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depois do açaí, Grupo The Best aposta em sorvete proteico — Rumo ao R$ 1,5 bilhão

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 17 de outubro de 2026 às 11:09
Via Exame
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Rumo ao R$ 1,5 bilhão: depois do açaí, Grupo The Best aposta em sorvete proteico Com o nome 'Match Protein', nova marca estreia no varejo brasileiro em meio ao hype dos produtos ricos em proteína Fundadores do Grupo The Best tiveram a ideia de criar o sorvete proteico "Match Protein" depois de uma viagem aos Estados Unidos (Grupo The Best/Divulgação)

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 08h01 .

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Expansão de Negócios Saiba mais Depois do açaí e dos cremes, o Grupo The Best , dono da marca The Best Açaí , está preparando a entrada em um novo mercado: o de sorvetes proteicos .

Conhecida pelas lojas de açaí e sorvetes, a companhia decidiu apostar em uma marca independente para disputar espaço nas prateleiras dos supermercados e ampliar sua presença no setor de alimentos.

Batizada de Match Protein , a nova marca será lançada em novembro, com um investimento inicial previsto de aproximadamente R$ 5 milhões até o final de 2026. O plano é alcançar 3 mil pontos de venda em 2027 e gerar R$ 40 milhões em receita no primeiro ano de operação.

A movimentação representa uma mudança na estratégia de expansão do grupo, que, pela primeira vez, pretende comercializar seus produtos diretamente no varejo, para além da rede de franquias.

“Todo mundo só fala de proteína. A gente está vendo esse espaço no mercado aumentar cada vez mais, com as pessoas procurando produtos mais saudáveis”, afirma Sérgio Kendy, cofundador e CEO do Grupo The Best, em entrevista exclusiva à EXAME.

A decisão de investir no segmento, segundo o executivo, acompanha uma transformação no comportamento dos consumidores, que buscam alimentos com maior valor nutricional, mas sem abrir mão do sabor.

“Desde a pandemia começou esse movimento, mas acho que no último ano vimos uma enxurrada de produtos à base de proteína. A gente enxergou uma oportunidade muito grande no mercado de sorvetes”, diz Kendy que quer aproveitar o hype das proteínas no Brasil.

A Match Protein nasceu de um projeto iniciado em junho deste ano, embora a companhia já estudasse alternativas de produtos proteicos havia cerca de dois a três anos.

A ideia ganhou força depois que Kendy conheceu produtos semelhantes durante uma viagem aos Estados Unidos, país onde o grupo também possui uma loja própria em atividade em Miami e deve inaugurar mais uma unidade no dia 29 de outubro. A companhia também tem unidades no Paraguai.

A decisão, no entanto, foi criar uma marca independente, em vez de ampliar o portfólio da The Best Açaí.

“A gente não queria lançar um produto dentro da The Best Açaí, porque acho que não é o maior canal de venda para sorvete proteico. Queríamos criar uma marca nova, com o posicionamento certo e uma categoria de preço adequada”, afirma.

O lançamento será feito com três sabores de sorvete (paçoca, morango e chocolate) comercializados em potes de 500 mililitros. Segundo o executivo, os produtos terão 30 gramas de proteína por pote, não contarão com adição de açúcar e apresentarão aproximadamente metade das calorias de determinados sorvetes tradicionais usados pela empresa como referência.

O preço sugerido ao consumidor será de aproximadamente R$ 49,90. Apesar do posicionamento premium, a intenção é alcançar um público mais amplo do que o consumidor habitual de suplementos alimentares.

“A gente queria um produto com preço mais elevado, mas que tivesse acessibilidade ao mesmo tempo. Não adianta cobrar supercaro e não ter recorrência. Quero que as pessoas consumam, por exemplo, duas vezes por semana”, afirma Kendy.

O lançamento oficial está previsto para ocorrer até 10 de novembro. A distribuição inicial terá como prioridade o Paraná, estado de origem do grupo, e São Paulo, especialmente a capital paulista.

A estratégia combina duas frentes: a entrada em redes de supermercados, com freezers próprios instalados nos estabelecimentos, e o aproveitamento da estrutura já existente das 850 lojas da The Best Açaí.

A empresa pretende iniciar novembro com pelo menos 350 operações comercializando os produtos por delivery, utilizando as lojas da rede como base logística. No iFood, a Match Protein terá uma operação própria, separada da identidade comercial da The Best Açaí.

