Cafu defende Neymar, cobra a Seleção e relembra o penta; Vídeo — Exclusivo
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

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Consulte formatos e valores disponíveisAngel Martinez/Getty Images for Laureus Há imagens que ficam na memória de um país. Cafu levantando a taça do pentacampeonato é uma delas. Naquele gesto, um menino do Jardim Irene, na periferia de São Paulo, erguia o sonho de milhões de brasileiros.
Antes de chegar ali, ouviu muitas vezes que não servia. Voltou, tentou de novo, conquistou seu lugar. Disputou três finais consecutivas de Copa do Mundo, venceu duas e se tornou o capitão de uma seleção que o Brasil ainda guarda com saudade.
A braçadeira reconhecia uma liderança construída no convívio: o jogador que chegava cedo, treinava mais, cobrava e cuidava dos companheiros. Em um grupo de estrelas, Cafu conquistou respeito pelo exemplo. E atravessou os maiores palcos do futebol sem perder o sorriso de quem sabia o quanto havia caminhado para estar ali.
Fora de campo, levou consigo a lembrança do menino que precisava de uma chance. Do sertão brasileiro a Moçambique, ajudou outras crianças a encontrar oportunidades. O sonho que começou no Jardim Irene abriu caminhos para os sonhos de muitos outros meninos e meninas.
No Que Dia, nossa conversa é com Cafu, o capitão do penta. Vamos falar das vitórias, das derrotas, da responsabilidade de conduzir um grupo e dos caminhos que o futebol pode abrir. E ouvir o homem que, ao levantar uma taça, fez um país inteiro levantar os braços com ele.
Coluna – No ano passado, antes da Copa, você dizia que o Brasil era favorito absoluto ao título. Depois da eliminação nas oitavas de final, o que a Copa mostrou que nós não estávamos enxergando?
Cafu – Para mim, o Brasil sempre vai ser favorito em qualquer competição em que a Seleção Brasileira entrar. Independentemente do período, de estar jogando bem ou mal, quando se fala de uma competição oficial como a Copa do Mundo, nós já revertemos várias vezes a situação: saímos desacreditados do Brasil e fomos campeões.
Eu acreditava pelo potencial do treinador, pelo potencial dos jogadores. Acreditava, como o Brasil inteiro acreditou, que o Brasil poderia chegar um pouco mais longe. Copa do Mundo sempre nos traz algumas surpresas em relação a alguns jogos. O que mudou daquele pensamento para agora talvez seja a maneira como os meninos entraram em campo. Isso fez com que a gente mudasse um pouco de ideia.
Coluna – Você escreveu depois da derrota que ela “dói, e muito”, mas lembrou que também viveu as frustrações de 1998 e 2006. O peso emocional de uma eliminação muda com o passar dos anos ou a dor de uma derrota em Copas do Mundo permanece exatamente igual?
Cafu – A de 1998 foi completamente diferente da derrota de 2006, porque em 1998 nós chegamos à final. Realmente, perder dói, perder é difícil, perder não é legal. Ninguém quer perder, mas sabemos que do lado de lá existe um adversário que também está pronto para ganhar de você.
Perder uma final de Copa do Mundo é diferente de perder na fase de grupos, nas oitavas ou nas quartas de final. O sentimento é diferente de perder nas quartas achando que conseguiria caminhar um pouco mais. São pesos diferentes.
Perdemos em 1998 e ganhamos em 2002. Em 2002, já entramos completamente diferentes do que em 1998. E mesmo ganhando em 2002, isso não me dava certeza de que ganharíamos em 2006. Copa do Mundo são jogos em que, passada a primeira fase do mata-mata, a chance de erro tem que ser mínima.
Coluna – Mas ainda dói a derrota naquela final de 1998?
Cafu – De verdade, não. Porque quatro anos depois eu já estava sendo campeão. Em 2005, perdemos uma final da Champions League para o Liverpool e, em 2007, estávamos sendo campeões novamente.
A derrota dói, mas ela não tem que ser maior do que a vitória. Eu não posso priorizar uma derrota em relação a uma vitória, a ser campeão do mundo, a ser pentacampeão do mundo. Vou priorizar sempre a vitória.
Coluna – O Brasil não conquista uma Copa desde 2002, justamente a seleção da qual você foi capitão. Depois de tanto tempo, ainda é correto explicar esse jejum apenas pelo que acontece dentro de campo ou existe algo mais profundo na formação do futebol brasileiro?
Cafu – Está na hora de quebrar esse paradigma novamente. Achávamos que iria acontecer agora, depois de 24 anos. Não aconteceu. Vamos esperar 28 anos para que o Brasil possa conquistar um título novamente. Essa sequência é ruim para a Seleção Brasileira.
Existe uma ciência exata para explicar por que o Brasil não conquista o título há 24 anos? Não tem uma ciência exata para explicar jogos de Copa do Mundo ou uma derrota de Copa do Mundo.
