanças na relação entre os sócios da família o levaram a sair. “Preciso tomar uma decisão de vida”, lembra ter pensado. “Não vou passar por isso de novo.”

Ele já era sócio de uma academia na Avenida Santo Amaro, em São Paulo. O empreendimento tinha problemas difíceis de resolver: prédio vertical, estacionamento insuficiente e uma estrutura que limitava o número de alunos.

Um acidente de esqui, em 1995, aproximou de vez o empresário daquela operação. Com uma lesão grave na perna, passou a fazer longas sessões de fisioterapia na própria academia. Entre um exercício e outro, observava o que precisava mudar.

A história da Bio Ritmo, iniciada em 1996, ganhou outra direção no ano seguinte, com uma unidade no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista. A nova academia apostava em arquitetura, iluminação e ambientação para se diferenciar. A experiência ajudaria a formar uma preocupação que atravessou os negócios seguintes: entregar um espaço em que as pessoas quisessem estar.

A expansão da Bio Ritmo consumiu patrimônio e trouxe contratempos. Corona vendeu bens para investir, comprou unidades que passaram a enfrentar novos concorrentes e assumiu compromissos financeiros que ficaram mais pesados com a inflação. A rede foi encontrando seu formato entre acertos, dívidas e ajustes.

As viagens ao exterior serviam para observar desde a abordagem de vendas até o tamanho das academias. Em encontros com empresários nos Estados Unidos, ouviu falar da Planet Fitness e do avanço de um modelo com mensalidades baixas e uma oferta concentrada em musculação e exercícios cardiovasculares.

Viu uma oportunidade para o Brasil: combinar preço acessível com equipamentos e uma apresentação que atraíssem consumidores de diferentes faixas de renda.

A ideia exigia mudanças na operação. Em vez de oferecer muitas modalidades, a academia se concentraria em musculação e cardio. A cobrança seria recorrente, reduzindo a dependência de cheques e dos formatos tradicionais de pagamento.

As planilhas, porém, não eliminavam todas as dúvidas. A primeira unidade paulistana ficaria no Morumbi, perto tanto de áreas de renda alta quanto de Paraisópolis. Corona se perguntava se conseguiria reunir aqueles públicos no mesmo espaço.

Depois de fazer e refazer as contas, decidiu testar. “ Não dá para não tentar. Já tem tudo quanto é conta. Agora só tem um jeito de saber se funciona: tem que pôr no ar”, afirma.

A unidade de São Paulo recebeu 300 matrículas no primeiro dia. A de Brasília, inaugurada na sequência, registrou 500. Era 2009, e a Smart Fit começava a mostrar que havia demanda.

O crescimento levou a outro limite: o caixa. Corona conta que já havia colocado no negócio os recursos de que dispunha e tinha novos pontos comerciais contratados. Para continuar, buscou um investidor. O Pátria entrou em 2010 e ajudou a financiar a expansão que, nos anos seguintes, atravessaria as fronteiras brasileiras.

Uma das mudanças mais difíceis aconteceu na maneira de comandar. Corona reconhece que levou da usina para as academias um estilo centralizador: as pessoas apresentavam problemas, e ele dizia o que deveriam fazer.

No começo, resolver tudo também trazia satisfação. Era a confirmação diária de que o chefe conhecia o negócio e tinha respostas. Até que a quantidade de unidades tornou o método um obstáculo. “Você começa o dia com problema, acaba o dia com problema. E, depois de seis meses, o problema é sempre o mesmo”, diz.

A percepção o levou a buscar leituras e experiências de formação em gestão. Precisava criar condições para que as equipes identificassem falhas, discutissem soluções e assumissem responsabilidade pelos resultados.

As pesquisas com alunos se tornaram uma ferramenta desse processo. Em vez de chegar à unidade com uma lista pronta de correções, a orientação passou a ser reunir funcionários, ouvir como avaliavam o atendimento e confrontar suas percepções com as respostas dos clientes.

Recepção, professores e gestores deveriam participar. O exercício ajudava a transformar uma avaliação ruim em um problema compartilhado, com decisões construídas pela equipe. “Cada um tem que fazer seu papel aqui para a gente mudar a realidade”, afirma.

A mudança também abriu espaço para identificar profissionais capazes de crescer. Corona cita funcionários que começaram como professores ou programadores e chegaram a posições de direção. O desenvolvimento interno, porém, trouxe decisões difíceis: nem todos conseguiam acompanhar a complexidade crescente da empresa.

