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o que falta para o Brasil avançar? — Descarte de eletrodomésticos

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 18:35
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o que falta para o Brasil avançar? — Descarte de eletrodomésticos
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Um conteúdo Bússola Descarte de eletrodomésticos: o que falta para o Brasil avançar? Com 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico ao ano, Brasil busca soluções entre indústria e sociedade para reciclar eletrodomésticos antigos O descarte correto de eletrodomésticos da linha branca exige logística reversa eficiente e parceria entre indústria e consumidores no Brasil (Pixel-Shot/Shutterstock)

Publicado em 23 de outubro de 2026 às 15h00 .

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + O Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico ao ano e ocupa o quinto lugar mundial, segundo levantamentos do setor. O descarte de eletrodomésticos pesados enfrenta barreiras de frete e manuseio, exigindo logística reversa com responsabilidade compartilhada entre a fabricante de eletrodomésticos Whirlpool Corporation, o poder público e a sociedade.

Por Douglas Reis, diretor Jurídico, Assuntos Regulatórios e ESG da Whirlpool para a América Latina.

Neste mês de outubro, celebramos mais um Dia Internacional do Lixo Eletrônico .

Idealizada em 2018 pelo WEEE Forum (Associação Europeia de Recuperação de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos), a data tem como objetivo conscientizar a população sobre o descarte correto de resíduos eletroeletrônicos e incentivar a economia circular.

Como esse marco ainda é pouco conhecido, convido você a olhar para a sua própria casa. Passamos anos convivendo com a mesma geladeira, o mesmo fogão ou a velha máquina de lavar. Eles se integram à nossa rotina e acompanham a história da nossa família.

No entanto, quando decidimos renovar o lar ou substituir um aparelho que já cumpriu o seu ciclo, quase sempre surge a mesma dúvida: qual é o destino certo para o eletrodoméstico antigo?

O grande obstáculo, quase sempre, esbarra nas barreiras logísticas do cotidiano: o desafio de transportar um aparelho pesado, não saber exatamente a quem recorrer, o receio de custos elevados com frete, ou o medo de acabar contribuindo para um descarte incorreto .

O Brasil já é o quinto maior gerador de lixo eletrônico do mundo, sendo o primeiro na América Latina, produzindo cerca de 2,4 milhões de toneladas por ano¹.

Com um volume tão expressivo, essa fricção logística que enfrentamos no dia a dia torna-se um problema grave, dificultando ainda mais a destinação adequada dos aparelhos.

O cenário global reflete essa mesma urgência.

Segundo a ONU, produzimos 62 milhões² de toneladas de lixo eletrônico anualmente, das quais apenas 22% são coletadas e recicladas da maneira correta. Essa ineficiência tem um preço altíssimo: resulta no desperdício de 91 bilhões³ de dólares em materiais e metais nobres, que simplesmente deixam de retornar à cadeia produtiva em todo o mundo.

Por décadas, nossa sociedade operou na lógica linear do 'comprar, usar e descartar'. Hoje, sabemos que o custo dessa conveniência se tornou insustentável para o planeta e um verdadeiro desafio para o próprio consumidor.

Para romper com essa lógica linear e efetivar a transição para a economia circular, a consolidação da logística reversa atua como uma ferramenta fundamental.

Contudo, para transformar esse cenário e garantir o destino ambientalmente correto dos aparelhos, a estruturação desse sistema não pode ser vista como uma via de mão única. A legislação acerta ao instituir o princípio da responsabilidade compartilhada , exigindo a participação ativa e proporcional de todos os elos do ciclo de vida do produto: indústria, importadores, varejo, poder público e os próprios cidadãos.

Essa complexidade ganha contornos ainda mais desafiadores quando falamos da linha branca .

Ao contrário de um celular ou de dispositivos de pequeno porte — que são fáceis de transportar e compostos por materiais de valor que ajudam a custear a própria reciclagem —, equipamentos como geladeiras e lavadoras são pesados, possuem frete oneroso e exigem manuseio técnico especializado. Nesse contexto, a atuação do setor empresarial na estruturação da logística reversa torna-se fundamental para romper essas barreiras, oferecendo ao cidadão canais práticos e seguros para a coleta e a destinação correta desses produtos.

No entanto, o objetivo de uma agenda ESG genuína e de políticas públicas eficazes vai além de apenas viabilizar a coleta.

É preciso estruturar um ecossistema economicamente viável e isonômico, onde todos os atores do mercado cumpram o seu papel e arquem com as suas responsabilidades, evitando que o peso de uma operação tão complexa recaia de forma desequilibrada sobre poucos. Por trás de um programa bem-sucedido, existe o compromisso de utilizar aprendizados técnicos, sociais e regulatórios para aprimorar continuamente a cadeia de reciclagem .

Para potencializar esse impacto, as alianças estratégicas e parcerias intersetoriais são indispensáveis. Elas engajam a sociedade e viabilizam estímulos concretos para o retorno adequado dos aparelhos.

Paralelamente, levar a conscientização sobre o consumo responsável para o ambiente escolar é o que nos ajudará a preparar as próximas gerações, garantindo que a economia circular deixe de ser uma exceção e se torne uma prática natural do dia a dia.

Por fim, dar o destino correto aos eletroeletrônicos precisa sair dos discursos e se tornar uma realidade prática na vida das pessoas.

O avanço da economia circular só se consolida quando quebramos as barreiras do cotidiano e criamos caminhos para que a atitude correta seja, também, a escolha mais viável.

É um verdadeiro trabalho em conjunto. De um lado, a indústria assume o compromisso de garantir a infraestrutura, a coleta na porta de casa e o descarte sem burocracia.

Do outro, o consumidor é quem dá o passo inicial e aciona essa rede ao fazer uma escolha consciente na hora de renovar o lar. Porque é exatamente nesse encontro, entre a solução oferecida e a atitude tomada, que a sustentabilidade deixa de ser apenas uma promessa e acontece de verdade.

* Douglas Reis é Diretor Jurídico, de Assuntos Regulatórios e ESG da Whirlpool para a América Latina, especialista em direito empresarial, também especialista em direito econômico e social, possui MBA em gestão empresarial, tendo concluído recentemente seu mestrado em direito econômico e social.

Segundo dados citados do g1, o Brasil gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. O país ocupa a quinta posição global e a liderança na América Latina nesse tipo de resíduo.

Segundo relatório da ONU de 2024, apenas 22% dos 62 milhões de toneladas gerados por ano no mundo são coletados e reciclados adequadamente. Essa ineficiência descarta US$ 91 bilhões em metais nobres e materiais aproveitáveis anualmente, aponta o Unitar Global e-Waste Monitor 2024.

Equipamentos como refrigeradores e máquinas de lavar são pesados, têm custos de transporte elevados e requerem manuseio especializado, ao contrário de aparelhos menores como celulares. Segundo Douglas Reis, diretor da Whirlpool para a América Latina, isso exige canais estruturados de logística reversa organizados pelo setor empresarial.

A legislação brasileira define o princípio da responsabilidade compartilhada para o ciclo de vida dos produtos. Com isso, indústria, importadores, varejistas, poder público e consumidores devem atuar de forma articulada no retorno e na destinação ambientalmente adequada dos equipamentos.

A indústria se compromete a disponibilizar a infraestrutura necessária para viabilizar coletas acessíveis e descarte desburocratizado. Douglas Reis, da Whirlpool, ressalta que o sistema se completa quando o consumidor toma a iniciativa de acionar esses canais ao renovar a casa.

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