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Atualização: Por que o desejo de empreender favorece Flávio e desafia Lula, segundo o Ideia

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 17:00
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Atualização: Por que o desejo de empreender favorece Flávio e desafia Lula, segundo o Ideia
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O desejo de abrir o próprio negócio ou trabalhar por conta própria passou a influenciar a identificação política dos brasileiros e ajuda a explicar parte do apoio a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. A avaliação é de Cila Schumann, do Instituto Ideia, que identifica uma mudança nas expectativas de prosperidade de um eleitorado cada vez menos ligado ao modelo tradicional de emprego formal.

Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta semana mostra que 43% dos entrevistados associam melhorar de vida a ter um negócio próprio ou trabalhar por conta própria. Outros 32% consideram que a ascensão econômica está ligada à conquista de um emprego com carteira assinada e direitos garantidos.

A diferença aparece nas intenções de voto. Entre os brasileiros que desejam empreender, Flávio tem 62% das preferências, contra 34% de Lula (PT). Já entre aqueles que valorizam o emprego formal, o presidente lidera com 65%, ante 30% do senador.

Expectativa em torno da eleição deixou em segundo plano durante o dia o resultado do IPCA-15 de outubro e a alta dos rendimentos ‌dos Treasuries no exterior

Ainda assim, a perspectiva de novos ganhos é atraente para os investidores

Em entrevista ao Mapa de Risco , programa de política do InfoMoney , nesta sexta-feira (23), Cila afirmou que a divisão reflete não apenas a situação econômica atual dos eleitores, mas também a maneira como imaginam construir o próprio futuro.

“Essa promessa de prosperidade ligada ao seu próprio esforço, ela tem, sim, uma questão ideológica. Se eu me esforçar, eu vou conseguir. Se eu for fazer o meu, eu vou ganhar mais do que ter um patrão”, afirmou.

Para Cila, o crescimento do trabalho autônomo e das atividades informais mudou a relação de parte dos brasileiros com o emprego. A possibilidade de controlar os próprios horários, buscar diferentes fontes de renda e não depender de um único empregador passou a representar uma forma de ascensão econômica.

Essa transformação, segundo ela, ainda não foi plenamente compreendida pelo PT, cuja trajetória política está associada ao movimento sindical e à defesa do emprego formal.

“Quando a gente olha para o PT e para o Lula, que nasceram ali nos sindicatos com emprego formal, as pessoas hoje querem o trabalho, mas elas querem a liberdade, e isso tem que ter um entendimento a respeito”, disse.

A pesquisadora avalia que o governo Lula não conseguiu estabelecer uma comunicação consistente com esse público ao longo do mandato. Na reta final da campanha, o presidente passou a enfatizar medidas voltadas aos microempreendedores individuais (MEIs), mas a aproximação ocorreu depois de um período em que essas aspirações receberam pouca atenção, na avaliação dela.

O levantamento também indica que a preferência política não depende apenas da renda. Entre os entrevistados da classe C que desejam abrir um negócio, Flávio alcança 67% das intenções de voto. Lula, por sua vez, registra 63% entre aqueles da mesma faixa de renda que preferem um emprego formal.

A preferência pelo trabalho autônomo, contudo, não representa necessariamente rejeição aos direitos sociais. Cila afirma que pesquisas qualitativas identificam trabalhadores interessados em preservar a liberdade de organizar sua rotina, mas que também esperam garantias mínimas em situações de doença, acidente ou perda de renda.

“O trabalhador hoje quer estabilidade, mas ele quer liberdade”, resumiu.

A pesquisadora citou o exemplo de entregadores por aplicativo, que podem rejeitar a estrutura tradicional de um emprego com carteira assinada, mas ainda assim desejam proteção caso fiquem temporariamente impossibilitados de trabalhar.

Para ela, o desafio dos próximos governos será encontrar um equilíbrio entre essas duas demandas. A análise também ajuda a explicar por que a defesa de programas sociais e direitos trabalhistas não garante, por si só, a preferência de eleitores de menor renda por partidos de esquerda.

Na avaliação de Cila, a disputa política passou a envolver diferentes ideias de prosperidade. Para parte dos brasileiros, melhorar de vida significa conquistar estabilidade em um emprego. Para outros, representa ter autonomia para trabalhar e construir o próprio negócio.

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