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Atualização: El Cid, Dom Quixote e Dom Nemésio

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 22 de outubro de 2026 às 03:03
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Atualização: El Cid, Dom Quixote e Dom Nemésio
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Marco Emerenciano Colaborador, membro da ACLA e do IHGRN ([email protected])

Se a história da Espanha é marcada por duas figuras lendárias que representam o ideal da cavalaria em épocas distintas, El Cid Campeador e Dom Quixote de la Mancha, ao ler essa crônica, tenha certeza o leitor que vai passear no imaginário pelas comunidades autônomas da Castilha e León, Castilha La Mancha e Valenciana, só citando algumas. E, para situar o leitor, a capital das três são Valladolid, Toledo e Valência. Foi em Valladolid aonde os Reis Católicos Isabel e Fernando se casaram secretamente em 1469 e faleceu o navegador Cristóvão Colombo. Em Toledo, berço da Escola de Tradutores, na época medieval, viviam cristãos, judeus e muçulmanos, conhecida como a cidade das três culturas. Em Valência, contam que o Tribunal das Águas, o mais antigo do mundo foi fundado por lá no século X.

E para dar um toque natalense, trago a figura do espanhol mais potiguar que tenho notícias: Dom Nemésio Morquecho. Foi ele o fundador do ‘Granada Bar’ na Avenida Rio Branco em 1954. Referência na cidade, mesclava as culturas potiguar e espanhola, reunindo figuras locais e do estrangeiro. Intelectuais e artistas boêmios frequentavam o restaurante e ouviam relatos entusiasmados de Nemésio sobre personagens da sua velha Espanha que se popularizaram mundo afora. Meu pai, Aécio Emerenciano, costumava ir em companhia do compadre Odilon Ribeiro Coutinho.

Contam que entre servir uma ‘una copa y outra’, dizia aos amigos na ‘barra (balcão)’, que um deles foi o herói nacional por excelência Rodrigo Díaz, ou El Cid. Outro, o Quixote, o cavaleiro de La Mancha. Enquanto o primeiro foi um guerreiro real da Idade Média e transformou-se em mito, o segundo nasceu diretamente da genialidade literária de Miguel de Cervantes no início do século XVII. Ambos cruzaram as fronteiras do tempo como os cavaleiros mais famosos de suas respectivas eras, carregando os valores de honra e justiça.

Habitantes de mundos diferentes, militar e da ficção, os dois personagens compartilham semelhanças em sua essência. A jornada deles é marcada pelo exílio e pela andança: El Cid viaja pelas fronteiras da Espanha reconquistando territórios após ser banido pelo rei, enquanto Dom Quixote percorre as estradas espanholas em uma busca obsessiva para reviver a era de ouro da cavalaria.

El Cid consagrou-se senhor dos reinos mouros de Lérida e Tortosa (Catalunha) e senhor de Valência, onde faleceu em 1099. Restaurou a religião cristã e ao mesmo tempo renovou a mesquita dos muçulmanos. Cunhou moeda, rodeou-se de uma corte de estilo oriental com poetas tanto árabes como cristãos.

Diferente de Dom Quixote, que duelava contra moinhos de vento, as campanhas militares de El Cid foram reais, violentas e estrategicamente brilhantes. Li que esteve presente na Batalha de Graus (1063), onde ganhou o título de “Campeador” ao derrotar o exército de Aragão, e na Batalha de Cabra (1079), defendendo o rei mouro de Sevilha consolidando seu respeito entre os muçulmanos.

As origens geográficas desses heróis marcam contextos históricos diferentes. Rodrigo Díaz de Vivar, o verdadeiro El Cid, nasceu por volta de 1043 no pequeno vilarejo de Vivar del Cid, na província de Burgos, cidade que foi a capital unificada da Comunidade de Castilla e León por cinco séculos. O cavaleiro da triste figura teve seu berço imortalizado logo na primeira linha de sua obra: o fidalgo Alonso Quijano, o verdadeiro nome de Dom Quixote de La Mancha nasceu em algum lugar da Mancha.

Dom Nemésio Morquecho nasceu em Pancorvo, Burgos e escolheu Natal. Comerciante e contador de histórias, transmitiu ao seu filho Pio Morquecho o amor pela cultura e culinária espanhola. Mas sobre isso pretendo escrever em breve.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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