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Atualização: Entidades apontam desempenho atípico de vídeos de Nikolas no Instagram

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 17 de outubro de 2026 às 12:51
Via Exame
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Entidades apontam desempenho atípico de vídeos de Nikolas no Instagram Análise de 300 Reels mostra diferença de visualizações por seguidor, mas não comprova favorecimento da Meta Nikolas Ferreira: relatório aponta desempenho atípico de vídeos no Instagram, sem comprovar favorecimento da plataforma (Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

André Lopes Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 17 de outubro de 2026 às 09h26 .

Última atualização em 17 de outubro de 2026 às 09h32 .

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Um relatório do Sleeping Giants Brasil comparou 300 Reels de 30 perfis e identificou desempenho atípico dos vídeos de Nikolas Ferreira no Instagram. A mediana de visualizações por seguidor do deputado foi 17,2 vezes a mediana dos outros nove parlamentares analisados. Os dez vídeos selecionados superaram, individualmente, sua base de 23 milhões de seguidores. Os autores ressaltam que os dados não comprovam favorecimento pelo algoritmo. A Meta nega interferência eleitoral e atribui episódios recentes a falhas técnicas.

Um relatório do Sleeping Giants Brasil aponta uma diferença expressiva entre as visualizações dos vídeos do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram e as de outros perfis analisados. O levantamento reúne indícios de distribuição atípica, mas não permite concluir que houve favorecimento pelo algoritmo da Meta , dona da plataforma.

O estudo comparou os dez Reels mais recentes de 30 perfis, num total de 300 vídeos , com dados coletados em 11 de outubro. A mediana de Nikolas foi de 38,25 milhões de visualizações por vídeo, o equivalente a 166,3% de sua base de 23 milhões de seguidores naquele momento.

No indicador de visualizações por seguidor, o resultado do deputado foi 17,2 vezes a mediana dos outros nove parlamentares, 29,3 vezes a dos dez grandes perfis brasileiros e 33,7 vezes a dos dez grandes perfis globais selecionados. A comparação descreve a amostra, sem demonstrar a causa da diferença.

A discussão ocorre em meio à acusação da campanha de Lula de que a Meta favorece Flávio Bolsonaro. A empresa nega tratamento preferencial a candidatos ou grupos políticos.

O Sleeping Giants dividiu a comparação em três grupos: nove deputados federais com grandes bases de seguidores, três de cada campo político; dez grandes perfis brasileiros, como Neymar, Anitta e Virginia Fonseca; e dez grandes contas globais, como Cristiano Ronaldo, Selena Gomez e Kim Kardashian.

Todos os dez vídeos de Nikolas tiveram mais visualizações do que o número de seguidores da conta. O menos visto chegou a 23,3 milhões. Nenhum outro perfil repetiu o resultado em todas as dez publicações selecionadas.

Em números absolutos, os dez vídeos do deputado somaram 410,5 milhões de visualizações . Os 90 vídeos dos outros nove parlamentares, juntos, ficaram em 141,4 milhões, embora esses perfis reunissem cerca de 1,6 vez mais seguidores.

A mediana de Nikolas foi a terceira maior entre os 30 perfis, atrás apenas das de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi. O resultado também superou o de Neymar, que tinha uma base cerca de dez vezes maior.

Para os autores, chama a atenção a regularidade. O coeficiente de variação, medida que indica quanto os resultados se afastam da média, foi de 35,2%, o segundo menor da amostra. Isso mostra que a vantagem observada não ficou concentrada em um ou dois vídeos.

André Janones e Erika Hilton também tiveram medianas superiores às respectivas bases de seguidores: cerca de 109% e 102%. O relatório ressalta, assim, que desempenhos elevados apareceram em diferentes campos políticos, embora nenhum dos dois tenha combinado o mesmo patamar e a mesma regularidade de Nikolas.

O contador público de visualizações inclui repetições e não informa a origem das reproduções. Por isso, superar o número de seguidores não significa necessariamente alcançar mais pessoas diferentes nem comprova que a plataforma recomendou os vídeos a quem não seguia o perfil.

O estudo considera quatro explicações que podem se combinar: favorecimento algorítmico, bom desempenho constante dos conteúdos, circulação por redes de contas e grupos e promoção paga por terceiros. Segundo os autores, a amostra não permite separar essas hipóteses.

Há também diferenças nas datas de publicação. Quatro dos dez vídeos de Nikolas foram publicados até o primeiro turno, em 4 de outubro, e seis depois. As visualizações foram coletadas em 11 de outubro; o levantamento não mostra quantas ocorreram antes ou depois da votação.

A Resolução nº 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alterada pela Resolução nº 23.732/2024, prevê a exclusão dos sistemas de recomendação dos canais e perfis informados à Justiça Eleitoral e de seus conteúdos, ressalvadas as hipóteses legais de impulsionamento pago. O relatório reconhece que não esclareceu como a restrição foi aplicada, após o primeiro turno, aos deputados cuja disputa já havia terminado.

Em outra frente, o TSE manteve por unanimidade, na sexta-feira, 16, uma decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze para assegurar tratamento igualitário aos conteúdos das candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo a Agência Brasil e a CNN Brasil. A medida prevê multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento.

Em comunicado publicado na sexta-feira, 16, a empresa negou interferência eleitoral e afirmou que seus sistemas não distribuem conteúdo com base em ideologia política. A Meta disse que uma falha de contagem de Reels em 7 de outubro afetou criadores em mais de 100 países, sem interromper a distribuição dos vídeos, segundo sua versão.

A companhia também reconheceu erros na conta de anúncios da campanha de Lula e nos filtros da Meta AI, mas negou motivação política. O comunicado trata das acusações sobre a eleição e não apresenta uma resposta específica aos números do relatório do Sleeping Giants.

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