Fique por dentro: Banco Central mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes na taxa de juros
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Consulte formatos e valores disponíveisBanco Central mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes na taxa de juros Decisão do Copom confirma expectativa recente do mercado, que passou a projetar a manutenção dos juros após a reeleição de Lula Banco Central mantém taxa de juros em 15% (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Última atualização em 4 de novembro de 2026 às 18h55.
Priorizar nos meus resultados Google Contexto 36s O Banco Central do Brasil manteve a taxa de juros (Selic) em 13,75% ao ano, interrompendo um ciclo de cortes que durava desde 2026. A decisão reflete preocupações com a inflação crescente, riscos externos e desafios fiscais no país. O Comitê de Política Monetária (Copom) destacou a necessidade de cautela para controlar a demanda econômica e garantir a convergência da inflação à meta.
O Comitê de Política Monetária ( Copom ) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 4, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão interrompe o ciclo de cortes dos juros no Brasil, após cinco reduções realizadas ao longo de 2026.
Essa é a primeira vez que o BC não reduz juros desde janeiro de 2026.
A Selic chegou a 15% ao ano em junho de 2025 e permaneceu nesse patamar, o maior em mais de 20 anos, até março de 2026, quando o Banco Central iniciou um novo ciclo de flexibilização monetária.
A manutenção dos juros confirma a expectativa mais recente do mercado financeiro. Antes do resultado da eleição presidencial, que terminou com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a maioria do mercado esperava uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,50% ao ano.
Após a vitória de Lula, as apostas do mercado passaram a indicar a manutenção da Selic em 13,75% ao ano, cenário confirmado pela decisão do Copom.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom afirmou que a decisão é compatível com a estratégia de levar a inflação para perto da meta.
O Copom apontou uma piora do cenário inflacionário desde a reunião anterior, tanto no Brasil quanto no exterior. Entre os principais fatores estão o prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, a elevação dos preços do petróleo e derivados e a manutenção de políticas monetárias mais restritivas nas economias avançadas.
Segundo o comunicado, esses fatores aumentaram a volatilidade dos preços de ativos financeiros e de commodities, como petróleo e produtos agrícolas, exigindo maior cautela dos países emergentes.
No Brasil, o comitê destacou que os indicadores mais recentes mostram uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica, principalmente nos setores mais sensíveis às condições de crédito e aos juros.
O mercado de trabalho, por sua vez, permanece resiliente, mas já apresenta sinais de desaquecimento. Apesar da perda de ritmo da economia, a inflação acumulada e as medidas de inflação subjacente, que buscam identificar tendências mais persistentes dos preços, aceleraram e ficaram acima do teto da meta.
O Banco Central também destacou a política fiscal brasileira como um dos fatores que exigem cautela na definição dos juros, diante de seus possíveis efeitos sobre a inflação e os ativos financeiros.
No comunicado, o Copom afirmou que segue acompanhando como os desdobramentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os preços dos ativos financeiros, em um ambiente de maior incerteza.
O colegiado também apontou, entre os riscos de alta para a inflação, a possibilidade de estímulos à demanda, especialmente ao consumo, que levem a economia a crescer acima de seu potencial e reduzam a eficácia dos mecanismos de transmissão da política monetária.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de uma combinação de políticas econômicas internas e externas provocar pressões inflacionárias maiores do que as previstas, inclusive por meio de uma desvalorização persistente do real.
Para o Copom, a combinação de inflação elevada, expectativas em alta, riscos fiscais e desaceleração econômica exige cautela na condução da política monetária.
O Banco Central afirmou que continuará avaliando os indicadores econômicos e a evolução das expectativas de inflação antes de definir os próximos passos.
O colegiado classificou a taxa atual como substancialmente contracionista, expressão utilizada para indicar um nível de juros que restringe o crédito, o consumo e os investimentos, ajudando a conter a demanda e a inflação.
Ao mesmo tempo, reconheceu que os indicadores de atividade econômica são consistentes com uma trajetória de desaceleração ao longo de 2026.
O Copom afirmou que o cenário exige serenidade e cautela na condução da política monetária e que seguirá acompanhando a evolução das condições econômicas para manter o nível de restrição necessário à convergência da inflação à meta.
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