de prefeito de Palhoça à disputa pelo comando do poder legislativo catarinense — Camilo Martins
O deputado estadual Camilo Nazareno Pagani Martins, do Partido Liberal (PL), está no centro das articulações para assumir a presidência da Assembleia Legislativ

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Consulte formatos e valores disponíveisA política catarinense começa a desenhar uma nova configuração de poder para a próxima legislatura. O deputado estadual Camilo Nazareno Pagani Martins, do Partido Liberal (PL), está no centro das articulações para assumir a presidência da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), a partir de fevereiro de 2027.
A movimentação não representa apenas a escolha de um novo presidente para o Parlamento estadual. Envolve a força política do PL, a articulação do governador Jorginho Mello, a composição das bancadas e os projetos eleitorais que começam a ser desenhados para 2028.
O acordo anunciado prevê que Camilo comande a Assembleia até junho de 2028, quando deixaria a presidência para que a deputada Ana Campagnolo assuma o posto nos seis meses finais do primeiro biênio.
A composição também contempla o deputado Fernando Krelling (MDB), apontado nas negociações para ocupar a primeira-secretaria da Mesa Diretora.
Nascido em 30 de novembro de 1979, em Palhoça, Camilo Martins é advogado e filho do ex-deputado estadual Nazareno Martins.
Sua trajetória pública começou na área jurídica. Trabalhou em escritório de advocacia e exerceu a função de procurador da Câmara de Vereadores de Palhoça.
Em 2012, entrou na disputa eleitoral e foi eleito prefeito de sua cidade natal. Quatro anos depois, conquistou a reeleição, permanecendo à frente da administração municipal por dois mandatos consecutivos, entre 2013 e 2020.
Sua experiência no Executivo municipal constitui um dos principais elementos de sua trajetória política. Administrar uma prefeitura de porte expressivo na Grande Florianópolis proporcionou contato direto com os desafios da gestão pública, planejamento urbano, infraestrutura e prestação de serviços.
Em seus materiais institucionais, o grupo político de Camilo destaca indicadores de aprovação popular ao final de sua gestão. Esses números, entretanto, precisam ser analisados considerando a origem das informações e a metodologia utilizada.
A trajetória partidária de Camilo também merece atenção. Foi eleito prefeito pelo PSD em 2012 e 2016. Em 2022, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa pelo Podemos, conquistando 44.925 votos.
Posteriormente, ingressou no Partido Liberal, legenda pela qual disputou a reeleição em 2026.
O resultado eleitoral confirmou sua presença no cenário estadual: Camilo recebeu 63.933 votos, ampliando sua votação em relação à eleição anterior.
Durante seu primeiro mandato parlamentar, iniciado em fevereiro de 2023, participou de comissões permanentes da Assembleia e presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), uma das estruturas mais importantes da Casa.
A CCJ exerce papel fundamental na análise da constitucionalidade, legalidade e juridicidade das proposições legislativas.
Essa experiência constitui um dos elementos de sua formação parlamentar e poderá ser relevante caso assuma a presidência da instituição.
O resultado das eleições de 2026 alterou a distribuição das forças políticas na Assembleia Legislativa.
O PL conquistou 16 das 40 cadeiras, formando a maior bancada partidária da próxima legislatura.
Esse resultado ampliou o poder de negociação da legenda na composição da Mesa Diretora.
A articulação de Camilo Martins também passou pelo governador Jorginho Mello, principal liderança estadual do partido.
O entendimento construído entre os parlamentares liberais prevê uma divisão do comando da Assembleia com Ana Campagnolo, contemplando diferentes interesses dentro da própria bancada.
A deputada, que também integra o PL, assumiria a presidência em junho de 2028, caso Camilo deixe o cargo conforme o acordo.
O movimento demonstra que a disputa pela presidência não está isolada do planejamento político para os próximos anos.
Um dos aspectos mais relevantes da negociação é a participação de outras forças partidárias.
Fernando Krelling, do MDB, também aparecia nas articulações para disputar a presidência da Assembleia.
O entendimento divulgado prevê sua participação na primeira-secretaria da Mesa Diretora.
A composição demonstra a tentativa do PL de ampliar sua base de sustentação parlamentar e estabelecer pontes com outras legendas.
Segundo informações divulgadas pela imprensa catarinense, a articulação busca reunir aproximadamente 28 parlamentares em torno da base política do governador.
Esse número representa uma articulação política, não uma votação formal já realizada.
A eleição da Mesa Diretora ainda deverá observar o Regimento Interno e os procedimentos institucionais da Assembleia.
Existe outro componente importante nessa negociação: o futuro eleitoral de Camilo Martins.
Informações publicadas pela imprensa estadual apontam que o deputado pretende disputar novamente a Prefeitura de Palhoça em 2028.
A eventual saída antecipada da presidência da Alesc permitiria que ele se dedicasse à construção desse projeto eleitoral.
A divisão do comando com Ana Campagnolo também atende a uma organização interna do PL, que busca acomodar lideranças e preservar a unidade partidária.
É um movimento que conecta a disputa pela direção do Legislativo estadual às eleições municipais seguintes.
A presidência da Assembleia Legislativa tem importância estratégica para o funcionamento institucional do Estado.
Cabe ao presidente conduzir as sessões plenárias, coordenar os trabalhos da Mesa Diretora, representar o Parlamento e participar da organização das atividades legislativas.
Entretanto, o cargo não concede ao seu ocupante poder para governar Santa Catarina ou determinar unilateralmente a aprovação de projetos.
A Assembleia tem autonomia constitucional e deve exercer suas funções legislativas e fiscalizadoras, inclusive em relação ao Poder Executivo.
Para os municípios catarinenses, a composição da nova Mesa Diretora também merece acompanhamento.
As demandas por infraestrutura, mobilidade, saúde, educação, segurança pública e desenvolvimento regional passam pelo debate parlamentar e pela articulação entre deputados e representantes municipais.
Na região da AMFRI, por exemplo, temas como mobilidade regional, saneamento, infraestrutura rodoviária e transporte público exigem interlocução permanente com o Legislativo estadual.
Se eleito, Camilo Martins assumirá uma responsabilidade que vai além da representação do Partido Liberal.
A presidência da Alesc exige capacidade de diálogo com parlamentares de diferentes partidos, respeito às minorias, transparência administrativa e equilíbrio na condução dos trabalhos.
A maior bancada pode conquistar protagonismo na composição da Mesa Diretora, mas a legitimidade da presidência precisa ser construída no exercício democrático da função.
O Parlamento não pertence ao partido que ocupa sua presidência. É uma instituição pública que representa os 295 municípios e a população catarinense.
A chegada de Camilo Martins ao comando da Assembleia, caso confirmada pela eleição da Mesa Diretora, inaugura uma nova etapa de sua trajetória política.
Seu histórico como prefeito, a experiência parlamentar e a capacidade de articulação partidária explicam sua presença no centro das negociações.
Mas a avaliação de sua passagem pela presidência deverá considerar resultados concretos: transparência na gestão da Casa, respeito ao contraditório, independência do Legislativo e capacidade de colocar as demandas da população no centro das decisões.
A presidência da Assembleia é uma posição de poder, mas, acima de tudo, uma responsabilidade pública. O verdadeiro legado de quem ocupa essa função não será medido pelo tamanho de sua bancada, mas pela qualidade da representação democrática que conseguir oferecer aos catarinenses.
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