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Democratas têm expectativas exageradas para as Midterms? — Análise

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 10:00
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Democratas têm expectativas exageradas para as Midterms? — Análise
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Os democratas anseiam por uma "onda azul" nas eleições de novembro, e uma série de pesquisas recentes os leva a acreditar que poderiam conquistar vitórias em redutos fortemente republicanos — algo que, há poucos meses, pareceria impensável.

As expectativas em torno do partido estão tão elevadas que é possível prever uma frustração considerável entre os democratas — e uma celebração por parte dos republicanos — caso os democratas não consigam um resultado excepcional no dia da eleição, isto é, conquistar o controle de ambas as casas do Congresso.

“Acredito que os democratas estão em condições competitivas em um número suficiente de estados para ter um dia muito positivo”, afirmou David Axelrod, comentarista político sênior da CNN , na segunda-feira (19), durante o programa “The Arena”, apresentado por Kasie Hunt. “Mas não me surpreenderia se eles não conseguissem assumir o controle do Senado.”

Por outro lado, Axelrod não se surpreenderia se os democratas conquistassem 53 cadeiras, disse ele. “Depende, na verdade, da intensidade dessa onda”, afirmou.

A expectativa, contudo, é que ocorra algum tipo de onda.

EUA já registraram 20 milhões de votos para as eleições de Meio de Mandato Eleitores jovens dos EUA preferem democratas nas Midterms, diz pesquisa Partido Republicano investe milhões de dólares em anúncios sobre crimes Quando uma derrota parece uma vitória Em 2022, após a Suprema Corte anular a decisão Roe v. Wade, os democratas e o presidente Joe Biden praticamente celebraram o fato de terem perdido apenas nove cadeiras na Câmara dos Representantes — e, com isso, o controle da Casa.

“Embora a imprensa e os analistas previssem uma grande ‘onda vermelha’, ela não se concretizou”, disse Biden um dia depois, descrevendo os resultados como “um bom dia para a democracia”, ainda que o controle republicano da Câmara tenha freado sua agenda legislativa.

O ex-presidente Joe Biden tem mantido uma presença pública desde que anunciou seu diagnóstico de câncer de próstata. Aqui, ele discursa em um evento de arrecadação de fundos em fevereiro, na Carolina do Sul • Sean Rayford/Getty Images Em 2018, depois que o Partido Republicano perdeu 41 cadeiras na Câmara dos Representantes e o controle da Casa, Trump destacou o fato de os republicanos terem mantido a maioria no Senado e gabou-se de que eles tiveram um “desempenho muito superior aos precedentes históricos”.

Independentemente do que aconteça este ano, é provável que Trump alegue a existência de fraude eleitoral — sem que haja qualquer evidência para isso — e tente reivindicar algum tipo de vitória.

Os democratas estão entusiasmados com esta eleição.

Em uma pesquisa recente da ABC News/Washington Post, eles apresentaram uma vantagem de quase 10 pontos sobre os republicanos, ao serem questionados os eleitores sobre qual partido pretendem apoiar em novembro.

Na disputa pelo Senado, os candidatos democratas mostram-se competitivos frente aos republicanos em estados de maioria republicana, incluindo Alasca, Iowa, Kansas e Texas.

Há também disputas acirradas em estados indecisos, como Michigan e Geórgia, onde os democratas esperam que o ímpeto atual ajude a preservar as cadeiras que ocupam.

A inevitável análise das pesquisas após a eleição dependerá de saber se os institutos de pesquisa, neste ano, captaram com precisão o entusiasmo dos democratas ou se acabaram superestimando-o.

O partido do presidente quase sempre perde cadeiras na Câmara.

Apenas duas vezes nos últimos 100 anos o partido do presidente não perdeu, pelo menos, algumas — e, frequentemente, muitas — cadeiras na Câmara.

As duas exceções ocorreram em 2002, sob o governo do presidente George W. Bush, no período que antecedeu a invasão do Iraque pelos Estados Unidos após o 11 de setembro; e em 1998, quando o "boom" das empresas de internet impulsionou a economia e houve uma reação contrária da opinião pública ao processo de "impeachment" do presidente Bill Clinton.

Quando os democratas perderam nove cadeiras em 2022, perderam por uma margem estreita o controle da Câmara — uma derrota clara.

Mas isso esteve longe de ser a vitória avassaladora que muitos esperavam naquele ano.

Em 1994, os democratas perderam 54 cadeiras na chamada "revolução republicana", durante o primeiro pleito de meio de mandato do governo Clinton.

Em 2010, na chamada "revolução do Tea Party", os democratas perderam 63 cadeiras — um resultado que o então presidente Barack Obama classificou como uma "surra".

Em ambos os pleitos de meio de mandato, os democratas perderam o controle da Câmara.

Durante o primeiro pleito de meio de mandato do governo Trump, em 2018, os republicanos perderam o controle da Câmara ao perderem 41 cadeiras.

Os senadores cumprem mandatos de seis anos, e apenas cerca de um terço deles é submetido a votação em cada eleição.

Das 35 cadeiras em disputa em 2026, apenas 10 constam na lista da CNN de disputas decisivas.

Os democratas precisam vencer sete dessas 10 para chegar a 51.

Dessas disputas-chave, três — Geórgia, Michigan e New Hampshire — referem-se a cadeiras atualmente ocupadas por democratas.

Sete dos estados que compõem essas disputas-chave — Alasca, Iowa, Kansas, Maine, Carolina do Norte, Ohio e Texas — estão, no momento, sob o controle de republicanos.

Há menos cadeiras fortemente disputadas após anos de manipulação de distritos eleitorais em muitos estados.

