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Atualização: Adere quer dobrar receita com fita adesiva que vai do sapato ao arranha-céu

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 24 de outubro de 2026 às 11:45
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Atualização: Adere quer dobrar receita com fita adesiva que vai do sapato ao arranha-céu
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Por baixo da costura de um sapato de couro, uma fita adesiva ajuda a evitar rachaduras. Numa fachada de vidro, uma fita dupla face fixa as placas às molduras de alumínio. Já no chão de um pavilhão de exposições, outra mantém o carpete no lugar e precisa sair sem deixar resíduos quando a feira acaba.

São aplicações de um produto associado ao rolo guardado na gaveta de casa. Para a Adere, maior fabricante brasileira de adesivos, elas ajudam a explicar um negócio com mais de mil produtos e 120 mil quilômetros de fitas produzidos por ano. Essa extensão equivale, aproximadamente, a três voltas ao redor da Terra.

A variedade também está no centro da estratégia de expansão da companhia. Com faturamento anual acima de R$ 500 milhões, a Adere quer dobrar a receita até 2030. Para chegar a R$ 1 bilhão, combina investimentos industriais, desenvolvimento de produtos, maior presença no varejo e reforço nas exportações.

Segundo Luiz Gustavo Dias, CEO da Adere, a posição da empresa muda bastante entre as categorias. “A gente tem mais de 50% do mercado de fita crepe, mas no geral de fitas adesivas temos 12%. Então você imagina o que dá para crescer”, afirma, em entrevista a Mariana Amaro, apresentadora do podcast Do Zero ao Topo, do InfoMoney.

Parte dessas oportunidades está em aplicações industriais que passam despercebidas pelo consumidor. No calçado, por exemplo, a fita de tecido misto de algodão e náilon recebe uma camada de adesivo e fica sob a costura. Assim, dá resistência ao couro. “Eu falo que a fita é o esqueleto do sapato, né?”, diz Luiz Gustavo.

Para atender o setor, a Adere tem uma fábrica em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em parceria com um distribuidor de componentes. Dessa forma, mantém a produção próxima do polo calçadista. Já a fita adesiva para fachadas de vidro é fabricada em Sumaré, no interior paulista, com tecnologia própria.

Nos pavilhões de exposição, a exigência envolve também o que acontece depois do uso. Entre a desmontagem de uma feira e a abertura de outra, o carpete precisa ser retirado rapidamente. Por isso, uma fita dupla face qualquer não atende à aplicação: deixar adesivo no piso acrescentaria trabalho à preparação do espaço.

“Porque você, depois que acaba a feira, você tem que retirar esse carpete e não pode deixar resíduo de fita no chão”, explica o executivo. Portanto, o produto precisa fixar durante o evento e permitir a retirada ao final. Segundo ele, é uma fita difícil de encontrar no comércio convencional, embora esteja disponível na loja virtual da empresa.

Além dessas aplicações, as fitas adesivas atendem à indústria automotiva, à linha branca, que inclui geladeiras, e a hospitais. O portfólio também inclui colas para madeira, colas de cianoacrilato, de secagem rápida, abraçadeiras e utilidades domésticas. Cerca de 90% a 95% dos itens são de fabricação própria. A companhia ainda amplia linhas de marca própria produzidas por terceiros.

Para Luiz Gustavo, as demandas das indústrias são uma fonte de desenvolvimento de produtos. Por isso, técnicos e vendedores são orientados a ouvir o cliente e avaliar a aplicação antes de propor uma solução. Reforçar uma costura, fixar uma fachada e prender um carpete exigem especificações diferentes.

O investimento no laboratório acompanha esse trabalho. A ampliação mais recente da fábrica incluiu novos espaços para desenvolvimento de produtos e controle de qualidade. Além disso, houve aumento da equipe. Enquanto uma área verifica matérias-primas e produtos acabados, a outra trabalha em novas soluções, com uma máquina-piloto.

“Temos até um raio-x, para você ter uma ideia, para analisar fitas lá, analisar produtos”, conta Luiz Gustavo. O equipamento integra a estrutura de pesquisa da fabricante de fitas adesivas, que busca transformar necessidades dos clientes em novos itens para o catálogo.

Na produção, a Adere está executando um programa de investimentos de mais de R$ 100 milhões. A ampliação de 10 mil metros quadrados da unidade de Sumaré consumiu cerca de R$ 25 milhões, com melhorias de logística. Com isso, a fábrica chegou a 30 mil metros quadrados de área construída.

O plano também inclui novos equipamentos para ampliar a capacidade. A unidade geradora de vapor já foi incorporada à fábrica, enquanto um novo recuperador de solventes está em instalação. Na fabricação da fita adesiva, o solvente usado para diluir o adesivo evapora na secagem. O recuperador permite recolhê-lo e devolvê-lo ao processo.

Para vender mais, a empresa reforçou a equipe comercial e criou uma área de trade marketing, voltada à atuação nos pontos de venda. O objetivo é ampliar o espaço da marca nas gôndolas e a variedade de itens comprados pelos clientes atuais. Assim, o portfólio já existente ganha importância no plano de crescimento.

“A gente quer aumentar o nosso mix de venda nos mesmos clientes”, afirma o CEO. Além da fita crepe, a empresa quer ganhar participação nas linhas em que ainda tem presença menor. Os lançamentos seguem no plano, ao lado do esforço para vender mais itens que a companhia já fabrica.

Outra frente está fora do Brasil. Embora venda para 17 países, a Adere obtém cerca de 4% do faturamento com exportações. Os principais mercados são Argentina, Paraguai e Uruguai, com destaque para os argentinos. A empresa também vende para os Estados Unidos e a Europa.

Hoje, o próprio CEO cuida dos clientes externos, com apoio de duas profissionais responsáveis pela documentação. No entanto, ele descreve a atuação como mais reativa do que ativa. Para mudar esse quadro, a companhia pretende contratar um executivo de vendas dedicado à exportação.

A Adere já teve um profissional nessa função, que trouxe negócios antes de sair para outra empresa. Agora, Luiz Gustavo vê espaço para entrar na Colômbia, onde a fabricante de fitas adesivas ainda não atua, e ampliar as vendas no Chile, no Peru e no Equador. “Tudo é uma questão de foco. Oportunidade tem um monte”, afirma.

Para saber mais detalhes sobre a Adere, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.

O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.

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