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Atualização: Operadoras do interior do Brasil se aliam à rival de Musk para levar satélite ao celular

vão ceder frequências de 700 MHz à americana AST SpaceMobile; serviço depende da Anatel e ainda não tem data

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 17:30
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Atualização: Operadoras do interior do Brasil se aliam à rival de Musk para levar satélite ao celular
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Operadoras do interior do Brasil se aliam à rival de Musk para levar satélite ao celular Brisanet, Unifique e Iez! vão ceder frequências de 700 MHz à americana AST SpaceMobile; serviço depende da Anatel e ainda não tem data José Roberto Nogueira, CEO da Brisanet: 'Parceria com a AST SpaceMobile complementa a nossa rede e nos permite levar conectividade para além do alcance da nossa infraestrutura terrestre'. (Brisanet/Divulgação)

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 13h49 .

Priorizar nos meus resultados Google Uma operadora que começou vendendo internet via rádio no interior do Ceará, outra que nasceu como provedor de internet discada em Santa Catarina e uma terceira criada por uma fabricante de equipamentos de telecomunicações querem agora conectar celulares diretamente do espaço.

A Brisanet , a Unifique e a Iez! Telecom assinaram em conjunto um acordo comercial com a americana AST SpaceMobile para oferecer banda larga móvel via satélite direto em smartphones, em todo o território brasileiro. O anúncio foi feito em fatos relevantes nesta sexta-feira, 23.

A tecnologia, conhecida como direct-to-device (D2D), é a mesma que a Starlink, de Elon Musk, tenta trazer ao país. Até agora, nenhuma oferta comercial do tipo foi lançada no Brasil.

Na prática, o satélite funciona como uma torre de celular em órbita. O cliente mantém o chip e o aparelho que já tem, sem acessórios, atualizações ou aplicativos especiais, e passa a ter sinal fora do alcance das redes terrestres.

A proposta é viabilizar chamadas de voz, dados em banda larga e vídeo em smartphones comuns. A constelação usada será a da AST, formada por satélites de baixa órbita.

Pelo acordo, as três operadoras vão disponibilizar as frequências da faixa de 700 MHz que já detêm. Também ficarão responsáveis por investir nos gateways , as estações em solo que conectam as redes móveis à constelação de satélites.

Os termos definitivos do contrato ainda estão em negociação, e as empresas não divulgaram valores nem a divisão dos investimentos entre elas. A transação depende de autorizações e licenças da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Para as operadoras, o atrativo é ampliar a cobertura sem construir novas torres. Segundo José Roberto Nogueira, fundador e CEO da Brisanet, a parceria complementa a rede da empresa e leva voz e banda larga móvel além do alcance da infraestrutura terrestre.

Na Unifique, listada na B3 sob o código FIQE3, o diretor-presidente Fabiano Busnardo apresentou o satélite como o próximo passo da companhia, depois da fibra óptica e do 5G.

As três têm origens diferentes, mas um ponto em comum: arremataram lotes regionais no leilão do 5G de 2021 e hoje disputam a telefonia móvel com Claro, Vivo e TIM fora dos grandes centros. Cada uma atua em uma região diferente do país.

A Brisanet foi fundada em 1998 em Pereiro, com a proposta de levar conectividade ao interior nordestino. Em 2010, já era a maior operadora de internet via rádio do país. A partir de 2011, migrou para a fibra óptica.

A companhia abriu capital na B3 em julho de 2021. No mesmo ano, venceu lotes regionais do leilão do 5G no Nordeste e no Centro-Oeste e passou a atuar também como operadora móvel.

Ao fim de maio de 2026, a empresa somava 1.578.364 casas conectadas, das quais 1.540.007 por fibra até a residência. No mesmo mês, a operação móvel ultrapassou 1 milhão de acessos, quase o dobro de um ano antes.

O próximo território é o Centro-Oeste. A Brisanet começou a vender chips na região em agosto, com investimento de R$ 100 milhões. A meta é chegar a 115 municípios, sendo 62 em Goiás e 53 em Mato Grosso do Sul, com foco em cidades de pequeno e médio porte.

A Unifique surgiu em novembro de 1997 em Timbó, no Vale do Itajaí, com o nome TPA (Timbó Provedor de Acesso), vendendo internet discada. A marca atual foi adotada em 2014, com a expansão pelo estado.

Em 2021, a empresa levantou R$ 818 milhões no primeiro IPO de um provedor regional na B3, dias antes da estreia da Brisanet. No mesmo ano, venceu o leilão do 5G na faixa de 3,5 GHz em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Ao fim de junho de 2026, a Unifique tinha 909 mil assinantes de banda larga fixa e 337 mil acessos móveis, quase o dobro de um ano antes. A meta é encerrar 2026 com cobertura móvel em 440 cidades, com a entrada em São Paulo e no Paraná.

A Iez! é a mais nova das três. A operadora pertence ao Grupo Greatek , fabricante de equipamentos de telecomunicações fundada em 1997, com produtos como amplificadores de sinal para antenas parabólicas.

Pela empresa Cloud2U, o grupo arrematou em 2021 a licença regional de 5G em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. A marca Iez! foi lançada em 2023. Neste ano, a operadora também venceu um lote da faixa de 700 MHz para os três estados.

O modelo da Iez! se apoia em parcerias com provedores regionais de internet, que usam sua rede para vender serviços móveis com a própria marca nas cidades do interior.

A parceira escolhida pelas três disputa com a Starlink o mercado de conexão direta entre satélite e celular. Com sede no Texas e ações listadas na Nasdaq, a AST desenvolve uma rede de baixa órbita pensada como extensão das redes móveis, e não como substituta delas.

A empresa ainda está na fase de construção da constelação. No segundo trimestre de 2026, faturou US$ 31,5 milhões, principalmente com a entrega de gateways a operadoras e com contratos do governo americano.

A AST mantém a projeção de receita entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões para o ano. A meta é ter cerca de 45 satélites BlueBird em órbita até o início de 2027.

A Starlink já oferece o serviço direto no celular em outros países, sempre por meio de operadoras parceiras. Nos Estados Unidos, a parceira é a T-Mobile.

No Brasil, a empresa de Musk tem 791 mil acessos de banda larga fixa via antena, segundo dados da Anatel de maio, e é a 13ª maior provedora do país. A própria Starlink fala em mais de 1 milhão de assinantes, por metodologia própria.

No celular, porém, a Starlink depende de uma operadora parceira, porque o sinal usa as frequências da tele e o serviço não é vendido diretamente ao consumidor.

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