vice expõe Corinthians que precisa voltar a ser Corinthians — Análise
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google O Corinthians de 2026 está distante daquele que o torcedor se acostumou a acompanhar e que construiu — e ainda detém — a maior hegemonia do futebol feminino sul-americano. Após perder a final da Libertadores Feminina para o Cruzeiro, em Quito, o clube corre o risco de encerrar uma temporada sem títulos no futebol feminino profissional pela primeira vez desde a reativação da modalidade, em 2016. Para evitar esse cenário, resta a conquista do Campeonato Paulista, última oportunidade de levantar uma taça neste ano.
A primeira, e talvez mais difícil, consideração a se fazer é que as Brabas dificilmente voltarão a ser o que foram nos tempos áureos de Arthur Elias. Primeiro, porque o treinador hoje comanda a Seleção Brasileira. Segundo, porque o futebol feminino cresceu em competitividade, investimento e estrutura, e o Corinthians já não reina sozinho no cenário nacional e continental. Terceiro, e principalmente, porque o clube precisa se reencontrar consigo mesmo.
Isso não significa que o Corinthians tenha deixado de ser uma potência, afinal, a equipe segue como referência, disputa as principais competições e chegou a mais uma final continental. Mas o prestígio construído ao longo de uma década não é suficiente, por si só, para sustentar a competitividade de um projeto, uma vez que o crescimento dos adversários exige que o clube também evolua, especialmente em planejamento, capacidade de investimento e condições de trabalho.
Não faz muito tempo que vestir a camisa do Corinthians era o desejo de grande parte das jogadoras brasileiras e sul-americanas. Para muitas, ainda é. No entanto, o peso da camisa, a estrutura consolidada e o calendário internacional, que em 2026 incluiu até uma competição mundial, já não garantem a atração de atletas de destaque, especialmente diante de concorrentes que passaram a oferecer projetos esportivos e financeiros igualmente competitivos.
Embora a coordenadora de futebol feminino, Íris Sesso, tenha assegurado que os salários registrados em carteira e os direitos trabalhistas estão em dia, a temporada também foi marcada por atrasos em pagamentos e situações que provocaram incômodo no elenco, sobretudo em relação a premiações pendentes. Além disso, o Corinthians realizou uma janela de transferências discreta, não apresentou reforços de peso no meio do ano e chegou à Libertadores com opções limitadas para determinadas posições.
Em uma competição de tiro curto, com jogos decisivos concentrados em poucas semanas, a profundidade do elenco faz diferença. E, embora não explique isoladamente a derrota para o Cruzeiro, a limitação de alternativas precisa entrar na avaliação de uma temporada em que o Corinthians deixou escapar títulos importantes.
Na zona mista após a decisão, Íris Sesso foi questionada sobre a contratação da zagueira Agustina, que enfrentou problemas físicos e não conseguiu ter sequência durante a temporada. A dirigente evitou fazer uma avaliação técnica da atleta e explicou que sua função está relacionada à execução das demandas apresentadas pela comissão técnica.
Veja bem, o meu papel como gestora não é analisar tecnicamente nem taticamente nenhuma atleta. Eu não tenho essa capacidade. Então, as contratações, de novo, quem faz é a comissão técnica, que me pede atletas, e eu vou atrás de empresários ou atletas para fazer uma negociação, para entender se a gente consegue chegar no valor X ou valor Y. Essa é a minha função, poder buscar atletas. Infelizmente, a Agostina teve um ano que não foi muito bom para ela pelas lesões, mas não cabe a mim dizer se ela é boa tecnicamente — afirmou.
A explicação delimita as responsabilidades da gestão e da comissão técnica, mas também levanta uma questão sobre a construção do elenco. Em um cenário de maior concorrência, o Corinthians precisa avaliar não apenas os nomes contratados, mas a capacidade de antecipar necessidades, administrar riscos e oferecer alternativas para uma temporada extensa.
