a ambição da Anthropic na abertura de capital — A próxima trilionária
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google A Anthropic, empresa responsável pelo assistente de inteligência artificial (IA) Claude, deu um passo decisivo para chegar à Bolsa de Valores dos Estados Unidos. Na segunda-feira, 26, a companhia tornou público o registro para uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). A intenção é negociar papéis na Nasdaq sob o código ANT, mas a empresa ainda não divulgou o volume de ações que pretende vender nem a faixa de preço da operação. A estreia depende da aprovação do órgão regulador do mercado americano, a Securities and Exchange Commission (SEC).
A empresa pretende avançar com o processo em poucas semanas. Segundo a Barron’s, revista americana especializada em finanças e investimentos, a Anthropic trabalha com a possibilidade de estrear na Bolsa antes do feriado de Ação de Graças, celebrado em 26 de novembro nos Estados Unidos. Caso siga um cronograma semelhante ao da SpaceX, a companhia poderia anunciar o preço de referência das ações em 9 de novembro, iniciar as apresentações da oferta aos investidores no dia seguinte e começar a negociar seus papéis em 17 de novembro. As datas, contudo, são projeções, e não um calendário confirmado pela empresa.
A preparação da operação envolve 22 instituições financeiras responsáveis pela distribuição das ações, com Goldman Sachs e Morgan Stanley na liderança. Antes de lançar a oferta, a Anthropic ainda precisará preencher lacunas do prospecto inicial, incluindo o número de papéis que serão vendidos e o preço pretendido. A Barron’s também destaca a necessidade de atualizar as informações financeiras da companhia para que os investidores possam avaliar a operação.
A expectativa inicial era de que a Anthropic poderia captar até 100 bilhões de dólares com o IPO e alcançar uma avaliação de 2 trilhões de dólares após a operação. Segundo a Barron’s, porém, alguns analistas passaram a considerar uma avaliação de aproximadamente 1,5 trilhão de dólares, abaixo dos 2 trilhões anteriormente cogitados, diante de preocupações com as perspectivas do setor de inteligência artificial. A companhia ainda não apresentou uma avaliação oficial para a oferta, de modo que o valor dependerá das condições de mercado e da demanda dos investidores.
O crescimento das vendas continua sendo um dos principais argumentos a favor da valorização da companhia. A receita da Anthropic atingiu 16,3 bilhões de dólares no primeiro semestre de 2026, ante 1,2 bilhão de dólares no mesmo período do ano anterior. O faturamento, portanto, cresceu mais de 13 vezes em um ano, impulsionado pela adoção dos produtos da empresa por organizações e desenvolvedores, além das assinaturas pagas do Claude.
A receita teria chegado a 16,8 bilhões de dólares no terceiro trimestre, um avanço de 45% em relação aos três meses anteriores. Chama atenção, contudo, a desaceleração do crescimento. O número trimestral ainda não aparece detalhado no prospecto inicial divulgado à SEC.
O avanço da receita convive com um resultado contábil negativo expressivo. A Anthropic registrou prejuízo líquido de 80,7 bilhões de dólares entre janeiro e junho. A maior parte dessa cifra, entretanto, não corresponde a dinheiro efetivamente consumido pelas operações: cerca de 72,4 bilhões de dólares vieram da reavaliação de instrumentos financeiros que podem ser convertidos em ações, como notas conversíveis e acordos de investimento futuro. Com a valorização da companhia, esses compromissos passaram a representar despesas maiores nos balanços, sem exigir, por si só, um desembolso equivalente de caixa.
O resultado operacional oferece outra medida da situação financeira. Excluídos esses efeitos contábeis, a perda nas atividades da empresa foi de 693 milhões de dólares no semestre. Embora muito inferior ao prejuízo líquido divulgado, o número mostra que a Anthropic ainda não transformou o crescimento das vendas em rentabilidade operacional. A própria companhia reconhece no documento apresentado à SEC que não há garantia de que conseguirá alcançar ou sustentar o lucro no futuro.
Uma das principais dificuldades para atingir esse objetivo é o volume de recursos necessário para desenvolver e operar modelos avançados de IA. O negócio depende de chips especializados, energia e grandes centros de processamento de dados. Para ampliar sua capacidade, a Anthropic firmou acordos de computação com Amazon, Google e Broadcom. O contrato com a Amazon prevê acesso a até cinco gigawatts de capacidade computacional, enquanto a empresa também anunciou um plano de 50 bilhões de dólares para investimentos em infraestrutura nos Estados Unidos.
A necessidade de ampliar a infraestrutura ajuda a explicar por que a receita crescente não elimina as dúvidas sobre a rentabilidade. Quanto mais clientes utilizam os sistemas, maior pode ser o faturamento, mas também cresce a demanda por capacidade computacional. Além disso, o desempenho financeiro depende da disposição dos clientes para manter ou ampliar os contratos e da capacidade da Anthropic de controlar os custos necessários para atender a essa demanda.
A disputa com a OpenAI acrescenta outro elemento à equação. As duas companhias competem por clientes corporativos e usuários individuais, mas seguem estratégias distintas. A Anthropic concentra parte importante de sua expansão no mercado empresarial, enquanto a OpenAI combina as assinaturas do ChatGPT com ferramentas para empresas e desenvolvedores e produtos voltados à programação. A rivalidade também envolve diferenças de posicionamento sobre segurança e privacidade, temas que acompanharam a separação entre os fundadores das duas empresas.
A OpenAI também prepara o terreno para uma eventual abertura de capital. Sua receita anualizada superou 40 bilhões de dólares, embora esse indicador projete para um ano o ritmo de vendas observado em um período mais curto e não corresponda necessariamente ao faturamento efetivo dos 12 meses anteriores. A empresa também precisa avaliar o momento adequado para estrear na Bolsa, em um cenário no qual o interesse dos investidores por negócios de inteligência artificial convive com dúvidas sobre as avaliações e os gastos necessários para desenvolver a tecnologia.
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