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Ambev lucra R$ 4,4 bi no 3º tri com 'volta da cerveja' e divulga recompra de R$ 2,9 bi

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 12:50
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Ambev lucra R$ 4,4 bi no 3º tri com 'volta da cerveja' e divulga recompra de R$ 2,9 bi
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Ambev lucra R$ 4,4 bi no 3º tri com 'volta da cerveja' e anuncia recompra de R$ 2,9 bi Com indústria em alta e mais rótulos premium, receita da Ambev sobe 7,6% Ambev: empresa divulgou balanço do 3º trimestre de 2026 (Junjira Konsang / EyeEm/Getty Images)

Priorizar nos meus resultados Google O lucro líquido ajustado da Ambev (ABEV3) somou R$ 4,39 bilhões no terceiro trimestre, alta de 14,3% em um ano A indústria de cerveja cresceu cerca de 4% no Brasil no período Michelob Ultra multiplicou por quase seis vezes o volume vendido no país, e Stella Pure Gold quase triplicou O gasto maior com marketing deixou mais apertada a margem da operação de cerveja no Brasil O conselho aprovou a recompra de até 190 milhões de ações, o equivalente a cerca de R$ 2,9 bilhões O consumo de cerveja voltou a crescer no Brasil, e a Ambev colheu o efeito no balanço do terceiro trimestre de 2026, divulgado nesta quinta-feira, 29. O lucro líquido ajustado da dona de Brahma, Skol e Stella Artois chegou a R$ 4,39 bilhões, alta de 14,3% sobre os R$ 3,84 bilhões do mesmo período de 2025.

A indústria de cerveja cresceu cerca de 4% no trimestre, segundo dados da Nielsen citados pela companhia, mesmo com a renda das famílias ainda pressionada. Para Ronaldo Rozenbaum, vice-presidente de estratégia da Ambev, o resultado encerra o debate sobre um possível desinteresse do brasileiro pela bebida. "A queda de volume do ano passado era muito mais conjuntural do que estrutural. A cerveja continua amada e faz parte da cultura dos brasileiros e das brasileiras", afirmou à EXAME.

A receita líquida somou R$ 21,6 bilhões, com crescimento orgânico de 7,6%, o que exclui efeitos de câmbio e de mudanças no perímetro da empresa. O Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 7,27 bilhões, alta orgânica de 8,9%, com margem de 33,7%, 0,4 ponto percentual acima da registrada um ano antes. O lucro por ação ajustado subiu 15,4%, para R$ 0,28.

Na linha contábil, o lucro líquido recuou 10,2%, para R$ 4,37 bilhões. O terceiro trimestre de 2025 incluiu efeitos não recorrentes, entre eles o ganho com a venda da operação em Barbados.

O volume de cerveja vendido pela própria Ambev no Brasil subiu 0,5% no trimestre, bem abaixo do ritmo da indústria. A companhia atribui a diferença ao calendário da Copa do Mundo, que se dividiu entre o segundo e o terceiro trimestres, e defende que a comparação mais justa soma os dois períodos. Nesse recorte, a indústria cresceu 1,3%, e a Ambev, 2,7%. Mesmo no trimestre isolado, a empresa afirma ter ganhado participação de mercado.

Rozenbaum estima que cerca de metade do crescimento da indústria nesses seis meses veio do torneio. A outra metade, na leitura dele, é demanda que não depende de evento. "A Copa é uma vez a cada quatro anos. Mas a categoria está com a gente o tempo inteiro e mostra esse sinal de crescimento", disse.

O clima, variável que mais mexe com as vendas de cerveja, segue como incógnita para o verão. O executivo conta que o terceiro trimestre foi mais chuvoso que o normal, sobretudo no Sul e no Sudeste, e que até agora as temperaturas não apontam para um El Niño semelhante ao último. "A gente viveu um El Niño entre 23 e 24 que foi muito mais quente do que o normal, e isso, com certeza, impactou a nossa indústria", lembrou.

