como ficam os seus investimentos? — Copom pode encerrar ciclo de cortes na Selic hoje
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Consulte formatos e valores disponíveisCopom pode encerrar ciclo de cortes na Selic hoje: como ficam os seus investimentos? Com juros elevados por mais tempo, especialistas apontam oportunidades na renda fixa e alertam para riscos dos prefixados Selic em foco: Copom pode interromper o ciclo de cortes e manter os juros em 13,75% ao ano. (Evaristo Sa/AFP)
O Comitê de Política Monetária (Copom) pode encerrar o ciclo de cortes da Selic nesta quarta-feira, 4, mantendo a taxa em 13,75% ao ano. Essa é a expectativa predominante no mercado, embora parte dos especialistas ouvidos pela EXAME ainda acredite que possa haver em uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,50% ao ano.
Apesar das divergências sobre a decisão, há consenso de que os juros devem permanecer elevados por mais tempo, favorecendo a renda fixa pós-fixada.
O Banco Central chegou ao atual patamar após cinco cortes consecutivos da Selic ao longo de 2026. Agora, as dúvidas sobre as contas públicas e a inflação mudaram as expectativas, porque as apostas do mercado passaram a favorecer a manutenção dos juros na primeira reunião após as eleições.
O CEO do Bradesco Asset Management, Bruno Funchal, ainda vê espaço para pequenas reduções da taxa básica até o fim de 2026. No entanto, avalia que a pressão sobre os juros futuros permanece elevada, principalmente diante da ausência de sinalizações sobre a condução das contas públicas.
"Mas, independente disso, acho que você tem uma pressão na curva de juros como toda para cima. E ainda não tem nenhuma sinalização fiscal", afirma Funchal.
A BB Asset também aposta em mais um corte de 0,25 ponto percentual nesta reunião, mas reconhece que o espaço para novas reduções ficou mais restrito, destacando que o mercado aguarda definições sobre a política econômica dos próximos anos, como equilíbrio fiscal e controle da inflação.
Já uma perspectiva mais conservadora veio da especialista em renda fixa da XP, Mayara Rodrigues. A instituição revisou suas projeções. "Nosso cenário atual contempla a Selic mantida em 13,75% indefinidamente até o final de 2027, sem novos cortes", de acordo com ela.
A manutenção é o cenário mais provável também na visão do diretor de investimentos da Suno Consultoria, João Arthur Almeida. "A decisão do Copom deve ser de manutenção, o que é amplamente esperado", afirma.
A diferença entre manter a Selic em 13,75% e reduzi-la para 13,50% é pequena diante do atual nível dos juros reais. Para o Artur Horta, head de análise da GTF Capital, independentemente da decisão da quarta-feira, a tendência é de uma pausa no ciclo de flexibilização monetária.
A mudança de percepção ganhou força depois do 2º turno das eleições e contratos de opções negociados na B3 passaram a indicar uma expectativa majoritária de manutenção da Selic em 13,75%.
Apesar das diferenças nas projeções para a Selic, há um ponto de convergência entre os especialistas: as incertezas fiscais e a piora das expectativas de inflação devem manter os juros elevados por mais tempo, limitando o espaço para novas reduções.
Funchal, do Bradesco Asset, considera que a ausência de sinais concretos de reorganização das contas públicas mantém a pressão sobre a curva de juros, o que influencia diretamente o comportamento dos investidores, que tendem a reduzir a exposição a aplicações de maior risco.
"Então, enquanto não tiver sinalização mínima de uma organização das contas públicas, a gente ainda vai ter pressão de juros e a gente vai ter menos risco. A procura do investidor por menos risco", segundo Funchal.
A BB Asset compartilha dessa preocupação fiscal, mas acrescenta um fator externo à análise. A gestora observa que o cenário internacional também se tornou menos favorável, com inflação global elevada e juros longos em patamares altos, exigindo maior cautela de economias emergentes.
Na XP, por exemplo, Rodrigues chama atenção para o crescimento da dívida pública, mesmo diante de uma arrecadação elevada. Para a especialista, esse desequilíbrio contribui para pressionar as expectativas de inflação e restringir o espaço para a queda da Selic.
O cenário ficou mais desafiador após o último Boletim Focus mostrar uma revisão para cima das projeções de inflação e juros para 2027. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do próximo ano passou de 4,34% para 4,76%, e a projeção da Selic avançou de 11,75% para 12,50%.
Já Almeida, da Suno Consultoria, ressalta que uma redução dos juros sem respaldo nos fundamentos econômicos pode produzir o efeito contrário ao desejado, levando o mercado a exigir prêmios de risco maiores e pressionando as taxas futuras.
Em outubro, a taxa dos títulos públicos prefixados com vencimento em 2031 saltou de 12,86% para 15,79% ao ano entre os leilões de 22 e 26 de outubro, refletindo a mudança nas condições de mercado.
Aplicações vinculadas à Selic e ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), como Tesouro Selic, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e fundos DI, continuam oferecendo rendimentos elevados sem exigir que o investidor antecipe corretamente os próximos movimentos da política monetária.
Na avaliação de Funchal, a pressão fiscal e a perspectiva de juros altos reforçam a preferência por produtos mais conservadores. "Então, enquanto não tiver sinalização mínima de uma organização das contas públicas, a gente ainda vai ter pressão de juros e a gente vai ter menos risco."
