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Atualização: Decisivas, mulheres seguem com Lula, mas com vantagem quase duas vezes menor que em 2022

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 16:55
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Atualização: Decisivas, mulheres seguem com Lula, mas com vantagem quase duas vezes menor que em 2022
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Decisivas, mulheres seguem com Lula, mas com vantagem quase duas vezes menor que em 2022 Na véspera do 2º turno, caso Ana Clara e voto contra licença-maternidade expõem Flávio num tema caro às eleitoras Eleitoras: as mulheres somam 52,84% do eleitorado e podem definir uma disputa empatada no total.

Publicado em 24 de outubro de 2026 às 13h54 .

Priorizar nos meus resultados Google Na véspera do segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda conta com as eleitoras, mas a margem de apoio entre elas do petista caiu quase pela metade em relação a 2022, pleito que o elegeu para o atual mandato.

De acordo com a pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira, 22, o presidente tem 49% das intenções de voto entre as mulheres , contra 44% de Flávio Bolsonaro (PL).

Em 2022 , na véspera do segundo turno, a vantagem do petista entre elas era de 9 pontos no mesmo instituto, 51% a 42%.

Nas outras quatro pesquisas registradas no TSE com campo entre 18 e 22 de outubro, a vantagem de Lula entre as mulheres varia de 2 a 7 pontos. E é preciso destacar que todas foram feitas antes do debate da TV Globo, que aconteceu na noite desta sexta-feira, 23.

Atualmente, mulheres representam 52,84% do eleitorado, segundo o TSE, ou 83,9 milhões de pessoas . Com a disputa empatada no total, 47% para Flávio e 46% para Lula no Datafolha, a margem entre elas pode decidir a eleição.

Contudo, é preciso entender o que mudou no comportamento de um público que aparenta seguir com Lula, mas cuja margem em relação a 2022 encolheu. E também o que pode ser determinante nas últimas horas antes da votação.

O resultado do primeiro turno, em 4 de outubro, culminou em um Congresso mais feminino do que nunca.

A partir de 2027, a Câmara terá 109 deputadas, ante 90 eleitas em 2022. Para o Senado, foram eleitas 12 mulheres para as 54 vagas em disputa - passando de 15 para 18 senadoras -, recorde desde a redemocratização, com a direita como maior grupo entre elas.

Das 12 senadoras eleitas, cinco são de partidos de direita, e três delas saíram do próprio PL de Flávio: Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, pelo Distrito Federal, e Carol De Toni, por Santa Catarina. As outras sete se dividem entre quatro de legendas de esquerda e três de centro.

Um avanço, portanto, de perfil mais conservador, como mostra o histórico de votações de parte das eleitas na Câmara dos Deputados. Bia Kicis e Carol De Toni, ambas do PL, votaram contra a lei da igualdade salarial , em 2023.

Bia Kicis também assinou o PL 1904, que equipara o aborto após 22 semanas de gestação ao homicídio, inclusive em caso de estupro.

Talvez apostando nesse eleitorado , Flávio chegou ao debate da TV Globo com o voto feminino entre as prioridades. Ao longo do programa, tratou do custo de vida e da segurança a partir do impacto sobre as famílias.

Na segurança , prometeu reduzir a maioridade penal para 16 anos, e para 14 em casos como estupro, além de aplicar castração química a condenados por estupro e abuso sexual de crianças.

Na economia, acusou o governo de deixar as famílias mais endividadas. Um tema que atinge diretamente as mulheres, atualmente responsáveis por 49,1% dos lares brasileiros , segundo o Censo 2022 do IBGE.

Pelos dados do Banco Central, as dívidas das famílias somavam 49,9% da renda acumulada em 12 meses em julho, o maior nível da série.

Lula, por sua vez, insistiu que o adversário cortaria programas e benefícios sociais - mais um tópico sensível sobretudo para eleitoras: segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social , as mulheres são as responsáveis por 84,2% das 18,7 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família .

Confrontado pelo opositor por já ter chamado o programa de “bolsa-farelo” em suas redes sociais, em 2011 e 2013, quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro , Flávio rebateu com a promessa de manter os programas e a política de reajuste do salário mínimo .

E acusou o atual governo de só ter se lembrado dos beneficiários às vésperas da eleição, com o reajuste anunciado 17 dias antes do primeiro turno.

Desta vez, na plateia do estúdio, Flávio teve a seu lado a esposa, Fernanda Bolsonaro - uma companhia mais constante em suas aparições e manifestações públicas nos últimos dias.

