Atualização: BC interrompe queda da Selic em meio à reação do mercado ao Lula 4; taxa está em 13,75%
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google O Banco Central interrompeu nesta quarta-feira, 4, o ciclo de redução da taxa básica de juros, iniciado em março deste ano. Em decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi mantida em 13,75% ao ano, em meio à deterioração de indicadores financeiros e cambiais após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão do Copom pela manutenção da taxa de juros foi unânime.
“O ambiente externo tornou-se mais adverso”, inicia o comunicado divulgado pelo comitê nesta quarta-feira. As razões para o aumento da adversidade seriam “o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio”, que pressionam os preços internacionais do petróleo e seus derivados, e “a política monetária mais restritiva nas economias avançadas”.
O Copom também afirma que os indicadores mais recentes apontam para uma moderação “mais acentuada” da atividade econômica no Brasil. “O mercado de trabalho permanece resiliente, porém apresentando sinais de desaquecimento na margem”, diz. Foi feita uma ponderação, contudo, sobre dados de inflação: “a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram, situando-se acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta”.
A meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, com piso de 1,5% e teto de 4,5%. O comitê alerta para uma inflação acima do centro da meta no período de referência: “A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, elevou-se para 3,5%”.
A decisão confirmou a expectativa predominante entre os analistas do mercado financeiro. Em pesquisa realizada pela Bloomberg com 29 economistas, 24 projetavam a manutenção dos juros no patamar atual, enquanto cinco ainda esperavam um corte de 0,25 ponto percentual. A mediana das estimativas do boletim Focus, considerando os analistas que atualizaram suas projeções na semana passada, igualmente indicava uma Selic de 13,75%.
A mudança recente nas expectativas do mercado financeiro ocorreu após o segundo turno das eleições presidenciais, em 25 de outubro. Antes do pleito, as projeções de mercado apontavam para uma taxa de 13,25% no encerramento deste ano, com a possibilidade de novos cortes nas reuniões de novembro e dezembro. A reação dos investidores à vitória de Lula, porém, elevou a percepção de risco sobre a economia brasileira e tornou mais incerta a trajetória dos juros.
Entre os fatores que pressionaram os mercados estão a desvalorização do real, as preocupações com a situação das contas públicas e a alta dos juros futuros. Também contribuiu para a piora das expectativas o aumento do preço internacional do petróleo, que pode elevar os custos de produtos e serviços e dificultar o controle da inflação. A reação dos investidores está relacionada, ainda, a especulações sobre a possibilidade de adoção de uma política econômica mais heterodoxa no quarto mandato de Lula, o que aumentou os prêmios de risco exigidos para investir no país.
“O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, escreveram os membros do Copom.
O desempenho dos ativos brasileiros reflete o aumento da desconfiança. Desde o segundo turno, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, acumula desvalorização de 18,45%. No mesmo intervalo, o dólar avançou cerca de 10% e chegou a 5,46 reais.
O cenário dos preços também representa um desafio para a política monetária. O IPCA, índice oficial de inflação, acumulou alta de 4,58% nos 12 meses encerrados em setembro, acima do teto de tolerância de 4,5% em torno da meta central de 3%. No Focus, a estimativa para a inflação ao fim deste ano está em 5,20%.
Pelo regime de metas contínuas, o objetivo do Banco Central é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O descumprimento da meta é caracterizado quando o índice permanece fora desse intervalo por seis meses consecutivos. Nesse contexto, a alta do dólar e do petróleo, assim como a deterioração das expectativas de inflação para prazos mais longos, dificulta a perspectiva de convergência dos preços para o objetivo estabelecido.
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