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Em destaque: Aos 67 anos, ela transformou carro de 1991 em “motorhome” e decidiu viajar sozinha pela Argentina

Em vez de comprar um motorhome, ela decidiu adaptar o carro que já tinha: um Renault 11, fabricado em 1991.

Por Redatores da Empire Cidades 28 de outubro de 2026 às 12:10
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Em destaque: Aos 67 anos, ela transformou carro de 1991 em “motorhome” e decidiu viajar sozinha pela Argentina
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Aos 67 anos, Delia Isolina Torres transformou um Renault 11 de 1991 em um motorhome improvisado, com cama, cozinha e banheiro portátil, para viajar sozinha pela Argentina.

Aos 67 anos, Delia Isolina Torres encontrou uma maneira de transformar um desejo antigo em realidade sem precisar gastar uma fortuna. Em vez de comprar um motorhome, ela decidiu adaptar o carro que já tinha: um Renault 11, fabricado em 1991. Com criatividade e disposição, transformou o veículo em uma pequena casa sobre rodas e começou a viajar sozinha pela Argentina.

A ideia surgiu durante a pandemia de Covid-19, quando Delia vivia no campo, próximo à Rodovia 41. De casa, ela observava vans e motorhomes passando pela estrada e imaginava como seria conhecer outros lugares sem depender de hospedagens ou de grandes estruturas.

A inspiração ganhou força quando ela descobriu, no YouTube, viajantes que transformavam carros comuns em pequenas moradias. Delia não tinha dinheiro para comprar um veículo adaptado, e o então marido não compartilhava o desejo de viajar daquela maneira. A solução, portanto, seria aproveitar o automóvel que já estava na garagem.

No início, ela fez experiências com almofadas e um berço velho para encontrar uma maneira confortável de dormir dentro do carro. Até que um conhecido sugeriu uma mudança decisiva: retirar o banco do passageiro. A partir dali, o projeto começou a tomar forma.

Adaptação exigiu planejamento para aproveitar cada centímetro do veículo Um conhecido sugeriu uma mudança decisiva: retirar o banco do passageiro Antes de partir para destinos distantes, Delia também recebeu um conselho de outros viajantes A primeira grande aventura de Delia foi até Las Grutas, na província de Río Negro Em 2024, depois de se separar do marido, Delia atravessou um período difícil e chegou a questionar se queria continuar viajando A adaptação exigiu planejamento para aproveitar cada centímetro do veículo. Com o banco dianteiro removido, Delia conseguiu criar uma cama de solteiro na área dos passageiros, além de reservar espaço embaixo para guardar os pertences necessários durante as viagens.

Na parte próxima à janela traseira, ela montou uma pequena cozinha, equipada com fogão e recipientes para armazenar água. Para completar a estrutura, instalou um banheiro com vaso sanitário químico portátil.

O resultado foi uma minicasa improvisada, mas funcional, que permitiu à argentina viajar sem precisar investir na compra de uma autocaravana, como são chamados os motorhomes em alguns países de língua espanhola.

Antes de partir para destinos distantes, Delia também recebeu um conselho de outros viajantes: começar por trajetos mais curtos, para se acostumar à rotina na estrada.

Em 2021, ela participou de um encontro de motorhomes em General Belgrano, a cerca de 100 quilômetros de Lobos, na província de Buenos Aires. Além de dar os primeiros passos em uma comunidade de pessoas que viajavam de maneira semelhante, conheceu uma rede de apoio que se tornaria importante em suas aventuras.

Nos grupos de viajantes, era possível trocar informações sobre locais para estacionar, encontrar mecânicos e receber ajuda caso surgisse algum problema durante o percurso.

A primeira grande aventura de Delia foi até Las Grutas, na província de Río Negro. Sozinha, ela explorou a região, conheceu outros viajantes e passou cerca de 15 dias longe de casa. A experiência foi tão marcante que, segundo seu relato, ela não queria voltar.

Em 2023, a argentina embarcou em outra viagem, partindo de Chajarí, na província de Entre Ríos, e passando por Corrientes e Misiones até chegar às Cataratas do Iguaçu. Na volta, também visitou as Cataratas do Moconá, conhecidas pelas quedas que acompanham longitudinalmente o curso do rio.

Um dos momentos mais desafiadores aconteceu durante a subida em direção às Cataratas do Iguaçu. O Renault 11 teve dificuldades para avançar, e Delia precisou parar diversas vezes durante o trajeto.

Ao chegar ao destino, a neblina encobria a paisagem, fazendo com que ela temesse não conseguir ver as quedas d’água. Por volta do meio-dia, porém, o tempo melhorou e permitiu que aproveitasse a visita.

A viajante também percorreu províncias do norte argentino em uma caravana e fez uma jornada de aproximadamente 40 dias, incluindo trechos da Rota 40, uma das estradas mais conhecidas do país. O percurso chegou a Jujuy, onde ela visitou Iruya, localidade cercada por montanhas e conhecida pelas paisagens da região.

Em 2024, depois de se separar do marido, Delia atravessou um período difícil e chegou a questionar se queria continuar viajando. Com a ajuda de um psicólogo, começou a trabalhar os medos que surgiram durante essa fase.

Um encontro de motorhomes em Navarro, a aproximadamente 30 quilômetros de Lobos, marcou um momento importante nesse processo. Ao chegar à cidade, ela começou a passar mal e pensou em desistir, retornando para casa.

Dessa vez, porém, decidiu seguir em frente. Delia chegou ao encontro e não voltou a sentir o mal-estar que havia provocado a vontade de abandonar o percurso.

A experiência não eliminou todas as dificuldades, mas ajudou a viajante a reconhecer que poderia continuar explorando o país respeitando o próprio ritmo e os limites do carro.

Essa cautela se tornou especialmente importante em uma viagem a Catamarca. Ao perceber que o Renault 11 enfrentava dificuldades em um trecho com inclinação acentuada e vento contrário, ela decidiu abandonar o caminho que levava ao Campo de Piedra Pómez, uma extensa formação de rochas vulcânicas.

Em vez de insistir e colocar a própria segurança em risco, Delia optou por interromper o trajeto. A decisão passou a fazer parte do lema que ela aprendeu ao escolher viver na estrada: nem todo destino precisa ser alcançado, e reconhecer a hora de parar também é uma forma de seguir em frente.

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