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Como um jovem que nunca tinha vencido na F1 teve um ano tão fantástico? — Opinião

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 23:00
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Como um jovem que nunca tinha vencido na F1 teve um ano tão fantástico? — Opinião
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Kimi Antonelli celebra título da Fórmula 1 após 3º lugar no GP do México Imagem: Mark Thompson/Getty Images É fácil cair na tentação de diminuir os feitos de Kimi Antonelli para ser campeão da Fórmula 1 aos 20 anos dizendo coisas como "agora é o computador que pilota" ou "teve sorte enquanto o companheiro teve várias quebras" ou o clássico "só ganhou porque tinha o melhor carro". Afinal, como explicar que um piloto que não tinha vencido uma corrida sequer até este ano simplesmente destruiu a concorrência, não apenas se tornando o campeão mais jovem da história, como também fazendo isso por antecipação?

É claro que esses três elementos fazem parte da campanha de Antonelli. Sim, o regulamento que a Fórmula 1 estreou neste ano coloca muita ênfase no gerenciamento de energia e grande parte dele está nas mãos dos engenheiros. Acontece que esse gerenciamento de energia vai mudando de acordo com o que o piloto faz ao volante. Quanto menos preciso ele for, mais será surpreendido por variações de potência, porque o sistema vai entender que precisa economizar mais aqui, usar mais ali.

E não há dúvidas de que Antonelli entendeu e internalizou isso bem mais rapidamente e de maneira muito mais eficiente do que seu companheiro George Russell.

Antonelli era tido como um prodígio desde o kart. Por conta disso, teve muito mais apoio que outros pilotos, sempre foi para todas as categorias que disputou tendo feito muito mais testes. Ao mesmo tempo, teve toda essa 'mordomia' por uma característica que seria imprescindível para a façanha que obteve neste ano: Ele aprende muito rápido.

Tanto é, que o chefe Toto Wolff o chamou de 'agente de AI', não só pela rapidez de aprendizado, mas como parece que ele nunca deixa para trás uma informação.

Dá para perceber isso no trato cotidiano com ele no paddock. Ele guarda todas as informações sobre você depois de uma conversa. Na próxima, mesmo que seja meses depois, está tudo lá.

E essa capacidade colocou Antonelli em vantagem em um ano em que era tudo novo. A experiência de Russell talvez até tenha atrapalhado, já que é natural que um piloto adquira vícios de pilotagem com o tempo que são difíceis de tirar.

As conquistas no início da temporada - a primeira pole, a primeira vitória - foram servindo para Antonelli (e essa definição é dele próprio) ir desbloqueando conquistas em um jogo de videogame. A sensação de 'eu posso fazer isso, agora qual é o próximo passo?' foi a última peça no tabuleiro para o prodígio virar um vencedor na F1.

Mas e as quebras de Russell? Sim, foram muitas, culminando com o azar de ter um motor estourado na Malásia, às vésperas de uma corrida de rua, na qual teve que cumprir punição. Mas também é fato que Russell não foi mais veloz que Antonelli ao longo da temporada. O campeonato seria mais parelho com menos quebras, mas é difícil sustentar que o resultado seria diferente.

E foi um golpe duro para o piloto britânico. Até mesmo Lewis Hamilton, quando percebeu que seria carta fora do baralho da Mercedes com a chegada de Antonelli, acelerou sua ida para a Ferrari, já dava para perceber o tamanho do talento que o time alemão via no piloto italiano.

Mas Antonelli sofreu até mais que o esperado em seu primeiro ano, dando-se muito mal com uma suspensão que estreou no meio da temporada, e havia motivos para acreditar que Russell poderia ter uma janela de oportunidade antes que o italiano se tornasse o piloto tão completo como Toto Wolff acreditava que ele podia ser.

Mas, e aí ter um novo regulamento ajudou nesse sentido, essa janela de oportunidade Russell fechou-se abruptamente na sua cara. E não foi fácil para ele, que amargou anos na Williams e fez um trabalho competente quando dividiu a equipe com um heptacampeão do mundo, assimilar esse baque.

Terceiro ponto: a superioridade da Mercedes. Isso é fato. Eles começaram com uma vantagem grande e atualizaram o carro menos vezes no ano, então foram alcançados em diferentes momentos no campeonato, antes de melhorarem de novo. Mas nunca consistentemente pela mesma equipe. Com George sofrendo, ora com quebras, ora com falta de ritmo, ficou fácil para Antonelli lidar com a pressão.

Mas mesmo quando a Mercedes não estava tão bem, Kimi estava por perto. Não é à toa que tantas oportunidades surgiram para ele. E isso não é sorte de campeão. É consistência de campeão.

As fases para o videogame do título foram todas desbloqueadas. Qual o 'chefão' da próxima?

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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