Depois de 1970, até ganhar em 1994, tivemos seleções consideradas por todo mundo as melhores do mundo, e acabamos não ganhando. Quem ganhou foi uma seleção trabalhadora, de operários, que sabia as suas limitações e foi campeã do mundo.
Não tem uma explicação exata, porque ninguém entra em campo para perder. A Seleção Brasileira entra para ganhar e entra como favorita. Mas talvez uma falta de concentração, talvez uma jogada ou outra que poderia ter feito melhor… A gente poderia ter superado esse recorde de 24 anos.
Coluna – Você fez parte de uma geração que chegou a três finais consecutivas de Copa do Mundo. O que aquela seleção tinha, do ponto de vista de ambiente, liderança e personalidade, que você sente falta hoje?
Cafu – Personalidade, 100%. Liderança, 100%. Comprometimento, 100%. E dedicação, 100%.
Era fácil liderar aquela seleção, porque costumo falar que não é o cargo que faz o líder, é a postura. É a postura de líder que faz com que as pessoas te sigam. Eu já estava na minha terceira Copa do Mundo, na minha terceira final, e líder é exemplo. Sabia que tinha que ser um exemplo para aqueles meninos.
Eu não podia, como líder, chegar 30 minutos depois do treinamento e sair 30 minutos antes. Chegava 40 minutos antes e saía 40 minutos depois, mostrando o meu comprometimento, a minha força de vontade e a minha dedicação àquilo que eu queria, que era ganhar a Copa do Mundo.
Tinha o papel de fazer com que todos fossem importantes diante de uma conquista. Eu poderia falar muito facilmente: “O Brasil ganhou a Copa do Mundo porque Ronaldo e Rivaldo foram os melhores”. Não. Rivaldo e Ronaldo foram os melhores em um jogo cada um. E nos outros cinco jogos? Tivemos outros melhores em campo.
Eu tinha que fazer com que aquela divisão de responsabilidade tivesse o mesmo peso. Que Kléberson e Gilberto Silva tivessem o mesmo peso que Ronaldo e Rivaldo. Que Cafu e Roberto Carlos tivessem o mesmo peso que Roque Júnior e Lúcio. Fazia com que todo mundo se sentisse igual e importante naquele ambiente, independentemente de quem fosse fazer o gol ou dar o passe.
Sabíamos que quem ia fazer os gols era Ronaldo e Rivaldo. Então, vamos jogar para Ronaldo e Rivaldo, sem vaidade nenhuma. Eu não ia ser artilheiro da Copa. Roberto Carlos não ia ser artilheiro da Copa. Fazia com que nosso time jogasse para eles e com que aqueles dois jogassem para o nosso time. Falava: “A força de vocês dois está em nós, e a nossa força são vocês”.
Não tinha vaidade naquele time. A gente dividia a responsabilidade. Sinceramente, não vi isso desde 2002 nas seleções que disputaram a Copa do Mundo. Não vi essa divisão de responsabilidade. Não vi a alegria dos meninos de um jogar para o outro, de um ficar feliz com o gol, com o drible, com a conquista do outro.
Talvez seja isso que esteja faltando na Seleção Brasileira: o comprometimento de jogar em equipe, de jogar para a equipe, independentemente de quem vai se destacar.
Eu falava: “Você não vai ser o melhor todo dia, mas é obrigado a dar o seu melhor todo dia. Esse jogo vai ser o jogo da sua vida. Pode ser contra o adversário que for. Pense que é o último jogo, a chance que você tem de chegar a uma final”.
Sempre estimulava os meninos nisso. Por isso a seleção foi campeã da maneira como foi. Não existia vaidade, não existia “eu fiz, eu ganhei”. Nós fizemos e nós ganhamos.
Coluna – E você não viu isso em nenhuma das seleções que vieram depois?
Cafu – Depois de 2002, até hoje, não vi em nenhuma. Comento muito isso com os meninos: “O que falta é exatamente isso. É um jogar para o outro, ficar feliz com a conquista do outro, com o gol do outro, abraçar o outro porque o cara deu um passe”.
Dificilmente vi isso nessas últimas seleções. Talvez agora, com quatro anos para trabalhar a Seleção Brasileira, Ancelotti possa trazer isso novamente, fazer com que os meninos tenham o prazer de ver a conquista do outro dentro de campo.
Coluna – Você acha que pode ser uma questão geracional, pela fama nas redes sociais, pelos contratos ainda mais milionários?
Cafu – Eu não jogaria essa desculpa nos contratos milionários, porque o mundo se modernizou. Todo mundo ganha de acordo com o que o período permite. Na nossa época, ganhávamos muito bem também. Na época dos meninos, eles estão ganhando muito bem. Isso não vou contestar jamais. Acho que cada um ganha aquilo que merece, que faz por merecer. Independentemente de estar jogando bem ou mal, é mérito de quem está lá.