Na mesma linha, a BB Asset considera que os pós-fixados continuam sendo alternativas interessantes para investidores que buscam liquidez e menor oscilação, mesmo que o Banco Central realize mais uma redução da taxa básica.
"Os investimentos pós-fixados, que acompanham a Selic, permanecem como uma alternativa interessante para liquidez e menor oscilação", afirma a BB Asset.
Esses ativos permitem aproveitar a remuneração elevada dos juros, ao mesmo tempo que preservam flexibilidade para realizar novas aplicações, de acordo com Rodrigues, da XP. Quando oferecem liquidez diária, os pós-fixados possibilitam resgates para aproveitar oportunidades futuras.
Horta vê que os ativos pós-fixados indexados ao CDI devem continuar entre os principais beneficiados pelo cenário de juros elevados, oferecendo rendimentos acima da inflação.
Os títulos indexados à inflação também continuam no radar dos especialistas, principalmente para investidores com objetivos de médio e longo prazo.
Esses papéis oferecem uma remuneração composta pela variação do IPCA mais uma taxa real contratada, o que permite preservar o poder de compra quando mantidos até o vencimento, nas condições previstas.
A BB Asset considera que os títulos ligados à inflação apresentam taxas interessantes, mas alerta que os vencimentos mais longos ficam mais expostos à volatilidade provocada por mudanças nas expectativas de inflação, na situação fiscal e nos juros internacionais.
Mas há uma ressalva na possibilidade de venda antecipada, pois, se as taxas de mercado subirem depois da compra, o preço de um título já emitido tende a cair. Se as taxas recuarem, o movimento costuma ser inverso, provocando valorização.
Esse mecanismo, conhecido como marcação a mercado, ganhou destaque recentemente, e a forte oscilação dos juros após a reeleição de Lula afetou os preços dos títulos do Tesouro Direto e provocou interrupções temporárias nas negociações.
É nos títulos prefixados que aparecem algumas das principais divergências entre os especialistas. Esses papéis permitem contratar antecipadamente uma taxa de remuneração, mas apresentam risco de desvalorização antes do vencimento caso os juros futuros continuem subindo.
Rodrigues, da XP, recomenda uma posição mais cautelosa diante das incertezas sobre a trajetória da Selic e das taxas futuras, a preferência da instituição é por uma exposição pequena a prefixados, concentrada nos prazos mais curtos.
O diretor de investimentos da Suno Consultoria apresenta uma visão diferente. Para Almeida, as taxas elevadas podem representar uma oportunidade para investidores dispostos a assumir maior risco e manter posições por um horizonte bastante longo.
Horta, da GTF Capital, é mais restritivo, dizendo que a ausência de visibilidade sobre quando a Selic voltará a cair reduz o apelo dos prefixados. "No momento, eu ficaria fora dos pré-fixados porque a gente não tem expectativa de novas quedas da Selic no futuro, a gente não consegue ver à frente quando é que a Selic vai cair."
A divergência está na disposição de assumir o risco das taxas longas. Enquanto Almeida considera que o prêmio elevado pode justificar uma posição de longo prazo para determinados perfis, Rodrigues prefere limitar a exposição e Horta opta por evitar esses papéis.
Em outubro, a taxa do Tesouro Prefixado com vencimento em 2031 saltou de 12,86% para 15,79% em poucos dias, refletindo a mudança nas condições de mercado. Taxas maiores tornam novas aplicações potencialmente mais atraentes, mas provocam perdas de marcação a mercado.
A perspectiva de juros elevados também sustenta a atratividade de títulos bancários e do crédito privado. Entretanto, as fontes destacam que o investidor deve considerar não apenas as taxas oferecidas, mas também a capacidade de pagamento de quem emite os papéis.
A recomendação de Funchal, do Bradesco Asset, é privilegiar aplicações de menor risco, incluindo CDBs, fundos DI e fundos de crédito mais conservadores. A avaliação é que a busca por segurança deve continuar enquanto persistirem as incertezas fiscais.
Na XP, Rodrigues também vê oportunidades nos títulos bancários, mas recomenda priorizar instituições com histórico sólido de crédito e respeitar os limites de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) nos produtos elegíveis.
Para investidores mais arrojados, a especialista admite uma alocação moderada em debêntures incentivadas, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), observadas as regras de tributação de cada instrumento.
A preferência é por emissores consolidados, com receitas e fluxo de caixa previsíveis, como companhias de energia, saneamento e concessões rodoviárias, conforme os especialistas.
Embora as apostas predominantes indiquem manutenção, uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,50%, não alteraria substancialmente o cenário de juros elevados. A principal questão para os investidores seria a forma como o mercado interpretaria a decisão e o comunicado do Banco Central.
O Bradesco Asset e a BB Asset ainda consideram possível uma redução adicional dos juros. Mesmo assim, ambos destacam que as pressões fiscais limitam o espaço para uma trajetória mais prolongada de queda.
Horta também considera que a diferença entre uma Selic de 13,75% e outra de 13,50% tem impacto limitado diante do atual patamar dos juros reais. Por isso, espera uma pausa no ciclo depois desta reunião, independentemente da decisão imediata.
Já a XP avalia que um corte poderia provocar uma reação inicialmente favorável nas taxas de curto prazo, à medida que os investidores ajustassem suas posições. Entretanto, os juros de vencimentos mais longos e o câmbio continuariam pressionados pelas incertezas econômicas.
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