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Panorama: Baterias ganham espaço no agronegócio — e podem reduzir conta de energia em 50%

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 21:20
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Panorama: Baterias ganham espaço no agronegócio — e podem reduzir conta de energia em 50%
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Baterias ganham espaço no agronegócio — e podem reduzir conta de energia em 50% Empresa mineira do setor avícola passa a armazenar eletricidade em meio a um plano de expansão de R$ 430 milhões O projeto de armazenamento de energia ocorre em um momento de ampliação da capacidade produtiva da empresa

Publicado em 20 de outubro de 2026 às 17h45 .

Priorizar nos meus resultados Google A Rivelli Alimentos , empresa mineira que atua na cadeia de produção avícola, instalou um sistema de armazenamento de energia por baterias de 1,29 megawatt-hora (MWh) em Carmo do Cajuru, Minas Gerais, com expectativa de reduzir a conta de eletricidade em aproximadamente 50%.

O projeto combina baterias da chinesa Huawei, geração solar e conexão à rede elétrica para diminuir os custos nos horários de maior demanda e garantir o abastecimento em caso de apagões.

Desenvolvida pela Powersafe e pela Zipp Energia , a instalação é a primeira para um consumidor privado em Minas Gerais a receber homologação integral da Cemig Distribuição. O sistema utiliza seis gabinetes de baterias e uma usina solar de 378 quilowatts-pico (kWp), além de manter um gerador a diesel como fonte de emergência.

As baterias foram instaladas na Granja de Matrizes da Rivelli, unidade dedicada à criação de aves reprodutoras. A tecnologia permite armazenar eletricidade para utilização nos horários de tarifas mais elevadas e manter equipamentos essenciais em funcionamento durante interrupções da rede. Dependendo das condições de consumo, a autonomia estimada pode chegar a 27 horas.

O sistema instalado na granja é composto por seis gabinetes de baterias Huawei LUNA2000, cada um com capacidade de 215 quilowatt-hora (kWh), totalizando 1.290 kWh de armazenamento.

Os equipamentos utilizam baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), tecnologia de armazenamento baseada em compostos de lítio, ferro e fosfato.

A estrutura também inclui 540 painéis solares de 700 watts-pico (Wp), distribuídos sobre três galpões, com capacidade instalada de geração fotovoltaica de 378 quilowatts-pico (kWp).

Uma das principais funções do projeto é deslocar o consumo de eletricidade para períodos de menor custo.

A estratégia, conhecida como load shifting, ou deslocamento de carga, permite carregar as baterias em horários mais favoráveis e utilizar a energia armazenada durante o horário de ponta, quando o consumo da rede costuma ter tarifas mais elevadas.

Segundo as empresas responsáveis, a solução foi dimensionada para permitir que o consumo de energia da concessionária seja reduzido a zero nesses períodos.

Outra aplicação é o peak shaving, técnica de redução dos picos de demanda elétrica. Nesse caso, as baterias ajudam a controlar a potência solicitada à rede, com o objetivo de manter a demanda máxima da granja em até 360 quilowatts (kW).

O sistema também atua na correção do fator de potência, indicador da eficiência com que a instalação utiliza a energia elétrica, para evitar cobranças adicionais relacionadas à energia reativa.

A combinação dessas funções sustenta a estimativa de redução de aproximadamente 50% na fatura de eletricidade. O percentual, porém, é uma projeção apresentada pelas empresas, e não um resultado medido após um período de operação.

Além do impacto econômico, a instalação busca resolver um problema operacional da cadeia avícola: a dependência de eletricidade para manter as condições ambientais necessárias à criação dos animais.

Na Granja de Matrizes, sistemas de ventilação, ambiência, refrigeração e bombeamento precisam funcionar continuamente. Uma falha prolongada pode comprometer as condições de criação das aves.

Antes da implantação do projeto, a transferência do fornecimento para o gerador a diesel dependia de acionamento manual.

Com o novo sistema, as baterias assumem automaticamente o abastecimento em caso de interrupção da rede elétrica . O gerador continua disponível como uma segunda camada de segurança, podendo ser acionado conforme a necessidade da operação.

Segundo os estudos de dimensionamento, em um cenário considerado crítico, com chuvas intensas e interrupção da rede logo após o horário de ponta, a autonomia estimada é de aproximadamente dez horas.

Esse período pode chegar a 27 horas caso equipamentos não essenciais sejam desligados, reduzindo o consumo de eletricidade.

Em condições favoráveis de geração solar , a autonomia também pode ser prolongada enquanto a produção dos painéis for suficiente para sustentar o consumo.

As estimativas dependem, portanto, das condições de geração e da quantidade de equipamentos mantidos em funcionamento durante uma interrupção.

O projeto preserva o gerador movido a diesel como recurso emergencial. Assim, embora amplie a participação da energia solar na operação, a estrutura não elimina o uso potencial de combustível fóssil em situações de contingência.

A infraestrutura da Rivelli inclui uma subestação dedicada de 13,8 quilovolts para 380 volts e foi projetada para operar no modelo zero grid, configuração na qual a instalação não injeta excedentes de eletricidade na rede da distribuidora.

Com isso, a energia solar produzida na granja é direcionada ao consumo da própria unidade e à estratégia de armazenamento, sem exportação para a rede da Cemig.

A integração entre as diferentes fontes permite que a eletricidade seja administrada de acordo com as necessidades da operação.

Para Renato Mondino, diretor de BESS C&I da Huawei, o projeto indica uma mudança na forma como empresas com atividades críticas podem utilizar sistemas de baterias.

“A combinação entre BESS, geração solar e gestão da demanda permite ampliar a resiliência da operação e, ao mesmo tempo, otimizar o uso da energia”, afirma.

A implantação envolveu diferentes fornecedores. A Huawei forneceu a tecnologia de armazenamento e os inversores fotovoltaicos, enquanto a Powersafe ficou responsável pelo fornecimento dos sistemas de baterias, testes e comissionamento, etapa de verificação dos equipamentos antes da operação.

A HDT Energy participou da cadeia de fornecimento , e a Zipp Energia e a KBTZ Engenharia atuaram no desenvolvimento do projeto, nas obras, na subestação e na integração da infraestrutura.

Fundada em 1985, a Rivelli Alimentos atua em diferentes etapas da cadeia avícola, incluindo criação de aves, incubatório, fabricação de rações e processamento industrial. A companhia também trabalha com produtores integrados e atende mercados internacionais.

O projeto de armazenamento de energia ocorre em um momento de ampliação da capacidade produtiva da empresa.

A Rivelli anunciou investimentos de aproximadamente R$ 430 milhões em uma nova etapa de crescimento, com o objetivo de elevar sua capacidade de abate de 200 mil para 300 mil aves por dia, um aumento previsto de 50%.

O plano também contempla investimentos de produtores integrados, que participam da cadeia de produção da companhia.

Com a expansão, o fornecimento de eletricidade permanece como uma condição necessária para sustentar atividades que dependem de ventilação, refrigeração, automação e outros equipamentos.

O valor investido especificamente no sistema de baterias da granja não foi informado no material divulgado pelas empresas. Também não foram apresentados o prazo estimado de retorno financeiro do projeto nem dados de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Embora a geração solar faça parte da infraestrutura, a instalação mantém a rede elétrica e o gerador a diesel entre suas fontes de abastecimento.

A capacidade de armazenamento de 1,29 MWh passa, assim, a ser utilizada tanto na gestão diária do consumo quanto na proteção de uma operação que não pode depender exclusivamente da disponibilidade da rede elétrica.

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