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a conta que pode destravar o M&A — Açúcar em alta e usinas com desconto

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 22 de outubro de 2026 às 09:10
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a conta que pode destravar o M&A — Açúcar em alta e usinas com desconto
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Açúcar em alta e usinas com desconto: a conta que pode destravar o M&A Últimas cinco aquisições tiveram valores 25% abaixo da média histórica, enquanto preços mais altos favorecem novos negócios, diz BTG Colheita num canavial de São Paulo: Segundo a StoneX, o custo para produzir açúcar VHP — o tipo mais exportado pelo Brasil — está em torno de R$ 1.730 por tonelada na usina e chega a R$ 1.875 por tonelada considerando o produto já pronto para exportação (FOB). (Divulgação / EXAME)

César H. S. Rezende Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 22 de outubro de 2026 às 06h00 .

Priorizar nos meus resultados Google O mercado brasileiro de açúcar e etanol vive um momento de contrastes. Os preços das duas commodities se recuperam e melhoram as perspectivas de rentabilidade das usinas, mas o valor dos ativos industriais continua abaixo dos níveis históricos. Para o BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), a combinação pode abrir uma janela para fusões, aquisições e venda de unidades produtivas.

Nas últimas cinco aquisições do setor sucroenergético , o valor médio negociado foi de US$ 54 por tonelada de capacidade de moagem, cerca de 25% abaixo da média histórica de US$ 72. Os números constam do relatório Food For Thought , divulgado nesta quarta-feira, 21, pelos analistas Thiago Duarte e Guilherme Gutilla.

Na avaliação do banco, o desconto reflete anos de pressão sobre a rentabilidade das usinas, num cenário de volatilidade do açúcar e de expansão do etanol de milho.

O momento atual, porém, tem uma particularidade: os preços das commodities voltaram a subir, e as avaliações dos ativos ainda não acompanharam por completo essa recuperação. Esse descompasso, segundo o BTG, favorece empresas que querem reorganizar portfólios e negociar ativos.

“Os preços das commodities acima dos níveis considerados normais podem criar uma janela atrativa para a monetização de ativos”, afirmam os analistas.

Após oscilar entre 13 e 16 centavos de dólar por libra-peso no início de 2026, o açúcar passou a ser cotado entre 20 e 21 centavos, acima dos cerca de 17 centavos que o BTG considera mais próximos do equilíbrio de mercado.

O etanol também se valoriza , sustentado pelos estoques reduzidos no Centro-Sul, principal região produtora de cana e etanol do país, que abrange o Sudeste, o Sul e parte do Centro-Oeste. Com preços mais altos, as usinas tendem a ter melhores resultados no curto prazo, o que pode aumentar o interesse por operações de compra e venda.

A avaliação não significa que o setor tenha superado seus problemas. Segundo o BTG, o avanço do etanol de milho muda a dinâmica competitiva do mercado brasileiro de biocombustíveis.

O Brasil produz cerca de 37,5 bilhões de litros de etanol por safra, dos quais entre 11 bilhões e 11,4 bilhões vêm do milho e aproximadamente 26 bilhões, da cana, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Com mais oferta, o etanol de cana enfrenta concorrência maior, e as perspectivas de rentabilidade de longo prazo das usinas ficam pressionadas. É o que ajuda a explicar o desconto nos ativos, mesmo com commodities mais favoráveis.

O banco também avalia que a valorização do açúcar pode ser temporária. Em outra análise do mesmo relatório, os analistas projetam que a restrição de oferta no comércio internacional diminua a partir do segundo trimestre de 2027, com a entrada da nova safra brasileira.

A estimativa é de que os preços voltem gradualmente a cerca de 17 centavos de dólar por libra-peso, se a oferta esperada se confirmar.

Isso reforça a importância do momento escolhido para negociar. Uma usina pode apresentar resultados melhores enquanto os preços estão altos, mas seu valor de longo prazo continua dependente da competitividade da operação.

Um exemplo recente desse movimento é a reorganização dos ativos da Adecoagro , empresa do setor sucroenergético. A companhia acertou a venda da usina Monte Alegre, localizada em Minas Gerais, com capacidade instalada para processar 1,2 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por ano.

O valor da transação não foi divulgado. Entretanto, ao aplicar os múltiplos médios das aquisições recentes à capacidade da unidade, o BTG estima uma avaliação entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões — o montante equivaleria a aproximadamente 5% do valor de mercado da companhia, segundo os cálculos do banco.

A operação, no entanto, não representa uma saída da Adecoagro do segmento de açúcar e etanol. Poucas semanas antes, a companhia havia concluído a aquisição da usina Caarapó, anteriormente pertencente à Raízen, juntamente com os ativos agrícolas associados à unidade.

Localizada em Mato Grosso do Sul, a operação reforça a presença da empresa no estado e aponta para uma estratégia de concentração geográfica.

Na avaliação dos analistas do banco, a movimentação sugere uma busca por ganhos de eficiência e sinergias operacionais, em vez de uma redução da exposição ao setor.

Assim, a Adecoagro combina a venda de uma unidade em Minas Gerais com a ampliação de sua estrutura produtiva em Mato Grosso do Sul.

Para o banco, o caso ilustra como empresas do setor podem aproveitar o ambiente de preços mais elevados para rever a distribuição de seus ativos, concentrar operações e buscar maior eficiência.

Apesar da recuperação recente do açúcar e do etanol, o mercado de fusões e aquisições ainda carrega os efeitos de um período prolongado de rentabilidade pressionada.

O levantamento do BTG mostra que o valor médio das últimas cinco transações permanece distante da média histórica, mesmo após uma recuperação dos múltiplos observada nos períodos mais recentes do gráfico apresentado pelo banco.

A diferença entre os US$ 54 por tonelada negociados recentemente e os US$ 72 por tonelada da média histórica indica que os compradores continuam atribuindo um valor menor à capacidade instalada das usinas.

Parte desse desconto está associada ao comportamento dos preços do açúcar nos últimos anos. Outra parcela, segundo os analistas, reflete a transformação estrutural provocada pela maior produção de etanol de milho .

Nesse cenário, o desafio das companhias é avaliar se vale a pena manter determinados ativos, ampliar operações ou aproveitar a recuperação dos preços para realizar vendas.

Para o BTG, o ambiente atual reúne dois fatores que nem sempre caminham juntos: preços de commodities acima dos níveis considerados normais e avaliações de usinas ainda abaixo da média histórica.

Essa combinação pode favorecer novas operações de fusões e aquisições, especialmente entre companhias interessadas em concentrar suas atividades em regiões onde já possuem estrutura produtiva.

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