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Atualização: Criada por um brasileiro, Character.AI pede falência e Disney aproveita para caçar talentos

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 18 de outubro de 2026 às 16:17
Via Exame
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Criada por um brasileiro, Character.AI pede falência e Disney aproveita para caçar talentos Plataforma de personagens feitos com IA busca proteção contra credores nos EUA; Disney oferece US$ 20 milhões por licença e prevê US$ 180 milhões em remuneração e incentivos à equipe Noam Shazeer (esquerda) e Daniel De Freitas (direita): os fundadores da Character.ai que foram para o Google (Winni Wintermeyer/Getty Images)

André Lopes Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 18 de outubro de 2026 às 12h32 .

Última atualização em 18 de outubro de 2026 às 12h41 .

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + A Character.AI, cofundada pelo brasileiro Daniel de Freitas, pediu proteção contra credores nos Estados Unidos. A Disney oferece US$ 20 milhões por uma licença de parte da tecnologia e prevê cerca de US$ 180 milhões em remuneração e incentivos para mais de 60 profissionais ao longo de três anos. A plataforma segue em operação, mas sua continuidade depende de encontrar um comprador.

Em 2023, Daniel de Freitas foi apontado pela Forbes como o primeiro brasileiro a se tornar bilionário com inteligência artificial. Três anos depois, a Character Technologies, dona da plataforma Character.AI e cofundada por ele, pediu proteção contra credores nos Estados Unidos. A Disney apresentou uma proposta que combina o licenciamento de tecnologia com a contratação de mais de 60 funcionários.

O pedido foi apresentado em 12 de outubro a um tribunal de Delaware, sob o Capítulo 11 da lei de falências americana. A Disney oferece US$ 20 milhões por uma licença perpétua e não exclusiva de parte da propriedade intelectual da Character.

A contratação de mais de 60 profissionais envolve uma previsão de cerca de US$ 180 milhões em remuneração e incentivos de retenção ao longo dos três primeiros anos, segundo os documentos da negociação. O pacote prevê US$ 30 milhões em bônus para estimular a permanência dos funcionários.

A proposta pela licença ainda depende de aprovação judicial e não inclui a compra da plataforma de chatbots. A Character.AI continua funcionando enquanto busca um comprador para manter o serviço.

Freitas se formou em engenharia da computação na USP em 2011. Trabalhou no buscador Bing, da Microsoft, antes de ir para o Google, onde liderou o desenvolvimento do LaMDA, modelo de linguagem voltado para conversas, e conheceu o americano Noam Shazeer .

Os dois deixaram o Google em 2021 e fundaram a Character.AI. A plataforma permite conversar com chatbots inspirados em personagens de ficção, celebridades ou figuras criadas pelos usuários. Em 2023, a startup foi avaliada em US$ 1 bilhão .

Em agosto de 2024, um acordo bilionário de licenciamento levou Freitas, Shazeer e parte da equipe de volta ao Google. O brasileiro hoje trabalha no Google DeepMind e não participa da gestão da Character, que passou a ser comandada por outros executivos.

A Character enfrenta acusações de expor crianças e adolescentes a interações nocivas. Uma das ações foi apresentada em 2024 por uma mãe da Flórida após a morte por suicídio de seu filho de 14 anos. Segundo o processo, o adolescente havia desenvolvido uma relação de dependência com um chatbot inspirado em uma personagem de Game of Thrones . A ação alegava que a plataforma não ofereceu ajuda nem avisou os pais quando ele manifestou intenção suicida.

Em janeiro, a empresa chegou a acordos preliminares em cinco ações movidas por famílias. Segundo a Reuters, documentos judiciais recentes indicavam que esses acordos ainda não haviam sido concluídos nem pagos. A empresa também proibiu menores de 18 anos de usar os chats abertos. Investigações de governos estaduais continuam em andamento, e a Character afirma negociar acordos com as autoridades.

Em documento de 14 de outubro, procuradores-gerais estaduais pediram que qualquer comprador adote mecanismos eficazes de verificação de idade e impeça crianças de acessar conversas com conteúdo sexual, violento ou nocivo. As autoridades argumentam que chatbots com comportamento humano podem dificultar a distinção entre relações artificiais e reais, sobretudo entre usuários que ainda estão desenvolvendo o controle emocional.

Antes da negociação, Disney e Character tiveram um conflito sobre o uso de personagens. Em setembro de 2025, a Disney enviou à startup uma notificação para que retirasse do ar chatbots baseados em sua propriedade intelectual sem autorização. Em setembro deste ano, anunciou a contratação do então CEO da Character, Karandeep Anand , como seu primeiro diretor de tecnologia. Ele assumiu o cargo em outubro.

A Disney já pagou US$ 7,5 milhões dos US$ 20 milhões previstos pela licença, antes mesmo do pedido de proteção contra credores. A Character afirma que precisava agir rapidamente diante da queda do moral da equipe e do risco de saída de funcionários. A Disney não comentou.

Outros interessados podem apresentar ofertas, e um leilão está previsto para novembro caso haja concorrência. A Character espera concluir a venda de seus ativos até o fim de novembro ou o início de dezembro. Se não encontrar um comprador disposto a manter a plataforma, o serviço poderá ser encerrado, informou a empresa.

É uma plataforma que permite conversar com chatbots inspirados em personagens de ficção, celebridades ou figuras criadas pelos próprios usuários. Foi fundada por Daniel de Freitas e Noam Shazeer.

Daniel de Freitas é engenheiro da computação formado pela USP. Trabalhou na Microsoft e no Google antes de criar a startup com Noam Shazeer, em 2021. Em 2024, voltou ao Google após um acordo de licenciamento e deixou a gestão da empresa.

A proposta de US$ 20 milhões é por uma licença perpétua e não exclusiva de parte da propriedade intelectual. Ela não inclui a compra da plataforma de chatbots e depende de aprovação judicial.

São uma estimativa de remuneração e incentivos de retenção para mais de 60 profissionais ao longo de três anos. O dinheiro é destinado aos funcionários, não ao pagamento pela empresa.

A plataforma continua em operação durante o processo judicial. A empresa informou que poderá encerrar o serviço se não encontrar um comprador disposto a mantê-lo.

A empresa é alvo de ações e investigações sobre a segurança das interações com seus chatbots, especialmente para crianças e adolescentes. Em janeiro, chegou a acordos preliminares em cinco ações de famílias, mas, segundo a Reuters, documentos recentes indicavam que ainda não haviam sido concluídos nem pagos.

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