Atualização: Disputa no Senado impõe recuos à esquerda e à direita
A direita também terá de fazer ajustes de procedimentos para se manter relevante no papel de oposição.

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7.nov.2026 às 13h00 Edição Impressa Erramos Diminuir fonte Aumentar fonte A revisão nos métodos de ação e pensamento não se impõe só à esquerda na definição do panorama político daqui em diante. A direita também terá de fazer ajustes de procedimentos para se manter relevante no papel de oposição.
Nenhuma das duas correntes tem fôlego para sustentar a dinâmica do conflito extremo, que tende a se esgotar com o tempo. Pela ordem natural das coisas, não há ânimos que se mantenham eternamente exacerbados nem energias hiperativas que as circunstâncias não arrefeçam.
A disputa pela presidência do Congresso, que começou antes da posse dos 40 eleitos e 14 reeleitos no colegiado de 81 senadores, já se avizinha como cenário de teste para uma nova configuração do embate das forças saídas há pouco de uma disputa eleitoral com perdas e ganhos de parte a parte.
O primeiro turno deu aos oposicionistas a sensação de domínio do terreno e o segundo conferiu aos governistas estímulo para recuperar o mando de campo no Parlamento.
É esse o pano de fundo da corrida pela presidência do Senado, a Casa mais sensível devido à predominância da direita e das pautas que emergiram da eleição: anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Apontados como trunfos da oposição emergente com os 29 senadores do PL, esses temas abrem espaço para a adaptação da direita à conjuntura equilibrada com a derrota na eleição presidencial. O resultado desencorajou adesão a teorias conspiratórias sobre a lisura do processo e deve desestimular também mergulhos profundos na agenda inscrita no manual do golpismo.
A oposição precisa da presidência do Senado para se manter à tona. Pragmática, escolheu duas candidaturas —de Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS)— refratárias a extremismos e de perfis complementares, cujo propósito é o de ir levando devagar os barcos da anistia e do impeachment de ministros do Supremo.
Não garante êxito, mas significa que o jogo está em aberto.
Erramos: o texto foi alterado 7.nov.2026 às 13h52 O estado do senador Rogério Marinho é o RN, não a PB, como afirmou incorretamente versão anterior deste texto.
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