Atualização: Warsh diz que eleições nos EUA não influenciaram decisão de juros e evita citar Trump
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Consulte formatos e valores disponíveisWarsh diz que eleições nos EUA não influenciaram decisão de juros e evita citar Trump Presidente do Fed evitou responder aos ataques de Trump contra integrantes do Banco Central dos EUA e sobre a próxima reunião, em dezembro Kevin Warsh: "Não vou responder a citações de autoridades públicas", afirmou (WILL OLIVER/Reprodução)
Priorizar nos meus resultados Google O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, afirmou nesta quarta-feira, 28, que as eleições de meio de mandato no país não tiveram influência na decisão de manter os juros americanos inalterados, na faixa entre 3,75% e 4% ao ano. Em coletiva de imprensa após o anúncio, Warsh disse que não ouviu nenhuma menção à política durante os dois dias de reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês), entre esta terça, 27, e quarta.
“A política não teve nenhum papel na decisão”, afirmou Warsh, ao ser questionado sobre as eleições marcadas para 3 de novembro. “Passei dois dias com meus colegas, lá em cima. Não ouvi uma única palavra sobre política. Não ouvi nenhuma referência à política, às eleições ou ao que acontecerá na próxima semana ou nas semanas seguintes”.
A declaração ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, nas quais os americanos renovarão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. A votação acontece na metade do mandato presidencial e pode alterar a composição do Congresso, com implicações para a agenda do governo de Donald Trump.
Warsh também evitou entrar no embate entre o presidente americano e integrantes do FOMC.
No início de outubro, Trump afirmou a Diretoria do Federal Reserve “gostaria de ver o país passar por dificuldades”, ao ser questionado por um repórter sobre as taxas de hipotecas do país. Na ocasião, o republicano chamou o chair do Fed de “ótimo”, mas acrescentou que o restante da diretoria “gostaria de ver o país em má situação, na minha opinião, porque acho que as taxas de juros deveriam cair”, disse Trump.
Warsh, no entanto, se recusou a comentar as críticas nesta quarta.
“Não vou responder a citações de autoridades públicas. O que posso dizer é o que vivenciei nesses cinco meses aqui. Acabamos de sair de uma discussão bastante intensa, uma discussão séria e ponderada. Acho que chegamos à decisão de política monetária correta para este momento, e me sinto honrado por estar aqui e por presidir este grupo”, respondeu.
Além de afastar a influência política da decisão, o presidente do Fed evitou antecipar os próximos movimentos do banco central. Após a divulgação da decisão de manutenção dos juros, o mercado passou a aumentar a expectativa de alta de 0,25 ponto percentual dos juros na reunião de dezembro. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probalidade de uma alta passou de 78,3% para 82,6%.
O dirigente afirmou que não pretende fazer previsões sobre reuniões futuras. “Não acredito em orientação futura sobre a política monetária, exceto em circunstâncias excepcionais ou em uma crise”, disse. Warsh acrescentou que, em condições normais, não é favorável a esse tipo de sinalização, especialmente diante da força atual da economia americana.
“Também não acredito em fazer julgamentos sobre reuniões futuras. Muitas coisas podem acontecer. Portanto, não vou compartilhar minhas reflexões sobre o que acontecerá quando esse grupo voltar a se reunir daqui a seis semanas”.
A próxima reunião do FOMC será nos dias 8 e 9 de dezembro. Warsh afirmou que o período até lá deverá trazer mais informações para orientar a decisão do colegiado, mas não indicou se considera provável uma nova alta ou a manutenção dos juros.
“Meu julgamento é que poderemos aprender muito e estaremos em uma posição melhor para determinar a decisão de política monetária correta e a orientação da política”, afirmou.
O presidente do Fed também avaliou que as medidas adotadas pelo banco central começam a produzir efeitos, embora ainda não haja conclusões definitivas sobre a condução dos juros. Segundo Warsh, há um entendimento predominante entre os integrantes do comitê de que a nova abordagem de política monetária está funcionando em alguma medida.
“Se você estivesse sentado ao meu lado naquela sala nos últimos dois dias, teria percebido que há um consenso amplamente predominante, um julgamento compartilhado pela maioria, de que as medidas que adotamos nessa nova abordagem de política monetária estão começando a funcionar em alguma medida, mas ainda não há conclusões definitivas”, afirmou.
O dirigente reafirmou o compromisso com a meta de inflação de 2%, medida pelo índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês), e rejeitou a possibilidade de o banco central trabalhar com um objetivo mais flexível.
“Não existe uma meta de inflação flexível. Não existe uma meta de inflação implícita. Existe uma meta de estabilidade de preços, de 2%, medida pelo índice PCE”, disse.
Warsh também comentou o aperto recente das condições financeiras, que incluem fatores como juros de mercado, spreads de crédito e preços de ativos. Segundo o chair, o movimento está alinhado ao funcionamento da política monetária e não representa, por si só, um motivo de preocupação para o comitê.
“O principal mecanismo pelo qual essa política será colocada em prática é o aperto das condições financeiras. Elas ficaram um pouco mais restritivas desde nossa última reunião. Isso não é algo que nos incomode”, afirmou.
“Para mim, isso indica que a política monetária está funcionando. Acredito que podemos fazer isso, tornar a economia mais resiliente e prolongar sua expansão, ao mesmo tempo que alcançamos a estabilidade de preços”.
“Na minha visão, e vocês já me ouviram dizer isso antes, o objetivo não é jogar areia nas engrenagens da economia e deixar pessoas desempregadas. Não acho que precisemos fazer isso”, afirmou.
Warsh também afirmoou que ele ou o Fed, como instituição, participarão no próximo dia 5 de novembro da audiência na Casa Branca que tratará do futuro da diretora do Fed Lisa Cook. "Não que eu saiba", disse o presidente.
No início do mês, Trump assinou um memorando que manda o procurador-geral e outras autoridades federais criar uma comissão para apurar alegações de que Cook fez declarações falsas em um ou mais documentos de hipoteca.
Em junho, a Suprema Corte dos EUA decidiu que Cook poderia permanecer no cargo por enquanto. Os ministros não bloquearam de forma definitiva uma eventual remoção, mas afirmaram que ela tem direito de se defender.
A diretora, inclusive, foi um dos dois votos contrários à decisão de manter os juros na faixa entre 3,75% e 4% ao ano, como esperado pela maior parte do mercado. Ela e Beth M. Hammack votaram por uma elevação de 0,25 ponto percentual, enquanto os outros dez integrantes votantes apoiaram a manutenção.
Na reunião anterior, em setembro, o banco central havia elevado os juros em 0,25 ponto percentual, na primeira alta desde julho de 2023.
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