Atualização: Mulheres defendem união contra machismo e desigualdade no Judiciário
O tema ganhou destaque durante a conferência internacional “Mulheres que Movem a Justiça”, realizada em Brasília até esta sexta-feira (6).

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Consulte formatos e valores disponíveisLogo compartilhamento facebook Logo compartilhamento linkedin Logo compartilhamento whatsapp Logo compartilhamento telegram Logo Compartilhar E-mail A formação de redes de apoio entre mulheres foi apontada como uma das principais estratégias para enfrentar o machismo, combater a desinformação e ampliar a presença feminina nos espaços de decisão. O tema ganhou destaque durante a conferência internacional “Mulheres que Movem a Justiça”, realizada em Brasília até esta sexta-feira (6).
O encontro reuniu comunicadoras, advogadas, jornalistas e representantes de diferentes áreas para discutir os desafios enfrentados pelas mulheres no sistema de Justiça e a importância da comunicação na construção de uma sociedade mais igualitária.
Entre os assuntos debatidos estavam a violência de gênero, o acesso à informação, a representatividade feminina e as dificuldades enfrentadas por mulheres que buscam o reconhecimento de seus direitos.
A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, destacou durante um debate realizado na quinta-feira (5) que a articulação entre mulheres foi fundamental para importantes conquistas históricas no Brasil.
Como exemplo, mencionou o chamado “lobby do batom”, movimento suprapartidário formado por parlamentares durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988.
A mobilização contribuiu para a inclusão de garantias relacionadas aos direitos das mulheres na Constituição Federal de 1988.
Segundo Pellegrino, a experiência demonstra como a atuação coletiva pode produzir mudanças estruturais na sociedade.
A dirigente também ressaltou que a organização feminina continua necessária diante dos desafios atuais.
“Atuar em rede, para quem é mulher, é estratégia de sobrevivência”, afirmou.
Durante sua participação, Antonia Pellegrino chamou a atenção para as possibilidades de renovação de cargos no sistema de Justiça ao longo dos próximos anos.
Ela mencionou a perspectiva de que pelo menos 40% dos cargos vitalícios sejam preenchidos na próxima década, cenário que poderia representar uma oportunidade para ampliar a participação feminina no Judiciário.
A dirigente defendeu que as profissionais da área fortaleçam suas conexões e articulações para disputar esses espaços.
A presença de mulheres em posições de liderança foi tratada como um passo importante para tornar as instituições mais representativas.
A advogada e influenciadora Sara Gabriela, responsável pelo projeto “Seja a princesa que salva a si mesma”, defendeu que o enfrentamento ao machismo também depende de mudanças culturais.
Para ela, embora a legislação brasileira ofereça mecanismos relevantes de proteção, o acesso à informação continua sendo indispensável para que as mulheres conheçam e exerçam seus direitos.
O projeto foi criado em 2019, a partir de experiências da advogada no atendimento a vítimas de violência em comunidades de Goiás.
Sara Gabriela explicou que percebeu a necessidade de ampliar o alcance das orientações jurídicas e utilizar a comunicação para enfrentar comportamentos discriminatórios.
A advogada defendeu uma abordagem direta e baseada em informações concretas, sem minimizar a gravidade das situações vividas pelas vítimas.
A advogada e influenciadora Miriane Ferreira também participou das discussões, destacando a importância de tornar o conhecimento jurídico mais acessível.
Com mais de dois milhões de seguidores nas redes sociais, ela produz conteúdos voltados à explicação de direitos, especialmente em questões familiares e patrimoniais.
Um dos problemas apontados pela advogada envolve mulheres que deixam de reivindicar direitos durante processos de separação por acreditarem que não contribuíram financeiramente para a formação do patrimônio do casal.
Segundo Miriane, muitas dessas mulheres dedicaram anos ao trabalho doméstico e aos cuidados com os filhos, atividades que também possuem relevância na organização e na manutenção da família.
A profissional ressaltou a importância de buscar orientação jurídica e conhecer as regras aplicáveis a cada regime de bens.
Ela também defendeu a solidariedade feminina como instrumento de fortalecimento e reconhecimento do trabalho realizado pelas mulheres.
Outra participante da conferência foi a advogada Mayra Cotta, criadora e produtora da série “Afiadas”, exibida pela TV Brasil.
A produção acompanha conversas entre manicures de Brasília sobre temas relacionados ao cotidiano feminino, incluindo política, maternidade e relações sociais.
Durante o debate, Mayra criticou a maneira como determinadas denúncias de violência e assédio são tratadas no sistema judicial.
Na avaliação da advogada, o aumento da disposição das mulheres para denunciar abusos precisa ser acompanhado por mudanças institucionais que garantam acolhimento e respeito às vítimas.
Ela também argumentou que ampliar a presença feminina em cargos de poder, embora importante, não é suficiente quando não há transformação na forma como as instituições lidam com denúncias de violência de gênero.
A jornalista Thayse Xavier, fundadora da plataforma “Elas trabalham”, destacou a importância da participação das mulheres nos processos eleitorais e nos espaços de decisão.
Segundo ela, a iniciativa busca incentivar o envolvimento feminino na política e ampliar a visibilidade de mulheres que atuam em posições de liderança.
A jornalista relatou ações realizadas durante o período eleitoral para estimular a participação das eleitoras.
Thayse também defendeu que mulheres que ainda não ocupam posições de poder apoiem aquelas que já conquistaram esses espaços.
A cineasta carioca Fernanda Amim acrescentou ao debate a importância do audiovisual para dar visibilidade a situações de injustiça.
Ela dirigiu o documentário “Reconhecidos”, produção que aborda o racismo estrutural e institucional a partir de falhas no reconhecimento fotográfico de suspeitos no sistema de Justiça criminal.
Para a cineasta, contar histórias é uma maneira de ampliar o debate público e aproximar a população de problemas que muitas vezes permanecem distantes do cotidiano de parte da sociedade.
A conferência “Mulheres que Movem a Justiça” encerra sua programação nesta sexta-feira (6), reforçando a defesa de uma atuação conjunta entre profissionais da comunicação, do Direito e de outras áreas.
As participantes destacaram que o enfrentamento à desigualdade de gênero exige não apenas mudanças legais, mas também acesso à informação, participação política e fortalecimento das redes de solidariedade.
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