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Atualização: Freud antecipou a neurociência? Estudo encontra paralelos em teoria sobre a mente

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 20:20
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Atualização: Freud antecipou a neurociência? Estudo encontra paralelos em teoria sobre a mente
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Freud antecipou a neurociência? Estudo encontra paralelos em teoria sobre a mente Pesquisadores identificaram semelhanças entre conceitos da psicanálise e a teoria de que o cérebro usa experiências passadas para prever e interpretar o mundo Sigmund Freud: análise aproxima conceitos psicanalíticos da teoria de que o cérebro utiliza experiências passadas para interpretar a realidade (Hans Casparius/Getty Images)

Publicado em 20 de outubro de 2026 às 16h33 .

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Neurociência Saiba mais Mais de 130 anos depois das primeiras formulações de Sigmund Freud sobre o funcionamento da mente , pesquisadores identificaram semelhanças entre conceitos da psicanálise e uma das principais abordagens da neurociência moderna .

A pesquisa, publicada na revista científica Entropy , sugere que o cérebro utiliza experiências passadas para prever acontecimentos e interpretar a realidade. Esse mecanismo pode ajudar a explicar por que algumas pessoas repetem padrões de pensamento e comportamento , mesmo quando são prejudiciais.

O estudo foi conduzido por Erik Stänicke, Bendik Sparre Hovet e Line Indrevoll Stänicke, pesquisadores ligados à Universidade de Oslo , na Noruega. Os autores analisaram conexões entre a psicanálise e o processamento preditivo , abordagem segundo a qual o cérebro faz previsões constantes sobre o que acontece ao seu redor.

A teoria do processamento preditivo propõe que o cérebro não apenas reage às informações recebidas pelos sentidos, mas também tenta antecipar o que vai acontecer .

Para isso, utiliza experiências anteriores e compara suas expectativas com o que realmente ocorre. Quando algo foge do esperado, pode ajustar sua interpretação ou agir para reduzir essa diferença.

Os pesquisadores relacionam esse funcionamento ao conceito de projeção , utilizado na psicanálise para descrever situações em que uma pessoa atribui sentimentos, intenções ou características a outra.

Alguém que passou por rejeições frequentes, por exemplo, pode interpretar um comentário neutro ou uma expressão facial ambígua como sinal de desaprovação. Isso acontece porque experiências anteriores podem influenciar a maneira como novas situações são percebidas, mesmo quando não existem evidências claras de rejeição.

Segundo os autores, enquanto a neurociência investiga os mecanismos cerebrais envolvidos nesse processo, a psicanálise busca compreender como essas expectativas afetam os sentimentos e os relacionamentos .

A pesquisa também oferece uma possível explicação para a persistência de comportamentos prejudiciais , mesmo quando a pessoa reconhece que eles causam sofrimento.

De acordo com Erik Stänicke, o cérebro busca estabilidade e previsibilidade . Por isso, tende a recorrer a expectativas conhecidas, ainda que elas não correspondam à realidade.

Uma pessoa acostumada a receber críticas, por exemplo, pode esperar desaprovação em situações novas e interpretar o comportamento dos outros de maneira negativa. Com o tempo, essas expectativas podem se tornar automáticas e difíceis de modificar.

Os pesquisadores sugerem que pensamentos negativos persistentes, ideias paranoicas e uma autocrítica intensa podem estar relacionados a modelos de previsão rígidos, que resistem a novas experiências. Assim, alguém pode compreender racionalmente que não está sendo rejeitado, mas continuar reagindo emocionalmente como se estivesse.

As semelhanças identificadas entre a psicanálise e a neurociência também podem contribuir para entender por que mudar determinados comportamentos exige tempo.

Segundo os pesquisadores, algumas reações emocionais não dependem apenas de pensamentos conscientes . Elas também estão relacionadas a hábitos aprendidos ao longo da vida. Esse processo envolve a memória procedimental , responsável por habilidades e comportamentos que se tornam automáticos com a repetição.

Nos relacionamentos, isso pode fazer com que uma pessoa continue esperando críticas ou rejeição, mesmo depois de perceber que essas expectativas nem sempre se confirmam. Por esse motivo, os autores destacam que a psicoterapia pode precisar ir além da compreensão racional de um problema.

Novas experiências emocionais , inclusive na relação entre terapeuta e paciente, podem ajudar a modificar gradualmente padrões antigos. Os pesquisadores defendem que a aproximação entre a psicanálise e a neurociência pode contribuir para uma compreensão mais ampla do comportamento humano e dos transtornos mentais .

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