Mas não vejo esse comprometimento de grupo. Quando falo comprometimento de grupo, é jogar para o grupo, ter a noção de que você está ali representando 220 milhões de brasileiros. “Estou representando o Brasil. Não estou representando a minha marca própria, só o meu patrocinador. Estou representando meu pai, minha mãe, meus filhos, meus netos, meus amigos. Estou representando o povo brasileiro.”
Isso nós tínhamos, conseguimos filtrar naquela época. Hoje tudo se modernizou. Dificilmente as pessoas vão para uma entrevista coletiva. Estão fazendo comunicado, falando com a imprensa pelo celular. Não têm mais esse contato direto. As cifras são completamente diferentes das da nossa época, mas são os períodos.
Não colocaria a derrota da Seleção Brasileira na conta das redes sociais, de serem popstars ou dos contratos publicitários milionários. O que analiso é o que podem fazer dentro de campo, o que devem fazer e o que têm que deixar fora de campo.
Essa era a função do capitão. Eu era um elo entre jogador e treinador, jogador e imprensa, treinador e torcida, jogador e torcida. Filtrava tudo para fazer com que os meninos entrassem em campo e falava: “Esquece tudo lá fora, irmão. Aqui você vai jogar futebol. Faz o que tem que fazer aqui. Porque lá fora você só vai ganhar se estiver bem aqui. Investe em você aqui e depois vai desfrutar de tudo o que tem lá fora”.
Talvez seja um pouco disso que esteja faltando, ou alguém que fale isso para eles, alguém que possam escutar. Mas quem vai falar? Tem que ser alguém que realmente passou por aquilo. Alguém que passou por Copas, ganhou e perdeu, bateu recordes, conquistou títulos. Nosso time é bom. O que está faltando é exatamente isso, um pouco mais de concentração.
Coluna – Quando uma seleção como a brasileira cai precocemente em uma Copa, quem precisa assumir a responsabilidade primeiro: o treinador, os jogadores mais experientes ou as lideranças da CBF?
Cafu – Nós que entramos em campo. CBF não entra em campo, treinador não entra em campo, jornalista não entra em campo, parente não entra em campo, torcida não entra em campo.
Muitas pessoas atribuem a derrota ao treinador que escalou mal, à CBF que está vivendo uma crise, ao Brasil, à família. Não. A responsabilidade dentro de campo é nossa.
Quando falam: “O treinador tirou fulano e colocou sicrano, e não deu certo”. São os melhores jogadores. Qualquer um que eu tirar e qualquer um que colocar é o melhor. Não existe o pior na Seleção Brasileira.
Talvez um posicionamento equivocado possa atrapalhar um jogo. Talvez o treinador tenha mexido errado. Mas, mesmo o treinador mexendo errado, eu entrei em campo. Então a responsabilidade é minha.
Independentemente de o treinador colocar fulano, sicrano ou beltrano, a responsabilidade de jogar futebol é do jogador. O treinador pode substituir errado, pode se equivocar, mas a responsabilidade, 80%, é nossa, porque somos nós que entramos em campo.
Coluna – Na final de 1994, quando você entrou no lugar de Jorginho, eu estava com minha família e amigos vendo o jogo. Depois da tensão com a saída dele, todo mundo começou a gritar seu nome. Você tem noção do tamanho disso?
Cafu – De verdade, Matheus, eu tenho. Talvez vocês não tenham noção do quanto treinei esperando aquele momento.
Sempre fui muito disciplinado. Sabia que Jorginho era titular absoluto. Eu treinava para treinar o Jorginho. Treinava bem para forçá-lo a treinar bem, para ele estar bem dentro de campo. Porque, se Jorginho estivesse bem e ganhasse a Copa do Mundo, eu estaria ganhando minha primeira Copa do Mundo.
Treinei 32 dias arduamente, esperando uma oportunidade de jogar um jogo da Copa. Minha oportunidade chegou na final.
Lembro como hoje: Jorginho colocou a mão na coxa, Parreira virou para trás e falou: “Cafu, Jorginho colocou a mão na coxa”. Falei: “Eu vi, professor. Estou vendo. Estou há 32 dias treinando, esperando uma oportunidade”.
Ele tomou um susto: “Cafu, você está pronto?”. Falei: “Professor, tem 32 dias que estou pronto”. Eu me preparei para jogar um jogo da Copa do Mundo, e esse jogo foi a final.
O que passo nas minhas palestras para esses meninos é exatamente isso: por que você vai treinar só se souber que vai jogar? Treine como se fosse jogar. Copa do Mundo passa muito rápido e tudo pode acontecer em questão de segundos.
Do primeiro treino até o final da Copa, treinei no mesmo ritmo, concentrei no mesmo ritmo. Em qualquer minuto em que me colocassem para jogar, eu estava preparado.