Para ele, reconhecer esse limite faz parte da responsabilidade de quem comanda. A relação pessoal com um profissional não elimina a necessidade de encontrar alguém preparado para a função.

Diogo entrou na Smart Fit em 2010, depois de trabalhar no Itaú Unibanco. Formado em administração pelo Insper, passou por planejamento financeiro, precificação e expansão da operação brasileira. Antes de assumir como CEO, era diretor de operações do grupo.

Na avaliação do pai, um dos trabalhos que o credenciaram para a sucessão foi o desenvolvimento do TotalPass. O serviço, criado para oferecer acesso a academias como benefício corporativo, ganhou importância dentro de um grupo que passou a reunir diferentes maneiras de vender atividade física.

A troca de comando aconteceu em março de 2026. Os resultados mais recentes mostram a continuidade da expansão: no terceiro trimestre, a receita líquida chegou a R$ 2,35 bilhões, alta de 29% sobre o mesmo período de 2025. O lucro líquido recorrente avançou 40%, para R$ 248 milhões. Nos 12 meses encerrados em setembro, foram adicionadas 392 academias, incluindo aquisições.

A presença da família vai além de pai e filho. Carolina Corona comanda a BeOn Studios, divisão que reúne marcas de modalidades específicas, como Velocity, Vidya e Aera. Antes dos estúdios, trabalhou na operação mexicana da Smart Fit.

Dos cinco filhos de Corona, Camila seguiu a medicina. As mais novas, as gêmeas Maria Clara e Maria Paula, estudam economia nos Estados Unidos. Ao falar delas, o empresário se entusiasma com a possibilidade de uma formação que inclua filosofia e outras disciplinas fora da especialidade escolhida. O interesse pelo aprendizado aparece também quando o assunto sai da empresa.

Corona segue se atualizando. Acessórios o ajudam a monitorar seu corpo. No dedo de uma das mãos, usa um anel; em um dos braços, uma pulseira e no outro um relógio inteligente para acompanhar informações sobre sono e atividade. Compara as respostas, percebe divergências e testa o que pode ser útil.

A curiosidade também tem aplicação comercial: entender como esses recursos podem se conectar aos serviços do grupo.

O esporte o acompanha desde a adolescência. Começou na natação aos 14 anos e foi atleta de polo aquático do Clube Athletico Paulistano. Ao deixar as competições, encontrou outras formas de manter a atividade física na rotina, inclusive no período em que trabalhava na usina.

Hoje, o treino continua sendo um compromisso diário, mas a agenda também inclui leitura, cinema, futebol e a convivência com a família. Torcedor do Palmeiras, aprecia as culinárias japonesa e italiana.

Aos 70 anos, sua maneira de falar sobre longevidade passa pela possibilidade de continuar interessado no que ainda não conhece. É uma disposição que aparece tanto ao ouvir um professor de musculação quanto ao visitar uma academia estrangeira ou rever uma escolha feita anos antes.

“Com o tempo, a gente acumula experiência, mas isso não significa que tenha todas as respostas. É preciso estar aberto a ouvir, aceitar críticas e rever caminhos”.

Diogo Corona assumiu o cargo de CEO do Grupo Smart Fit em março de 2026. Antes da sucessão, o filho de Edgard Corona atuava como diretor de operações e havia passado pelas áreas de planejamento financeiro, precificação e expansão.

Edgard Corona é presidente executivo do conselho de administração do Grupo Smart Fit. Ele continua a frequentar o escritório, visitar academias, discutir produtos e pesquisar equipamentos e serviços no exterior.

Ao fim de setembro de 2026, o Grupo Smart Fit reunia 2.259 unidades em 17 países. O portfólio inclui Smart Fit, Bio Ritmo, Nation CT, BeOn Studios, TotalPass e Queima Diária.

A receita líquida alcançou R$ 2,35 bilhões, alta de 29% sobre o mesmo período de 2025. O lucro líquido recorrente cresceu 40%, para R$ 248 milhões, e o grupo adicionou 392 academias nos 12 meses encerrados em setembro, incluindo aquisições.

A Smart Fit começou a operar em 2009, com uma proposta de mensalidades acessíveis e foco em musculação e exercícios cardiovasculares. Segundo Edgard Corona, a primeira unidade de São Paulo recebeu 300 matrículas no primeiro dia, e a unidade de Brasília registrou 500.

Aos 70 anos, Edgard Corona treina diariamente às 5h30 durante cerca de uma hora e meia em uma unidade da Nation CT. A experiência como aluno levou o fundador a discutir mudanças nos equipamentos da Bio Ritmo e na comunicação da Nation CT.

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