O crescimento da Ambev no Brasil veio das pontas do portfólio. O volume das marcas premium avançou 19% no trimestre. O grupo de cervejas sem glúten, com menos calorias ou com baixo teor alcoólico, que a empresa chama de wellness, cresceu 157%. Dentro dele, a Michelob Ultra teve alta de 478% em volume, e a Stella Pure Gold, de 195%. As cervejas sem álcool cresceram 43%.

Rozenbaum, que está há 14 anos na companhia e já passou por marketing, vendas, finanças e gestão de receita, diz que a Ambev retomou no ano passado a liderança do segmento premium, depois de uma década, e que vem ampliando a distância da concorrência desde então. Marcas como a Corona estão no centro dessa estratégia. "Eu acredito que é o melhor portfólio que a gente já teve, com léguas de distância", afirmou.

Na outra ponta, as cervejas de massa, como Skol, Brahma e Antarctica, perderam volume. O segmento recuou um dígito médio no trimestre, faixa que a companhia define como queda entre 3,4% e 6,6%. Segundo o executivo, essas marcas respondem por cerca de três quartos do volume, o que as torna indispensáveis mesmo com o avanço das linhas mais caras. "A gente não existe de forma saudável como companhia sem as nossas marcas core saudáveis", disse.

Os canais digitais também cresceram. O volume bruto de mercadorias negociado no BEES Marketplace, plataforma de vendas para bares e mercados, subiu 83% no Brasil. No Zé Delivery, a alta foi de 16%, com aumento de 12% no número de compradores mensais.

A receita da operação de cerveja no Brasil cresceu 4,8%, para R$ 10,14 bilhões, puxada por preço e por um mix de produtos mais caros. O custo por hectolitro, porém, subiu 5,4%, pressionado por commodities, e as despesas com vendas, gerais e administrativas avançaram 9,2%, principalmente pelo investimento adicional em marketing. Com isso, o Ebitda ajustado da unidade cresceu 1%, para R$ 3,54 bilhões, e a margem caiu 1,3 ponto percentual, para 34,9%.

Rozenbaum afirma que a companhia decidiu acelerar o investimento em vendas e marketing, que, em termos percentuais, cresce o dobro da receita.

O desempenho consolidado da Ambev foi sustentado pelas operações fora do país. Na América Latina Sul, que tem a Argentina como principal mercado, o Ebitda ajustado cresceu 41,5% em termos orgânicos, mesmo com queda de 1,4% no volume. Na América Central e Caribe, a alta foi de 11,4%, e no Canadá, de 3,2%. No Brasil, a divisão de bebidas não alcoólicas voltou a crescer em volume, com avanço de 3,6%.

A geração de caixa operacional somou R$ 7,68 bilhões no trimestre, alta de 11%. No acumulado do ano, chega a R$ 15,55 bilhões. A Ambev encerrou setembro com caixa líquido de R$ 19,2 bilhões e informou que já fez o hedge de sua exposição ao dólar para todo o ano de 2027.

Junto com o balanço, a Ambev divulgou fato relevante sobre um novo programa de recompra de ações, aprovado pelo conselho de administração em 28 de outubro. A companhia poderá adquirir até 190 milhões de ações ordinárias, o que equivale a cerca de R$ 2,9 bilhões pelo preço de fechamento daquele dia e a cerca de 4,7% das 4,04 bilhões de ações em circulação no mercado.

O principal objetivo é cancelar os papéis. As ações que sobrarem poderão ser mantidas em tesouraria, vendidas ou usadas nos planos de remuneração da empresa. O programa vai até 28 de abril de 2028 e será executado pelas corretoras Santander, Ágora e Goldman Sachs, com recursos das reservas de capital.

Nos nove primeiros meses do ano, a Ambev gastou R$ 3,33 bilhões com recompras e pagou R$ 2,56 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. Em agosto, o conselho já havia aprovado o cancelamento de 279 milhões de ações mantidas em tesouraria.

Trader AI consulta relatórios do Research, monta cestas de ações e rebalanceia carteiras, mas a confirmação da ordem continua com o investidor

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