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como Arteta mudou Arsenal depois de duas frustrações — Do caos ao controle

Mikel Arteta mudou a maneira como sua equipe administra os jogos, e uma palavra ajuda a resumir essa transformação: controle.

Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 17:30
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como Arteta mudou Arsenal depois de duas frustrações — Do caos ao controle
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O Arsenal que venceu o Everton neste sábado (24), por X a X, não era mais aquele time que buscava transformar cada partida em uma avalanche ofensiva. Mikel Arteta mudou a maneira como sua equipe administra os jogos, e uma palavra ajuda a resumir essa transformação: controle.

A mudança também trouxe uma acusação que seria difícil imaginar em outros momentos do trabalho do espanhol. O atual campeão inglês passou a ser chamado de “ chato” por um futebol mais paciente , menos acelerado e, em determinados momentos, até previsível. Mas existe uma lógica por trás dessa escolha.

Arteta já comandou versões do Arsenal que marcavam mais, atacavam com maior agressividade e estabeleciam números ofensivos impressionantes. O problema é que elas não conquistaram a Premier League. Depois de duas grandes frustrações, o treinador parece ter chegado à conclusão de que dominar uma temporada exige mais do que simplesmente dominar o placar.

As temporadas 2022/23 e 2023/24 mostraram um Arsenal capaz de sufocar adversários e produzir muitos gols. A equipe chegou a estabelecer marcas ofensivas do clube na Premier League, mas terminou ambas sem levantar o campeonato.

Segundo a análise da “Sports Mole”, essas experiências deixaram marcas na evolução do projeto de Arteta. O Arsenal já contava com nomes como Gabriel Magalhães, William Saliba e Ben White na defesa, mas ainda aceitava partidas mais abertas e momentos de desorganização. Quando a posse era perdida, havia maior espaço para o adversário atacar.

A transformação começou a ficar mais evidente em 2024/25. A prioridade deixou de ser apenas produzir volume ofensivo e passou a incluir uma preocupação quase permanente com o que aconteceria se a jogada desse errado. Era a transição do caos para o controle.

Naquela primeira temporada de mudança, o resultado coletivo ainda não apareceu como Arteta desejava. O Arsenal perdeu terreno para o Liverpool de Arne Slot na disputa pelo título. Mas a base da equipe também estava amadurecendo.

Jogadores que alguns anos antes estavam no início ou no meio dos 20 anos chegaram a uma fase de maior experiência. A familiaridade com o sistema permitiu que o Arsenal controlasse partidas de uma forma que antes nem sempre conseguia.

Um dos símbolos dessa transformação aparece na própria circulação da bola. Em determinados momentos, o Arsenal forma uma espécie de ferradura ao redor do bloco adversário, trocando passes de um lado para o outro sem buscar imediatamente a jogada vertical.

Visualmente, não é o futebol mais empolgante. A intenção, porém, é desgastar o adversário, fazê-lo correr sem a bola e esperar a abertura que permita acelerar. Às vezes, a solução aparece em uma jogada individual. Em outras, em um desvio, numa bola parada ou simplesmente depois de tantos minutos de pressão territorial que o rival perde concentração.

Foi o que a equipe mostrou em diferentes momentos recentes. Mesmo sem construir goleadas com a frequência de outras versões do time, o Arsenal marcou pelo menos dois gols em cinco de seus últimos sete jogos em todas as competições.

Há ainda um segundo benefício: quanto mais tempo o Arsenal permanece com a bola, menos precisa defender. E quando perde a posse, o adversário ainda precisa superar uma estrutura protegida por uma defesa consolidada e por David Raya no gol.

Essa segurança ajuda a explicar por que Arteta parece disposto a aceitar o rótulo de futebol pouco empolgante. Se a escolha estiver entre uma partida caótica com muitas oportunidades para ambos os lados e outra em que o Arsenal concede quase nada, o treinador hoje tende claramente para a segunda opção.

Isso não significa que o modelo atual esteja livre de problemas. A própria composição do meio-campo levanta uma questão importante. Declan Rice e Bruno Guimarães possuem enorme qualidade com a bola, mas ambos também gostam de avançar e participar das jogadas perto da área.

Contra o Bayern de Munique, Rice teve grande atuação, mas Bruno ficou exposto em alguns momentos quando o adversário conseguiu escapar da primeira pressão e acelerar.

O problema não está necessariamente na qualidade individual da dupla. Os dois já participaram diretamente de gols um do outro nesta temporada. A questão é encontrar uma configuração que preserve a nova obsessão de Arteta pelo controle.

Myles Lewis-Skelly aparece como uma possibilidade justamente por oferecer características diferentes. Ele consegue avançar, mas tem maior predisposição para permanecer atrás da jogada, disputar bolas, sofrer faltas e proteger o espaço deixado pelos companheiros.

Uma alternativa seria utilizá-lo como peça de equilíbrio e administrar os minutos de Rice ou Bruno conforme o adversário. Isso reduziria a possibilidade de os dois meio-campistas atacarem simultaneamente e deixarem espaço para transições.

Para o duelo contra o Everton, a análise da “Sports Mole” também aponta possíveis mudanças com Viktor Gyökeres, Lewis-Skelly e Ben White entrando no time, enquanto as ausências e a necessidade de administrar o elenco podem oferecer novas pistas sobre as escolhas de Arteta. O treinador já havia utilizado Lewis-Skelly em uma função mais controladora no meio-campo na vitória sobre o Manchester City pela Community Shield.

Mas a questão central vai além de uma escalação. O Arsenal já provou que consegue produzir um futebol mais agressivo e marcar muitos gols. O que Arteta parece ter aprendido após as frustrações anteriores é que uma campanha de título também passa por reduzir o número de situações em que uma partida escapa do seu controle.

O resultado é um time menos caótico e, em alguns momentos, menos divertido de assistir. Para um Arsenal que já experimentou o espetáculo sem terminar campeão, porém, controlar pode ter se tornado mais importante do que encantar.

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