Já Lula levou como convidada, Cristiane Gomes da Silva, mãe de Ana Clara Gomes Machado , morta aos 5 anos por um tiro de fuzil em 2 de fevereiro de 2021, enquanto brincava na porta de casa, durante uma ação policial em Niterói, no Rio de Janeiro.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio, o disparo que vitimou a criança partiu do fuzil do policial militar Bruno Dias Delaroli , que nega a acusação e ainda não foi julgado.

A versão de confronto é contestada: testemunhas, entre elas a mãe e a tia de Ana Clara, negam que tenha havido troca de tiros antes de a menina ser atingida.

Em 2024, já senador, Flávio passou a integrar a defesa de Delaroli, sem cobrar honorários. E assinou um recurso no Superior Tribunal de Justiça para tentar evitar o júri popular.

No bloco sobre segurança, Lula então cobrou do adversário explicações sobre essa atuação, apontando para Cristiane, sentada na primeira fila. Na resposta, o senador se confundiu e dirigiu-se à mãe pelo nome da filha morta.

Depois, embora tenha classificado o fato como uma tragédia, sustentou a alegada troca de tiros "numa comunidade conflagrada pelo tráfico" , lembrou que o policial sequer foi julgado e que confia que o disparo não partiu dele.

O episódio, que se converteu em um dos de maior repercussão após o debate, toca um ponto central da estratégia de Flávio, a segurança pública .

É preciso lembrar ainda que o tema mobiliza as mulheres, em especial as mães.

Num país em que 10,3 milhões de lares são chefiados por mães solo, segundo o Censo 2022 do IBGE , o candidato que promete proteger as famílias com mais rigor contra o crime é o mesmo que atua na defesa do policial acusado de matar uma menina de 5 anos.

A maternidade também esteve em pauta no bloco sobre políticas sociais, quando Lula cobrou do senador o voto contra a ampliação da licença-maternidade.

Em 2009, como deputado estadual, Flávio foi o único a votar contra a proposta que aumentou de 120 para 180 dias a licença das servidoras do Rio de Janeiro.

Ao se justificar, o candidato disse que, à época, temia dificultar a contratação de mulheres e, em seguida, admitiu: “eu estava errado”. Por fim, citou o casamento e as duas filhas para dizer que hoje votaria de outra forma.

A revisão do voto foi um gesto direto às eleitoras, o público em que a rejeição ao senador é maior. Contudo, se o aceno compensou o efeito do caso Ana Clara, só as pesquisas feitas depois do debate vão mostrar.

Importante destacar que, ao longo da campanha, a aproximação com as eleitoras teve contradições dos dois lados .

Lula insistiu na figura da primeira-dama, Janja, para assumir a interlocução com o público feminino mesmo sem cargo formal, com eventos pelo país e discurso centrado no combate ao feminicídio e no fim da escala 6x1 .

Porém, no ato de lançamento da candidatura do presidente, em agosto, nenhuma mulher estava escalada para discursar.

Para Flávio, o caminho natural até as eleitoras passaria por Michelle Bolsonaro. Então presidente do PL Mulher, a ex-primeira-dama é a política mais conhecida do país , segundo levantamento do movimento Confia Nelas: 47% dos entrevistados dizem conhecê-la muito bem.

Em junho, porém, a relação com o enteado se desgastou publicamente. Michelle publicou vídeos em que disse ter sido humilhada por Flávio, numa divergência sobre alianças no Ceará. O candidato pediu desculpas, mas ela deixou o comando do braço feminino do partido dias depois .

O afastamento não tirou da ex-primeira-dama a força eleitoral. Na primeira disputa da carreira, ela se elegeu senadora pelo Distrito Federal com 938.496 votos, ou 29,1% dos válidos, a maior votação entre os candidatos ao Senado da região.

Antes disso, em julho, veio a reconciliação com o enteado, de novo por meio de vídeos de parte a parte.

Ainda assim, Michelle seguiu longe dos momentos decisivos da corrida presidencial : não compareceu à convenção que oficializou a candidatura de Flávio, à qual enviou uma gravação, e, no segundo turno, fez uma única agenda pública ao lado dele.

Com a madrasta distante, Flávio anunciou, em junho, que pretendia ter uma mulher como vice. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura , foi cogitada para o posto, mas a direção do Progressistas decidiu, no fim de julho, manter a legenda neutra na disputa.

Para o posto, foi anunciado em agosto, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) , alvo de uma acusação de estupro de vulnerável, levada à Polícia Federal em março por dois parlamentares de oposição, mas arquivada em outubro, a mando do ministro do STF Gilmar Mendes .