No varejo físico, a ambição é ainda maior. A meta inicial é alcançar 3 mil pontos de venda ao longo de 2027, incluindo supermercados e outros estabelecimentos comerciais, além das lojas do grupo.

“É um número extremamente inicial. Acho que a gente consegue atingir números maiores, mas 3 mil é o nosso primeiro objetivo”, diz Kendy.

E a nova marca já tem planos para além do sorvete. A empresa também pretende ampliar o portfólio da Match Protein para picolés, bombons e cremes proteicos.

Embora a operação comece no Brasil, o grupo considera uma futura expansão internacional, incluindo os Estados Unidos, onde surgiu a ideia.

Grupo The Best aproveita para o hype das proteínas para lançar marca de sorvete (Rimma_Bondarenko/Getty Images)

Para viabilizar a nova operação, o Grupo The Best está investindo na ampliação da estrutura industrial da Amadelli, empresa do próprio grupo responsável pela fabricação de sorvetes, açaí e recheios utilizados nas lojas.

O investimento de aproximadamente R$ 5 milhões, previsto até dezembro, inclui uma nova linha de produção, desenvolvimento de produtos e estruturação da marca.

A companhia também montou uma equipe específica para conduzir o projeto e prevê novas contratações conforme o aumento da produção.

Para os últimos meses de 2026, Kendy projeta um faturamento de R$ 2 milhões só com a Match Protein. O foco inicial, porém, será a apresentação da marca ao mercado, a experimentação dos produtos e a construção dos canais de distribuição. A partir de 2027, a expectativa é acelerar.

“No primeiro ano de Match Protein, a gente quer fazer algo como R$ 40 milhões de receita. Em sell-out, talvez uns R$ 100 milhões”, afirma. “O potencial de crescimento está ligado ao desenvolvimento de uma categoria que ainda considera pouco explorada no Brasil”.

O executivo cita o mercado americano como referência, onde, segundo estimativas apresentadas pela companhia, os sorvetes proteicos já representam aproximadamente 3,5% do mercado de sorvetes.

“A gente estima que o Brasil, nos próximos anos, vai bater pelo menos R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão em sorvetes proteicos. Acho que vai virar uma tendência”, afirma.

A expansão do Grupo The Best também ocorre em meio às mudanças na jornada de trabalho no Brasil. Com o fim da escala 6x1, Kendy afirma que o principal desafio da companhia será reorganizar os turnos da indústria Amadelli, responsável pela fabricação dos produtos do grupo.

“A gente já estava olhando para isso. Algumas lojas, não todas, já usavam a escala 12 x 36, que é o modelo que funciona muito bem para a gente”, afirma.

Segundo o executivo, as franquias devem sentir menos os efeitos da mudança, enquanto a indústria exigirá maior planejamento.

“O principal desafio vai ser realmente a indústria, que a gente vai ter que pensar como vai adaptar”, diz.

Veja também: Será o fim da escala 6x1 no Brasil? Varejistas, hotéis e até mineradoras já se movimentam

A nova aposta ocorre em um momento de expansão do Grupo The Best, que pretende encerrar 2026 com R$ 1,5 bilhão em faturamento, ante R$ 1,1 bilhão registrado em 2025, segundo dados informados pela companhia. A projeção representa crescimento de aproximadamente 36%.

A diversificação, porém, não começou com a Match Protein.

Além da The Best Açaí e da indústria Amadelli, o grupo controla a Açaí do Braga, marca com posicionamento mais popular e atuação exclusiva no delivery, presente em aproximadamente 400 operações. A companhia também desenvolve a Quarkly Cookies, uma marca de cookies estruturada para funcionar no modelo de cozinha voltada a entregas, aproveitando as lojas existentes.

A Match Protein amplia esse ecossistema ao permitir que o grupo utilize sua experiência industrial e logística para alcançar consumidores que não necessariamente frequentam suas franquias.

O desafio será construir uma marca capaz de competir nas prateleiras dos supermercados, em um ambiente diferente daquele em que a The Best consolidou sua expansão.

Para Kendy, a oportunidade está justamente em aproveitar a tendência de consumo de proteínas para abrir uma nova frente de negócios.

“Quando a gente lança um produto que está todo mundo procurando, é muito mais fácil entrar em qualquer mercado. Estamos entrando em um oceano totalmente azul”, afirma.

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