Hoje talvez não veja esse comprometimento. Vejo assim: “Não vou jogar mesmo, fulano é titular absoluto”. É o comprometimento de estar pronto, preparado.
Se eles soubessem o quanto é bom ganhar uma Copa do Mundo, iriam querer ganhar todo dia. A Copa muda a história de muita gente, muda a nossa história, a história do atleta. Ele vai passar a ser campeão do mundo. Não existe ex-campeão. É campeão para sempre.
Quando era capitão, eu estimulava todo mundo nisso: ganhar, ganhar, ganhar. Esteja preparado. Talvez o treinador fale para você jogar hoje, e você está treinando mole?
Um erro de cinco minutos numa Copa do Mundo joga fora o trabalho de quatro anos. É injusto. Por quatro anos vão falar que você não presta, por causa de cinco minutos. Olha o tamanho da responsabilidade que carregamos. Eu tinha noção dessa responsabilidade e sempre passava isso para os meninos.
Coluna – Romário contou que um dos gols mais feitos que perdeu na carreira foi justamente depois de um passe seu naquela final de 1994. Como você se lembra daquele lance?
Cafu – Foi só na final da Copa do Mundo, contra a Itália. Lembro quando a bola foi colocada na diagonal para mim. Entrei fazendo o facão pelo meio. Quando vi aquele espaço entre o goleiro e o zagueiro, falei: “Vou colocar ali, porque com certeza Romário vai chegar”.
Quando cruzei e vi Romário dando o carrinho, já estava até comemorando. “Ele vai chegar, ele vai chegar.” Ele chegou com a perna contrária. Se chega com a outra perna, fazia o gol.
Ele falou recentemente: “O gol mais feito que perdi foi esse na Copa do Mundo de 1994”. Eu iria me consagrar, não é? Primeira Copa, tocando para Romário, e Romário fazendo o gol com passe do Cafu.
Mas é estar preparado. O que falo para todo mundo é: esteja preparado para as oportunidades. O que a gente não pode, quando se fala de Seleção Brasileira, é não estar preparado.
É estar ligado no que está acontecendo. Se o treinador olhar para você: “Estou pronto”. É esse comprometimento de que falo, independentemente de quem vai jogar. É a Seleção Brasileira. Quando perde, perde todo mundo.
Coluna – Carlo Ancelotti decidiu iniciar uma renovação da Seleção depois da Copa. Como fazer uma mudança de geração sem perder referências dentro do vestiário, especialmente em um grupo que não teve a experiência de ganhar uma Copa?
Cafu – A mudança é inerente ao momento, sem sombra de dúvida. Terminou um ciclo, começa outro. Ancelotti pegou um ciclo vicioso, de quase 12 anos com o mesmo time jogando junto. Pegou esse ciclo com um ano, um time quase classificado para a Copa, sem ter tempo de treinar, de dar um padrão de jogo.
Trabalhei com Ancelotti cinco anos. Ancelotti é o dia a dia, o treinamento, o tete a tete, a conversa, tocar no ombro, mostrar, explicar, falar.
Agora ele vai ter um ciclo novo. Tem quatro anos para montar uma seleção, dar um padrão, criar uma identidade. Fazer com que os nossos jovens, quando a Seleção Brasileira for jogar, já tenham a seleção em mente, tanto os titulares como os reservas.
O que precisa priorizar agora é montar uma base, um time. Falar: “Meu time vai partir dessa base”. A partir daí, você começa a encaixar. Esse machucou, traz outro; esse tomou cartão amarelo… Mas precisa ter uma base.
Ele colocou alguns jogadores experientes, de outras Copas, para começar esse time. Precisa de jogador cascudo, experiente, que tomou pancada, que já disputou uma Copa do Mundo. Líderes de verdade, para deixar esses meninos tranquilos e fazer com que cheguem a um ambiente bom.
Vai ter quatro anos para montar esse ambiente e a Seleção Brasileira. Vamos ter eliminatórias muito tranquilas, com o Brasil praticamente classificado para a Copa. Ele vai precisar treinar o time e criar uma identidade, para que o Brasil decore esses jogadores.
Coluna – Você, que conhece Ancelotti, está esperançoso para esse novo ciclo?
Cafu – Estou esperançosíssimo. Tenho certeza de que vai ser um ciclo completamente diferente, porque vai começar do zero. Ele vai começar um trabalho que será dele. Os meninos vão entender o que ele quer, e isso é muito importante.
Volto a falar: ele pegou um ciclo vicioso, de quase 12 anos jogando junto. É difícil quebrar isso. Ele tentou, mas o tempo não foi hábil. Agora tem quatro anos para fazer isso.
