dos palcos às arquibancadas do futebol brasileiro — Iron Maiden
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Consulte formatos e valores disponíveisFavorite o Lance! no Google Supervisionado por Thiago Fernandes, Torcida organizada do Vasco tem o "Eddie" do Iron Maiden como símbolo O Iron Maiden volta aos palcos brasileiros neste domingo (25), com o primeiro de três shows da turnê Run For Your Lives World Tour 2026 no país. Entre as apresentações em São Paulo, no Nubank Parque, e em Curitiba, na Arena da Baixada. A banda britânica também carrega uma história que ultrapassa os limites da música: a conexão com o futebol e, especialmente, com o Vasco da Gama. Em entrevista ao Lance!, o grupo falou sobre a relação entre a paixão pelos palcos e a vivência nas arquibancadas, enquanto a trajetória construída com a torcida cruz-maltina ajuda a explicar como o mascote Eddie se tornou parte da cultura de uma das organizadas do clube.
A ligação entre o Iron Maiden e o Vasco começou a ganhar forma ainda na década de 1980, quando integrantes da Força Jovem Vasco decidiram inovar nas bandeiras levadas aos estádios. Entre as criações estava uma imagem de Eddie, personagem que acompanha a identidade visual da banda. O que começou como uma iniciativa de torcedores fãs de rock e heavy metal se transformou, ao longo dos anos, em uma marca presente em bandeirões, faixas e camisas.
Em resposta ao Lance!, a banda comentou a dimensão dessa identificação e lembrou o impacto de ver a imagem de Eddie nas arquibancadas brasileiras.
Foi no Vasco que vimos pela primeira vez o Eddie em um bandeirão circulando pelo estádio, e aquilo foi fantástico. Isso também foi reproduzido em outros países — afirmou a banda.
A história ganhou um novo capítulo em dezembro de 2000, quando Rodrigo Melo, torcedor do Vasco e integrante da Força Jovem, encontrou uma oportunidade de aproximar a organizada dos músicos. Na época, ele fazia uma pós-graduação e conversava com uma amiga que trabalhava na produção do Iron Maiden. Com a banda prestes a participar do Rock in Rio de 2001, Rodrigo pediu ajuda para conhecer os integrantes e conseguir fotografias e autógrafos.
O plano inicial, porém, era levar apenas uma ou duas pessoas ao encontro. Quando Rodrigo compartilhou a possibilidade com integrantes da torcida, a mobilização tomou outra proporção.
Eu marquei com os caras e falei que iria uma ou duas pessoas, no máximo, porque eles estariam em um hotel em São Conrado. Só que, no dia, cheguei à sede e tinha uma galera me esperando. Pegamos uma van com umas 20 pessoas, levando sacos e sacos de presentes para o Iron Maiden: bonés, camisas, flâmulas, fotos e um monte de coisas — contou Rodrigo ao Lance!.
A comitiva chegou ao Hotel Sheraton, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em meio à movimentação de artistas que participariam do festival. O acesso não foi simples, mas a presença de um representante da gravadora EMI ajudou a viabilizar o encontro. Os integrantes da torcida conseguiram assistir à coletiva de imprensa e, depois, foram apresentados aos músicos.
Entre os presentes estavam Nicko McBrain, Steve Harris e Bruce Dickinson. Além das fotografias e da entrega dos itens da Força Jovem, os vascaínos aproveitaram a ocasião para fazer um convite: levar integrantes do Iron Maiden à final da Copa João Havelange, disputada no Maracanã.
O convite deu certo. Steve Harris e Janick Gers compareceram à decisão, aproximando ainda mais a banda do universo vascaíno.
O pessoal da gravadora ficou muito próximo da gente, principalmente de mim. Acabei sendo o elo de ligação entre a torcida e a banda — explicou Rodrigo.
A partir daquele encontro, a relação continuou em outros momentos. No ano seguinte, durante o lançamento do DVD e do CD gravados no Rock in Rio, Rodrigo conseguiu 30 ingressos para integrantes da Força Jovem participarem do evento no antigo Rock in Rio Café, no BarraShopping.
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A presença de Eddie nas arquibancadas do Vasco foi uma iniciativa da própria torcida, que encontrou no mascote do Iron Maiden uma forma de unir a paixão pelo heavy metal ao amor pelo clube.
Em meados do final da década de 1980, a Força Jovem resolveu fazer uma bandeira nova para inovar. Tinha uma galera do rock, do metal mesmo, que tinha relevância na torcida, e resolveram fazer essa bandeira do Eddie. Até então, era só uma bandeira, não tinha nada de mascote ou algo assim — relatou.
A repercussão entre os torcedores levou à criação de outras peças. O personagem passou a aparecer em bandeiras, além de camisas ligadas à torcida.
A identificação também ganhou reconhecimento fora do Brasil. Em 2009, a relação entre os vascaínos e o Iron Maiden apareceu na revista britânica Kerrang!, segundo Rodrigo, que guarda registros dos encontros com integrantes da banda.
A conexão também deixou marcas na vida pessoal dos músicos. Rodrigo contou que uma flâmula do Vasco e da Força Jovem, que entregou em 2001, apareceu em fotografias da casa de Steve Harris, em Portugal, posteriormente colocada à venda.
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O torcedor também mantém o costume de entregar presentes quando o grupo vem ao Brasil. As ações envolvem camisas do Vasco e itens da Força Jovem, em iniciativas articuladas com representantes do clube e da torcida.