Neste cenário, o protagonismo feminino ao lado de Flávio coube a Daniella Marques . Respeitada no mercado financeiro, a economista presidiu a Caixa Econômica Federal, onde criou um programa de orientação financeira para mulheres, incluindo vítimas de violência doméstica .

Daniella, que hoje responde pelo plano econômico do senador acompanhou da plateia os dois debates do segundo turno. No confronto da Band, no domingo, 18, Lula se referiu a ela como “a tua mulher da economia” ao criticar as propostas de Flávio.

O senador e aliados classificaram a fala como machista , e a própria Daniella reagiu nas redes, chamando-a de misógina e lembrando que tinha nome.

A urna eletrônica não registra o sexo de quem vota, e o TSE divulga os resultados apenas por seção, município e estado. Não existe, portanto, um resultado oficial do voto das mulheres, nem em 2022 nem agora.

Mas até o momento, as cinco pesquisas nacionais com campo entre 18 e 22 de outubro apontam na mesma direção: Lula à frente entre as mulheres, por margens diferentes .

Agora, no início da noite deste sábado, 24, o Datafolha e a Quaest divulgam hoje suas últimas rodadas antes da votação, para medir os possíveis efeitos do confronto na TV Globo.

De acordo com o Ipespe/Abrapel , feito por telefone com 1.500 entrevistas entre 20 e 22 de outubro, Lula tem 50% das eleitoras e Flávio, 43%.

Segundo a RealTime Big Data , também por telefone, com 2.000 entrevistas entre 19 e 22 de outubro, a vantagem de Lula entre as mulheres cai para 49% a 47%. A Alfa Inteligência , com 2.700 entrevistas presenciais entre 18 e 22 de outubro, registra o mesmo placar.

Na RealTime e na Alfa, a diferença de 2 pontos entre as mulheres configura empate técnico .

Os recortes por sexo têm margem de erro maior que a do total, porque cada grupo reúne apenas metade da amostra.

A Vox Brasil , com 2100 entrevistas domiciliares entre 20 e 22 de outubro, é a única das cinco em que Lula aparece à frente no total, com 45,4% contra 44,3%. Entre as mulheres, ele tem 44,9% e Flávio, 40%.

A amostra da Vox também destoa das demais: nela, 84,1% dos entrevistados têm renda familiar de até 2 salários mínimos, enquanto no Ipespe, na RealTime e na Alfa, essa faixa fica entre 40% e 46%.

Como Lula vai melhor entre os mais pobres , o perfil da amostra ajuda a explicar o resultado diferente.

É preciso olhar também a rejeição, para compreender a vantagem de Lula entre eleitoras. Na Vox, 46,8% das eleitoras não votariam em Flávio de jeito nenhum, contra 40,7% que rejeitam Lula. Na Quaest , com campo de 17 a 20 de outubro, são 57% e 42%.

Há também mais indefinição entre elas em parte das pesquisas . Na Vox, 15,2% das eleitoras dizem votar em branco, anular ou ainda não sabem em quem votar, e 6,8% não votariam em nenhum dos dois. No Ipespe, branco, nulo e indecisas somam 7%. Na RealTime e na Alfa, esse grupo é menor.

A vantagem de 9 pontos entre as eleitoras, em 2022, terminou numa vitória apertada para Lula nas urnas. O atual presidente venceu por 50,9% a 49,1% dos votos válidos, uma diferença de pouco mais de 2 milhões de votos .

Em 2026, o ponto de partida foi outro. No Datafolha de julho, Lula tinha 50% entre as mulheres, contra 40% de Flávio. De lá para cá, a vantagem caiu de 10 para 5 pontos .

Isso ajuda a explicar por que a vantagem de Lula entre as mulheres é menor que a de 2022. Flávio começou a campanha perto do patamar a que o pai só chegou na véspera daquela eleição.

Há, contudo, um precedente recente de que a preferência feminina, sozinha, pode não bastar. Em 2024, Kamala Harris fez do direito ao aborto o centro do apelo às eleitoras americanas .

Na reta final, porém, Donald Trump concentrou a campanha em promessas de segurança para as mulheres, associadas ao endurecimento contra a imigração, e moderou o discurso sobre o aborto. Harris venceu entre as eleitoras, mas a vantagem não foi suficiente para elegê-la.

Na reta final da eleição brasileira, pesará ainda o comparecimento. No primeiro turno, 78,92% dos eleitores foram às urnas, segundo o TSE.

A abstenção, de 21,08%, foi a maior num primeiro turno de eleição geral desde 1998.

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