Coluna – No ano passado, você dizia que Neymar seria uma peça fundamental para o Brasil. Ele foi à Copa, e agora Ancelotti anunciou o encerramento do ciclo de alguns veteranos. Que balanço você faz da trajetória de Neymar na Seleção e do peso colocado sobre ele durante tantos anos?
Cafu – Falar de Neymar na Seleção Brasileira, para mim, é muito fácil. Os números são impressionantes, falam sozinhos. Neymar bateu quase todos os recordes da Seleção Brasileira em termos de jogos, de números, de conquistas. Infelizmente não ganhou uma Copa do Mundo, mas, fora isso, bateu recordes dos maiores jogadores da história do futebol mundial.
Não tem como contestar os números de Neymar na Seleção. Era uma peça fundamental, até o momento em que se machucou. Se não se machuca e vai 100% para a Copa do Mundo, faria a diferença. Porque Neymar faz a diferença.
Ele ficou muitos anos sozinho. Falei isso e não tenho vergonha nem medo de falar. Durante 15 anos, ficou sozinho na Seleção Brasileira, tendo que fazer tudo: bater escanteio, falta, pênalti, tiro de meta, brigar com o juiz, falar com o juiz, discutir com o treinador.
Não tinha ninguém que pudesse protegê-lo. Quando falei que Neymar estava sozinho e que não podia ser o capitão da Seleção, falei nesse aspecto: nós tínhamos que proteger Neymar. Não tínhamos que deixá-lo ser a linha de frente. É o nosso maior craque, nosso maior ídolo, nossa maior estrela.
Era o que falávamos para Ronaldinho: “Esquece juiz, torcida, todo mundo. Você vai se divertir e nós vamos te proteger”. Era o que eu pleiteava para Neymar. Esse menino tinha que ser protegido.
Em todas as seleções em que joguei, quando não era titular, como em 1994, era protegido pelos mais velhos. Quando virei capitão, falei: “Me protegeram quando fui para a Seleção. Agora preciso proteger esses meninos”.
Protegemos Ronaldinho, Kaká, Rivaldo, Ronaldo. Esses caras precisavam estar livres, se divertir. Neymar tinha que pensar só em jogar futebol, dar chapéu, dar caneta, fazer gol de placa, fazer golaço, bater recorde. E nós tínhamos que protegê-lo.
Só que veio numa geração em que ninguém o protegia. Ele queria ser o protetor, mas precisávamos dele de outra forma. Como precisávamos de Ronaldinho, Ronaldo, Rivaldo, Kaká: “Vai se divertir, vai jogar, vai brincar. Deixa que a gente segura a bronca aqui nas pauladas”.
Não vi ninguém que protegesse Neymar da maneira como ele tinha que ser protegido.
Coluna – Quando você critica a falta de comprometimento dessa geração, Neymar fica fora dessa avaliação? Você sentia comprometimento nele?
Cafu – Sempre teve. Em todos os jogos, se você pegar o que Neymar fez na Seleção Brasileira, ele sempre se comprometeu com a Seleção.
Às vezes queria até dar algo mais, mas via que não dava. Em um momento, falava: “Caramba, o que eu faço?”. Tinha um comprometimento muito forte. Tanto é que entrou contra a Noruega com 20 minutos, foi, buscou, tentou, fez o que podia fazer. Os números de Neymar são indiscutíveis quando se fala de Seleção Brasileira.
Coluna – Você costuma dizer que existem dois tipos de líder: aquele que é temido e aquele que é respeitado. Como um jogador conquista respeito em um vestiário da Seleção Brasileira, onde praticamente todos chegam como estrelas de seus clubes?
Cafu – Exemplo. Não é o cargo que faz o líder, é o exemplo. O meu era chegar cedo e sair tarde, ver como todo mundo estava: “Você está bem? Não está bem? Vamos treinar?”. Ser o primeiro a puxar a fila, o último a sair do vestiário, o primeiro a chegar ao almoço e o último a sair. Conversar e falar com todo mundo.
Nunca fui mais técnico do que Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho ou Neymar. Mas é o exemplo de liderança, de disciplina, de treinamento, de comprometimento.
Se era para treinar às nove, chegava às oito. No primeiro dia não tinha ninguém. No segundo, já tinha dois. No terceiro, três. No quarto, quatro. Esse é o exemplo, o líder respeitado.
O líder não tem que ser temido, tem que ser respeitado. Quando as pessoas fazem as coisas pelo líder, é porque ele é respeitado. Vão com você até o final.
Eu nunca falava: “Faz isso”. Falava: “Acho que, se fizermos dessa maneira, talvez possa melhorar. O que você acha?”. Divisão de responsabilidade. “Se fizermos dessa maneira, acho que vai dar certo. Tenta. Se não der, a gente tenta de outra forma.”
Nunca coloquei o dedo na cara de um cara e falei: “Faz isso”. É o líder que não te cobra publicamente, cobra individualmente, mas publicamente vai te elogiar. Porque o erro é inerente a qualquer um. Errou? “Vamos embora. Na próxima a gente acerta.” Depois: “Não vamos cometer mais esse erro, porque pode prejudicar”.