Toda vez que a banda vem ao Brasil, eu entrego alguma coisa. Levo uma camisa do Vasco e uma da Força Jovem, ou algum item da torcida. Hoje, a relação é muito estreita com os dois, tanto com o clube quanto com a torcida — afirmou Rodrigo.
A reciprocidade apareceu em outras ocasiões. O torcedor contou que, em uma passagem da banda por São Paulo, a identificação com a torcida ajudou a viabilizar o acesso de amigos à área interna do evento. Em outra oportunidade, representantes ligados ao Vasco também participaram da articulação para entregar presentes aos músicos.
Para o Iron Maiden, a identificação com torcidas de futebol está ligada à paixão compartilhada entre fãs da música e do esporte. A banda destacou que a utilização de Eddie por clubes e torcedores representa uma forma de reconhecimento de sua identidade.
Steve é o principal elo com o futebol dentro da banda. O amor dele pelo West Ham é profundo e conhecido, e é motivo de imenso orgulho para ele ver torcedores do mundo inteiro usando as cores grená e azul nos nossos shows. O time dele também se beneficiou globalmente dessa paixão — explicou o grupo.
A banda ressaltou que a presença de Eddie nas arquibancadas não deve ser entendida como uma escolha por um clube específico, mas como um sinal de identificação com a música e com a cultura construída em torno dela.
Ele ama a paixão das pessoas pela banda, pelo time e pela música. Ver Eddie usado como símbolo por qualquer equipe é gratificante, porque representa aceitação, crença, apoio e respeito por algo que é exclusivamente Iron Maiden. Não é político nem partidário: pode significar a mesma coisa para um torcedor do Vasco, do Corinthians, do Flamengo ou do Palmeiras, estádio onde tocamos regularmente em São Paulo — afirmou a banda.
Ao falar especificamente sobre o Vasco, o grupo reforçou que a experiência de ver o personagem nas arquibancadas foi especial, mas ponderou que essa proximidade não significa uma preferência clubística dos integrantes.
Steve e alguns integrantes que já estiveram no Vasco ou viram o bandeirão consideram essa conexão algo especial. Mas não gostariam que isso afastasse um torcedor brasileiro de um time de São Paulo, por exemplo. Por isso, Steve não gostaria de vestir a camisa de nenhum desses clubes: ele prefere usar apenas as do West Ham ou da Inglaterra, porque são os times dele — explicou a banda.
Se a relação com o Vasco nasceu da identificação de torcedores brasileiros, a ligação de Steve Harris com o futebol tem raízes na Inglaterra. O baixista e fundador do Iron Maiden é torcedor fanático do West Ham United, clube de Londres que acompanha há décadas.
A paixão aparece inclusive nos instrumentos do músico: seu baixo carrega o escudo da equipe inglesa. Em novembro de 2019, West Ham e Iron Maiden lançaram uma camisa em parceria, batizada de Die With Your Boots On, em referência à música de mesmo nome lançada pela banda em 1983. Harris também participou da divulgação do produto.
A conexão entre o músico e o clube vai além da colaboração comercial. Para a banda, o futebol tem uma dimensão coletiva semelhante à experiência de acompanhar uma apresentação de heavy metal: torcedores e fãs encontram uma identidade comum, criam vínculos e viajam para apoiar aquilo em que acreditam.
O grupo destacou que o sentimento de pertencimento é um dos pontos que aproximam os dois universos.
O Iron Maiden e o futebol despertam a mesma paixão nos fãs, o mesmo sentimento de pertencimento, de serem irmãos de sangue, e a vontade de viajar pelo mundo para apoiar a banda ou o time. Usar uma camisa do Maiden pode ser comparado a vestir uma camisa de futebol: mostra a sua tribo e talvez muito mais — afirmou o grupo.
A banda também fez uma comparação em torno de seus shows, com amizades, viagens e encontros entre pessoas de diferentes países.
O Maiden fala sobre pertencer, fazer parte de algo, fazer amigos, tomar uma Trooper (cerveja da banda) juntos, ouvir música e assistir a um show. É possível enxergar paralelos com muitos esportes coletivos, mas o futebol está no ápice disso — declarou.
Até mesmo uma expressão tradicional da banda se aproximou do vocabulário das arquibancadas. Segundo o grupo, o antigo lema "Up the Irons" evoluiu, ao longo dos anos, para "Come on Your Irons", expressão cantada pelos torcedores do West Ham nas partidas.
A relação com o futebol é uma das manifestações da proximidade entre o Iron Maiden e o público brasileiro. A banda esteve no país pela primeira vez em 1985, na primeira edição do Rock in Rio, e desde então, construiu uma trajetória de apresentações que consolidou sua presença entre os fãs locais.
Em outubro de 2026, o grupo retorna para três shows da Run For Your Lives World Tour, turnê que celebra os 50 anos de história da banda. A agenda brasileira começa neste domingo (25), no Nubank Parque, em São Paulo, segue na terça-feira (27), no mesmo estádio, e termina na quarta-feira (28), na Arena da Baixada, em Curitiba.
A ligação entre música e futebol também aparece no mercado de produtos licenciados. A marca brasileira WA Sports mantém uma parceria com a banda e comercializa camisas oficiais inspiradas no universo do Iron Maiden, com modelos que remetem a uniformes de futebol.
Entre os produtos estão peças inspiradas nos álbuns do grupo, com o ano de lançamento estampado nas costas em uma disposição semelhante à numeração de uma camisa de jogador. A iniciativa aproxima a estética do heavy metal da cultura das camisas esportivas, reforçando a conexão entre dois universos que compartilham símbolos, identidade e sentimento de pertencimento.
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