A derrota para o Cruzeiro também colocou em dúvida a continuidade de Emily Lima no comando técnico. Contratada após a demissão de Lucas Piccinato, que também enfrentava críticas de parte da torcida, a treinadora chegou ao Corinthians em um momento de pressão por resultados e encerrou a Libertadores com declarações que sugerem a possibilidade de uma saída.
Acho que o jogo foi muito dominado por nós. Não acredito que as substituições tenham sido pontuais. São substituições que, às vezes, nos pedem, são substituições por cartões, e não acredito que isso tenha gerado a reação do Cruzeiro de nenhuma forma. A gente manteve a posse de bola, só que, para mim, os dois pontos cruciais foram uma bola que ia para o lateral. A gente ganha de 3 a 0, não tem pressa, para quê? E depois uma bola que foi lateral e a gente, com uma zagueira, cobrando lateral rapidamente. São coisas de tomada de decisão das jogadoras que a gente tem que orientar da melhor forma possível — afirmou.
Na sequência, Emily reconheceu a dificuldade de administrar a vantagem e deixou uma declaração em tom de despedida.
Acabou que, em 15, 20 minutos, as coisas mudaram. Isso é futebol. Infelizmente, aconteceu comigo nos dois momentos e à frente do Corinthians. Agora é me reerguer, continuar trabalhando e, quem sabe, ser feliz em outro lugar.
Íris Sesso falou sobre as declarações da treinadora.
Eu não ouvi a declaração da Emily ainda, então não posso opinar sobre a minha visão. Quando todos ganhamos, somos todos que ganhamos. Quando perdemos, a mesma coisa. Eu não consigo colocar uma culpa maior em jogadoras ou em comissão técnica ou em staff. Então, preciso entender toda a situação, tudo o que está acontecendo e, com certeza, a gente vai ter uma conversa para entender para onde, que caminho, que rumo a gente vai seguir. A dirigente também reconheceu a dificuldade de assimilar a derrota e evitou antecipar decisões.
Eu não consigo ainda absorver o que aconteceu hoje, estou com a cabeça muito quente. Foi muito difícil o resultado. A ficha ainda não caiu. É inacreditável o que aconteceu. A gente não conseguia administrar, mas é aquilo, faz parte do futebol.
A fala abre margem para uma pergunta inevitável: caso a saída seja confirmada, quem o Corinthians pretende contratar? Ou, diante do atual cenário financeiro e político, quem o clube terá condições de trazer?
Questionada por decisões táticas, substituições e escolhas para o time titular, Emily terá uma conversa com a coordenação no retorno ao Brasil, como informou Iris. Enquanto isso, nas redes sociais, parte da torcida se movimenta para que ela deixe o comando técnico do Timão.
Nesse contexto, é preciso destacar que qualquer profissional que assumir o Corinthians precisa encontrar condições adequadas de trabalho para desenvolver um projeto competitivo. A troca de treinadores, sem uma avaliação mais ampla dos problemas estruturais e de planejamento, corre o risco de apenas transferir responsabilidades.
Apesar do vice continental, a temporada do Corinthians ainda não terminou. O clube tem pela frente a disputa do Campeonato Paulista, que passou a representar a última oportunidade de evitar um ano sem conquistas.
A competição, que tradicionalmente integra o calendário das Brabas como mais uma possibilidade de título, ganha um peso adicional diante dos resultados de 2026. Além do aspecto esportivo, a conquista poderia amenizar a pressão sobre um elenco que chegou à temporada com expectativas elevadas e disputou competições importantes sem conseguir levantar uma taça.
Questionada sobre a possibilidade de o Paulistão se tornar uma obrigação após a derrota para o Cruzeiro, Íris rejeitou a ideia de estabelecer uma hierarquia entre as competições e afirmou que o objetivo do clube continua sendo conquistar o estadual.