Sempre tive o respeito desses meninos. Para disputar quatro Copas do Mundo, você tem que abdicar de muitas coisas. Abdiquei de tudo em prol daquilo que queria, que era estar na Seleção Brasileira. Treinava, descansava, concentrava. Era minha vida.
Falava para eles: “O melhor investimento que vocês fazem é em vocês mesmos, no seu corpo. Até onde você quer chegar? Até quando quer jogar?”. Quer jogar até os 30? Vai se dedicar para jogar até os 30. Quer jogar até os 40? Vai fazer dobrado. Está disposto a abrir mão disso tudo?
Ninguém decide por você. A decisão de parar ou não é sua. Enquanto achar que está comprometido, se dedicando, ajudando o seu time, continue.
Coluna – Está faltando um capitão na Seleção Brasileira que exerça essa liderança que você descreve?
Cafu – Está. Marquinhos é um grande capitão, foi o que ficou mais tempo na Seleção Brasileira. Talvez falte esse passinho de assumir essa responsabilidade realmente como líder.
Ele tem tudo para fazer isso. Já está indo para mais uma Copa, é um jogador muito vitorioso no Paris Saint-Germain. Assumir essa postura, falar: “Sou o capitão, sou o líder e sou o exemplo”.
Chamar os meninos e falar: “De agora em diante mudou. A responsabilidade é diferente. O grupo vai ser dessa forma. Mister, conta comigo para o que der e vier. Vamos estar juntos nessa jornada”.
Quando perde, perde todo mundo. O capitão é uma peça fundamental em um grupo, principalmente na seleção, porque é pouco tempo para estar junto.
Você está lidando com os melhores nos seus clubes, estrelas, jogadores que, quando saem da seleção e vão para os clubes, são reis. De repente, chegam à Seleção Brasileira e não jogam.
Você tem que ver que os outros estão no mesmo nível. Eu conseguia fazer com que todo mundo se sentisse importante, sabendo da responsabilidade. “Vai jogar esse, mas, se você estiver pronto e precisar, está no mesmo nível. É uma decisão do treinador, só podem jogar 11.”
Talvez falte isso para o capitão: assumir realmente essa responsabilidade.
Coluna – Você saiu do Jardim Irene, foi dispensado várias vezes no início da carreira e acabou levantando a Copa do Mundo como capitão. Quando olha para um menino de periferia hoje, o caminho até o futebol profissional ficou mais acessível ou mais difícil?
Cafu – Na minha avaliação, ficou bem mais fácil do que na minha época. Do Jardim Irene até o meu primeiro contrato profissional, foram nove tentativas, nove nãos, nove peneiras. Fui recusado nove vezes.
Na nossa época, achava que esses nãos eram normais, que, para se transformar em jogador de futebol, tinha que passar por tudo isso.
Essa geração, no primeiro não, desiste. No primeiro não, chora. No primeiro não, vai fazer um vídeo falando que o treinador não gosta dele. Vai para as redes sociais, a população se comove, esse menino vai estar empregado, mas talvez não vá ser um campeão. Porque criança que não se frustra quando é pequena vira adulto frustrado.
Quando chegava em casa e falava: “Pai, fui mandado embora”, meu pai dizia: “Essa barreira você vai superar”. De novo: “Meu filho, essa barreira só você pode superar”.
Meu pai já estava me preparando para o futuro, sabendo que não ia ser fácil. Com 12 anos, estava me preparando para os nãos que poderia tomar lá na frente.
Por isso, quando tenho uma derrota ou uma conquista, não me empolgo com a conquista, mas também não me abalo com a derrota. Sei que isso pode acontecer a qualquer momento, por causa daqueles nãos que tomei no começo, quando tinha tudo para parar de jogar futebol e seguir outra vida.
Quando morava no Jardim Irene, acordava às quatro da manhã, pegava o primeiro ônibus às cinco e depois pegava trem para chegar a Itaquaquecetuba e treinar às nove. Era sofrido, mas tinha certeza de que aquele era o caminho para chegar aonde cheguei: ser o único jogador da história a disputar três finais consecutivas de Copa do Mundo.
Talvez, se não tivesse passado por esses obstáculos no começo, não teria estrutura suficiente para aguentar os nãos. Perder uma Copa em 1998, seguir em 2002, ser campeão novamente. Perder em 2006, continuar jogando e conquistar o título com o Milan.
É difícil, mas é aquilo que você quer. E o que eu queria era ser jogador de futebol.
Talvez a maioria desses garotos não suportasse o que passamos para nos transformar em jogadores. Hoje tem scout, celular com todos os seus dados. Nós tínhamos que enfrentar uma peneira com seis times de garotos e torcer para o treinador estar olhando para você. Era mais difícil. Talvez por isso demos tanto valor à nossa carreira, à nossa profissão e àquilo que conquistamos.