Apenas 21 cadeiras são classificadas como “indefinidas” pelo *Cook Political Report*, uma organização apartidária.

Dessas cadeiras indefinidas, 16 estão nas mãos de republicanos e apenas cinco, nas mãos de democratas.

Dez cadeiras ocupadas por republicanos estão, segundo o Cook, firmemente, provavelmente ou tendencialmente inclinadas para os democratas.

Outra cadeira é ocupada por um parlamentar que deixou o Partido Republicano para se tornar independente.

Oito cadeiras ocupadas por democratas estão, firmemente, provavelmente ou tendencialmente inclinadas para os republicanos.

Isso significa que os democratas talvez precisem conquistar apenas uma ou algumas das cadeiras em disputa acirrada para obter a maioria na Câmara.

Mas, se os republicanos ganharem uma grande parcela dessas cadeiras, poderão afirmar que conseguiram conter a onda.

A Câmara e o Senado podem seguir direções opostas.

Nas duas eleições de meio de mandato mais recentes — a de 2018, durante o primeiro mandato de Trump, e a de 2022, durante o mandato de Biden —, o partido do presidente perdeu cadeiras suficientes na Câmara para perder o controle da Casa, mas, na verdade, conquistou mais cadeiras no Senado.

Em 2018, os republicanos conquistaram quatro cadeiras no Senado, e os democratas, duas — resultando em um saldo positivo de duas cadeiras para o partido de Trump, apesar de sua taxa de aprovação estar bastante baixa na época.

Em 2022, os democratas conquistaram uma cadeira, mesmo em um cenário nacional desfavorável a Biden.

O controle da Câmara ou do Senado tem mudado com regularidade nos últimos anos, a ponto de praticamente toda eleição representar, de alguma forma, uma mudança.

Contudo, apenas duas vezes nos últimos 50 anos — na "Revolução Republicana" de 1994 e na "onda democrata" de 2006, motivada pela oposição à guerra no Iraque — tanto a Câmara quanto o Senado mudaram de comando no mesmo ciclo eleitoral.

O baixo índice de aprovação do presidente Donald Trump está prejudicando os candidatos republicanos, e algumas pesquisas recentes levam os democratas a sonhar com vitórias em lugares inesperados.

O democrata que concorre ao Senado na Carolina do Norte é um ex-governador popular, Roy Cooper.

O que concorre na Geórgia é o atual ocupante do cargo, Jon Ossoff.

O republicano que concorre no Texas é o procurador-geral do estado, Ken Paxton — uma figura relativamente impopular e envolvida em escândalos.

No Kansas — onde não há um senador democrata há quase 100 anos —, um pastor moderado que concorre pelo Partido Democrata traz novas esperanças à legenda.

Ambas as casas estão divididas por uma margem estreita.

Os democratas precisariam conquistar, no saldo final, quatro cadeiras em cada casa para obter a maioria.

Na verdade, a maioria dos republicanos na Câmara dos Representantes é a mais estreita da história.

Às vésperas do dia da eleição, há 218 republicanos — uma maioria mínima na Casa, que conta com 435 membros; vale notar que o único parlamentar independente, o deputado Kevin Kiley, da Califórnia, vota com os republicanos para fins administrativos.

Há 214 democratas e duas vagas em aberto, uma deixada por cada partido.

Seria uma grande decepção para os democratas se eles não conquistassem algumas cadeiras.

No Senado, há atualmente 53 republicanos, 45 democratas e dois independentes que atuam em alinhamento com os democratas.

Os democratas precisariam chegar a 51 cadeiras para controlar a Casa, que possui 100 membros, uma vez que o vice-presidente JD Vance, na qualidade de presidente do Senado, tem o poder de dar o voto de minerva em caso de empate.

Trump tem definido expectativas para todo o seu segundo mandato, reconhecendo o precedente histórico de que o partido do presidente costuma perder cadeiras nas eleições de meio de mandato.

Ele também tem governado com uma espécie de audácia desenfreada, realizando o máximo possível, como se antecipasse um Congresso mais hostil na segunda metade de seu mandato.

O controle da Câmara ou do Senado pelos democratas significaria uma fiscalização muito mais intensa da administração Trump, por meio de investigações e audiências — ferramentas poderosas para trazer a administração à luz e tentar moldar a opinião pública.

Presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington 15 de outubro de 2026 REUTERS/Annabelle Gordon • REUTERS Eles também teriam mais controle sobre o orçamento dos EUA.

Trump tem feito questão de não gastar verbas destinadas pelo Congresso; contudo, uma maioria democrata na Câmara e no Senado poderia impor novas restrições ao presidente por meio de projetos de lei orçamentários.

Esse poder seria menor caso os democratas assumissem o controle de apenas uma das casas.

Haverá limitações severas para os democratas, mesmo que conquistem o controle do Senado.

Em nenhum cenário plausível qualquer um dos partidos terá a supermaioria necessária para superar uma manobra de obstrução legislativa.

Isso significa que, para serem aprovados, os projetos de lei orçamentários precisariam, em última análise, de apoio bipartidário — e da anuência da Casa Branca.

Trump demonstrou disposição para permitir que o financiamento governamental fosse interrompido, mesmo quando os republicanos controlavam a Câmara e o Senado.

Os republicanos tentaram blindar algumas das prioridades de Trump contra disputas orçamentárias; eles contornaram a obstrução legislativa e recorreram ao mecanismo de reconciliação orçamentária no início deste ano para garantir o financiamento do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) por vários anos — isto é, pelo restante do mandato de Trump.

Eles sabiam que o histórico indicava a possibilidade de uma "onda" política desfavorável.

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