Não, de maneira nenhuma. O Paulistão é um campeonato muito importante. Eu coloco um peso de um Paulistão como o peso do Brasileirão, como o peso da Libertadores. É um campeonato que a gente quer muito buscar. Eu sei que vai ser difícil, mas a gente tem que seguir. As atletas, eu como comandante aqui do departamento, a gente tem que entender que vai chegar no Brasil, vamos ter um tempo ali para treinamento e virar a chave e buscar esse título do Paulistão, com certeza.
As incertezas esportivas se somam a um momento delicado da política corintiana. O clube se aproxima de um novo processo eleitoral, enquanto o futebol masculino enfrenta dificuldades no Campeonato Brasileiro e convive com o risco de rebaixamento. Nesse contexto, o planejamento do departamento feminino pode ser diretamente afetado pelas prioridades financeiras e administrativas da próxima gestão.
A permanência de Íris Sesso, inclusive, ainda depende de conversas sobre o futuro político do Corinthians. Na zona mista, a coordenadora reconheceu que a mudança de gestão poderá influenciar sua continuidade e afirmou que pretende dialogar com os candidatos à presidência.
Como é um ano eleitoral, como vai mudar a gestão, o presidente Osmar Stabile não está para tentar a reeleição. Então, nós temos outros candidatos que a gente vai ter que conversar, vamos entender. Eu, chegando no Brasil, vou começar. Eu conheço já os candidatos que estão aí na disputa. É tudo um processo, um trabalho, um novo trabalho. Então, eu vou sentar com eles, vou conversar, vou entender qual é a visão deles, qual é a política de trabalho deles, e quero mostrar um pouquinho o que é o futebol feminino do Corinthians hoje.
A derrota para o Cruzeiro não apaga a história construída pelas Brabas, tampouco diminui o tamanho de uma equipe que segue como a maior campeã da Libertadores Feminina. Mas expõe a necessidade de reconhecer que o cenário mudou e que a manutenção do protagonismo depende de decisões tomadas fora das quatro linhas.
O Corinthians de Arthur Elias estabeleceu um padrão de excelência que dificilmente será reproduzido nas mesmas circunstâncias. A modalidade cresceu, novos clubes passaram a investir e a concentração de talentos deixou de ser tão acentuada. Isso é positivo para o futebol feminino e deveria representar um estímulo para que o Corinthians também se reinventasse.
O desafio, portanto, não é recuperar um passado que já não existe, mas preservar os princípios que permitiram ao clube construir sua trajetória. Planejamento, continuidade, valorização das atletas, competitividade e identificação com a torcida precisam voltar ao centro das decisões.
A equipe que levou milhares de pessoas aos estádios, transformou finais em grandes eventos e fez uma geração de torcedores se apaixonar pelas Brabas não foi construída apenas com títulos. Houve um projeto esportivo consistente, uma relação de pertencimento com a arquibancada e a percepção de que o futebol feminino ocupava um lugar importante dentro do clube. É essa identidade que o Corinthians precisa recuperar. Não para voltar a vencer sozinho, como aconteceu durante tantos anos, mas para continuar sendo uma referência em um futebol feminino cada vez mais competitivo.
O Corinthians não precisa voltar a ser o Corinthians de Arthur Elias. Precisa voltar a ser o Corinthians que fez sua torcida lotar estádios, acreditar em um projeto e se apaixonar pelas Brabas. E isso começa por reconhecer que a história, por maior que seja, não ganha jogos sozinha.
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
Trump condiciona aceitação de resultado eleitoral à “honestidade” — Análise
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
O Federal Reserve cometeu um erro ao manter a taxa de juros? — Análise
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
com pole histórica no México, Hamilton mostra porque é um fenômeno na F1 — Análise
O britânico puxará o grid da categoria pela 105ª vez na carreira.



/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_bc8228b6673f488aa253bbcb03c80ec5/internal_photos/bs/2026/W/1/rCAeLxToeZGRQKbT11jw/2026-10-31t221314z-1483013826-up1emav1pq0jf-rtrmadp-3-motor-f1-mexico.jpg)