Coluna – Você costuma dizer que a palavra mais importante é “oportunidade” e que seus projetos não pretendiam apenas formar atletas, mas formar cidadãos. O que o trabalho social lhe ensinou sobre o Brasil que o futebol profissional não havia mostrado? Aquela educação do seu pai é o que tenta transmitir às crianças?
Cafu – Exatamente isso. O que quero passar é que vão receber nãos, vão ter obstáculos e barreiras, mas só eles podem superá-los.
Como você supera a barreira do terceiro setor, no social? Dando oportunidade. Bato muito nessa tecla, porque a maior mentira do mundo é que nas favelas, nas periferias, nas comunidades, nos bairros só existe gente ruim. A maior verdade é que falta oportunidade.
Faltava oportunidade na minha época. Se eu tivesse uma Fundação Cafu, como montei depois que me transformei em atleta, talvez não tivesse perdido tantos amigos da maneira como perdi. Talvez outras crianças pudessem ter se formado, não como jogadores de futebol, mas como jornalistas, câmeras, assistentes, advogados, técnicos de som.
Nenhuma mãe, nenhum pai sai de casa para trabalhar e fala: “Meu filho, vai fazer coisa ruim na rua”. Falam: “Vai para a escola, vai trabalhar, faz coisa boa”. Mas, quando o menino vê que não existe essa coisa boa, vai procurar o caminho ruim.
Quando montei a Fundação Cafu no Jardim Irene, um projeto que tive durante 16 anos, não queria formar jogadores de futebol. Queria formar cidadãos. Através de cursos profissionalizantes, reforço escolar, canto, dança, coral, judô, karatê, capoeira, informática, corte e costura, artesanato, inglês, cabeleireiro.
Você faz com que a criança tenha opções. Era o que queria para as crianças do Jardim Irene: oportunidade dentro dessa sociedade maluca em que vivemos.
Quando dá a uma criança a oportunidade de pegar um caderno, um lápis, um pincel e começar a pintar, você percebe: “Ela tem um dom”. Começa a desenvolver esse dom. Mas você já deu uma oportunidade.
Tive a primeira oportunidade de fazer meu teste no São Paulo e abracei. Falaram: “Você tem 30 dias para fazer o teste”. Lembrei das barreiras do meu pai: “Só você pode superar”. Ele falava: “Não posso entrar em campo por você. Só posso te levar até a beira da linha. Dali para dentro é você”.
Cafu – Tinha 13 anos. Já sabia que tinha que superar aquelas barreiras. Não tive tantas oportunidades. Quando montei os projetos sociais, foi para mostrar que nas periferias, nos bairros, nas favelas e nas comunidades tem que ter oportunidade.
Não é só o futebol, mas usei a minha ferramenta, o esporte, para chamar essas crianças. O esporte é uma das maiores ferramentas de inclusão social que existem.
Depois fomos para o Cafuzinhos do Sertão, um trabalho com crianças que jogavam descalças no meio de cacos de vidro, espinhos, num campo de terra. Fui jogar descalço com esses meninos quando me apresentaram o projeto.
Quando cheguei, um menino olhou para mim e falou: “Você é de verdade? É o Cafu mesmo?”. Falei: “Sou”. “Mas está fazendo o que aqui?” “Vim aqui para te ver.” “Mas ninguém nunca olhou para nós.”
Falei: “De agora em diante vai olhar, porque estou olhando para vocês. Rodei 420 quilômetros para vir te ver, porque me preocupo com você. Tem gente que se preocupa com vocês”.
Depois de uma semana, todo mundo já tinha tênis, cesta básica. As crianças passaram a ter qualidade de vida, esperança. Quando fazemos um projeto social, alimentamos a esperança e o sonho dessas crianças.
Todos têm o sonho de ser alguém na vida. Você fomenta esse sonho dando oportunidade, porque não adianta fomentar o sonho de um garoto se não der oportunidade. Vai continuar sentado, sonhando pelo resto da vida.
Depois fomos para os projetos em Moçambique, com crianças que vivem com HIV. Contraíram o vírus ainda na barriga da mãe. Tomavam o coquetel na segunda-feira, por exemplo, e só iam se alimentar na quinta. Ficavam três dias sem comer.
Apresentaram o projeto, falei com algumas pessoas e com pessoas de lá. Agora essas crianças têm três refeições por dia, todos os dias. Através de uma simples palavra, conseguimos mudar a vida de algumas pessoas. Foi falar: “Me ajuda a alimentar essas crianças. Olha para elas, dá oportunidade”.
Tem também o projeto dos poços. Levamos água para onde não tinha água potável. Construímos 150 poços e vamos construir mais 150, tudo através das pessoas que estão lá.
Cedemos a nossa imagem para que pudessem trazer patrocinadores e fazer tudo lá. Uma palavra de incentivo muda uma pessoa, mas esse incentivo tem que vir com oportunidade. E qualquer um pode dar uma oportunidade, uma palavra de incentivo. Mas é fazer, não esperar os outros.
Coluna – Qual é hoje o principal desafio dos projetos sociais voltados para crianças e adolescentes: conseguir recursos, manter os jovens envolvidos, oferecer educação ou criar perspectivas reais de futuro?
Cafu – Criar perspectivas reais de futuro, mas isso vem através de verba. Se não tiver verba para manter um instituto, não tem como fazer isso, porque o instituto custa.
Tem projetos incentivados, projetos de lei de incentivo, vários projetos. Mas o maior desafio das instituições sérias são os recursos. Conscientizar as pessoas sobre as doações pela Lei de Incentivo ao Esporte e o imposto de renda. O desafio maior é recurso.
Coluna – Você diz que o futebol é uma das maiores ferramentas de inclusão social que existem. Num país ainda tão desigual como o Brasil, ele continua cumprindo esse papel ou deixou de ser para muitos jovens a porta de ascensão que foi para a sua geração?
Cafu – Continua sendo. Vejo nos eventos a que vou. O que me leva a esses eventos, a essas crianças, é o futebol, essa ferramenta de inclusão.
O esporte é o lugar onde você abraça uma pessoa que nunca viu na vida. Brinda com uma pessoa no estádio que nem sabe de onde é. É o lugar onde o preto fala com o branco, o rico com o pobre, o patrão com o empregado. Todo mundo fala com todo mundo. É o momento em que o pai discute com o filho e o filho pode discutir com o pai.
Temos que usar essa ferramenta para inclusão. O esporte tira as crianças da rua, principalmente o futebol. Tínhamos que usar essas instituições que trabalham com esporte para fazer com que as crianças se incluam na sociedade, tendo direito à igualdade.
O esporte dá disciplina, cultura, educação, socialização. Tudo o que tenho é graças ao esporte. Conheço quase todos os países do mundo, idiomas e culturas diferentes.
Quando vejo coisas ruins acontecendo no esporte, fico triste. É um momento de socialização. Você dá um carrinho no cara, pega na mão dele: “Desculpa, é meu trabalho”. O que não vejo hoje é as pessoas pedirem desculpas umas às outras.
Trabalhamos com as crianças para que socializem de maneira educada, respeitando o adversário, aceitando a derrota, porque ela vai acontecer. Não vamos viver só de vitórias.
Mesmo na derrota, você vai lá e aperta a mão do seu companheiro, porque hoje ele foi melhor do que você, mas amanhã você pode ser melhor do que ele. Hoje ele ganhou do seu time, amanhã seu time pode ganhar do dele.
É o momento de respeitar, de saber reconhecer a vitória do adversário. Sempre soube reconhecer essas vitórias. Quando perdia, falava: “Parabéns, vocês foram melhores do que a gente”.
Em 1998, quando todo mundo inventava desculpa, eu falava: “E a França?”. A França foi melhor do que a Seleção Brasileira. Mérito da França.
Coluna – Você falou isso para eles dentro de campo?
Cafu – Falei. Mérito da França, que conseguiu ganhar do nosso time. “Nós somos melhores do que eles.” Podemos até ser, mas hoje não fomos. Hoje foram eles.
Nem todo dia o melhor vai ganhar. Como diz nosso glorioso Parreira, o futebol não é uma ciência exata. Você não vai ganhar todo dia, às vezes mesmo sendo melhor. Se fosse assim, a seleção de 1982 ganharia a Copa do Mundo com o pé nas costas.
Nós, brasileiros, não temos tanto essa cultura de parabenizar o adversário por um feito conquistado. “Mas, se fizer isso, e a torcida?” Tenho que reconhecer que o meu adversário foi melhor do que eu naquele momento. Ponto.
Coluna – Você achou que a Noruega foi melhor do que o Brasil naquele jogo?
Cafu – Naquele jogo, foi. A Noruega vai ser melhor do que o Brasil sempre? Não. Mas naquele jogo foi. No jogo em que tinha que ser, foi melhor do que a Seleção Brasileira.
O Brasil chutou uma bola na trave, o goleiro fez uma defesa, mas a Noruega também teve as chances dela. Foi melhor. Ponto final. Mérito do adversário. “O Brasil não jogou nada.” Porque o adversário jogou.
Temos que voltar a essa cultura de parabenizar o adversário, as pessoas, por um feito conquistado. Não vamos ganhar sempre. Vou apertar a mão do meu amigo só quando ganhar?
Foi isso que meu pai me ensinou quando era pequeno. Mesmo quando não deu certo: “Valeu, obrigado. Vamos embora. Na próxima você consegue”.
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